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Portugal 2016: Governo vai mesmo dar €100 milhões às empresas

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CONSUMO: “Dinamização da procura interna” foi um dos objetivos assumidos pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques (no centro, entre o diretor de informação e diretor geral da SIC Notícias, Alcides Vieira, e o chairman do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão)

Rui Duarte Silva

A grande conferência da SIC Notícias e Caixa Geral de Depósitos encheu a Alfândega do Porto de personalidades e empresários para discutir os desafios que se avizinham

A retoma económica e as implicações do novo ciclo político que recentemente se iniciou estiveram no centro dos painéis que marcaram a conferencia “Portugal 2016: O Futuro do País e das Empresas”, organizada por SIC Notícias e CGD e parte integrante do projeto Inteligência Coletiva – plataforma de discussão empresarial do Expresso e da Caixa.

No palco do centro de Congressos da Alfândega do Porto — que substituiu em cima do hora o Dragão Caixa, depois do FC Porto ter proibido a presença de Rui Rio naquele espaço — o Ministro do Planeamento e das Infraestruras, Pedro Marques, foi um dos convidados em destaque no evento, fazendo questão de deixar “uma palavra de esperança para os empresários que constroem os caminhos de futuro para a economia portuguesa.”

O governante aproveitou a sua intervenção para garantir que o grande objetivo do novo ciclo político é iniciar “finalmente uma redução da dívida pública” e que é necessário “fazer um virar de página para reestabelecer a confiança”. Para tal, é importante “dinamizar a procura interna” através de “uma devolução de rendimentos às famílias que ajude a combater os efeitos do desemprego.”

No centro do discurso estiveram também os fundos comunitários do Programa 2020, com Pedro Marques a revelar que o que mais o “preocupa na implementação do Portugal 2020 é o atraso no sistema de incentivos às empresa.” A promessa assumida pelo primeiro-ministro no começo da legislatura — dar €100 milhões a empresas em 100 dias — não pode ser entendido como algo pequeno: “É passar para um ritmo a todo a vapor em comparação com a velocidade de cruzeiro que se verificava anteriormente.”

Incentivos: “Atrasos ridículos”
O tópico dos financiamentos esteve presente ao longo de toda a manhã e, tal como os outros grandes temas da política e da finança, esteve em discussão nas quatro edições especiais de programas que a SIC Notícias emitiu em direto.
Num “Opinião Pública “animado, a jornalista Carla Jorge de Carvalho foi acompanhada por vários convidados. Entre eles, o secretário de estado da Indústria, João Vasconcelos, que defendeu que hoje estamos “perante um novo paradigma que engloba a introdução de mais ciência e tecnologia no mundo empresarial.” Algo no qual o Portugal 2020 pode desempenhar um papel essencial. Para João Vasconcelos os financiamentos continuarem atrasados é “ridículo” e enquanto essa situação não se resolver “sente-se mal com isso.”
O CEO da F3M Information Systems, Pedro Tinoco Fraga, defendeu que não se pode estar “dependente do ciclo político”, algo a que é “totalmente indiferente.” Um sentimento partilhado por Eugénio Santos, CEO da Colunex, ao afirmar que “temos que nos alhear das quezílias do mundo político-partidário.”

O editor de economia da SIC Notícias, José Gomes Ferreira foi o anfitrião do “Negócios da Semana” especial onde teve a presença do CEO da Bial, António Portela, do presidente da Siemens, Carlos Melo Ribeiro e do administrador da Caixa Geral de Depósitos, José Cabral dos Santos. António Portela garantiu que a “saúde em Portugal tem conseguido desenvolver uma série de produtos e serviços novos, inovadores, que tem conseguido competir à escala mundial” enquanto Carlos Melo Ribeiro deixou a opinião que “o que falta neste país para aumentar o nível competitivo são ainda mais startups.” Já José Cabral dos Santos deixou uma questão: “A minha dúvida é se as ajudas que as empresas precisam passam por mais dívida.”

“Realismo otimista e otimismo realismo”
As histórias de empresas com sucesso, que partilham atributos como a “ousadia, o talento, a diferenciação ou a reinvenção”, nas palavras de Luís Ferreira Lopes, tiveram ainda espaço numa curta edição do “Sucesso.pt”.

O chairman do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, aproveitou também para se referir à proibição pelo Futebol Clube do Porto da entrada de Rui Rio no Dragão Caixa como convidado especial da Quadratura do Círculo sem esconder o que pensava: “Em boa hora realizamos aqui [Alfândega do Porto] a conferência. É uma demonstração que não aceitamos imposições de quem quer que seja sobre quem convidamos para os nossos projetos.” Confessou-se ainda entre “um realismo otimista e um otimismo realismo” no que toca ao futuro. No arranque, o CEO da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos destacou a importância de “ter as empresas a falarem em nome próprio e não serem outros a falar por elas.”