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José Miguel Leonardo, CEO da Randstad

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Fernando Picarra

"A falta de planeamento, o desconhecimento da estratégia e a indefinição não pode ser um modus operandi, será sempre um fim anunciado"

"As grandes empresas esforçam-se cada vez mais para se parecerem com o que reconhecem como único nas PME: a flexibilidade, a agilização, a simplicidade dos processos de tomada de decisão e o empreendedorismo. Estas vantagens competitivas são difíceis de trazer para o interior das grandes organizações, de as incutir no seu ADN.

Mas se as grandes invejam as pequenas, as PME nem sempre (se) reconhecem ou convivem de forma eficiente com esta genética. Esta “inconsciência” vive muitas vezes de mãos dadas com uma “promiscuidade” entre a pessoa colectiva e a pessoa singular, esquecendo as fronteiras que devem separar o negócio, da pessoa que o gere. Nunca é demais recordar o desafio das empresas familiares que são a base de muitos impérios mas, de quando em vez, também protagonistas dos maiores escândalos.

Estes dois mundos de dimensões diferentes têm assim de aprender um com o outro e ao mesmo tempo interiorizar competências e esse mesmo conhecimento. Devem trabalhar juntos e comunicar, garantindo o desenvolvimento de sinergias e interdependências.

AS PME não têm necessariamente de aspirar ser grandes, mas devem adoptar os processos transparentes e seguindo os melhores standards, o profissionalismo e a disciplina para garantir o seu sucesso e sustentabilidade. O amadorismo ou o conhecido “desenrascanço” não são inovação ou criatividade, são imaturidade empresarial e o fim de muitas ideias brilhantes. A falta de planeamento, o desconhecimento da estratégia e a indefinição não pode ser um modus operandi, será sempre um fim anunciado.

Portugal tem o mais importante para o tecido empresarial: as pessoas. Somos bons, temos formação, inovação, capacidade de empreender e respondemos acima da média sempre que somos chamados a isso, sempre que acreditamos. Um estudo recente da Gartner coloca-nos no topo enquanto destino de serviços partilhados (nearshore), destacando o conhecimento dos nossos recursos humanos e as nossas capacidades. O nosso tecido empresarial tem já essa vantagem competitiva, é trabalhado por pessoas, constituído por uma força que não se “desenrasca” apenas, mas que tem sim momentos de verdadeira genialidade, em que se transcende através de esforço, dedicação e perseverança.

Hoje ser PME em Portugal não é ser pequeno nem médio, é fazer parte da economia, contribuir com postos de trabalho e ter acesso a tudo o que os chamados grandes têm, porque cada vez mais os produtos e serviços são feitos à medida destes negócios, permitindo que tenham um nível de profissionalização acima da média, respondendo ao mercado global (exemplo disso são modelos de outsourcing, customer care, formação, etc, garantindo experiências de cliente idênticas aos principais players). Se dermos este passo no sentido da profissionalização estaremos prontos para trabalhar juntos, sem mesquinhices, em parceria e com a transparência de empresas parceiras ou até concorrentes que querem uma economia próspera e de futuro, onde a troca de ideias resulte em projectos de melhoria que possam beneficiar todos os que lá trabalham e aumentar a nossa competitividade.

Ser pequeno, médio ou grande é apenas uma qualificação de números, temos sim de ser bons, de ser os melhores, reconhecendo o que já hoje nos torna únicos e, mesmo, geniais."