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Entrepreneur Of The Year

Entrepreneur Of The Year

Quem é o melhor empreendedor do ano?

Seis empreendedores portugueses já ganharam o Prémio EY, Entrepreneur Of The Year. Em 2009, venceu Carlos Moreira da Silva (BA Vidro). O ano passado, a dupla Miguel Leitmann e Bento Correia (Vision-Box) levou o prémio, que, outro duo, Carlos e Jorge Martins (Grupo Martifer), em 2007, assegurara. Dionísio Pestana (Grupo Pestana, nesta imagem), eleito há seis anos. Para a lista ficar completa, referência ainda para Belmiro de Azevedo (Sonae), o primeiro premiado no país, em 2006, e Manuel Alfredo de Mello (Nutrinveste), que ganhou o Empreendedor do Ano em 2014

João Lima

Prémio EY distingue o mais inovador, mais visionário e com maior capacidade de gestão

Rute Barbedo

Numa retrospetiva sobre as distinções da consultora EY no plano do empreendedorismo português encontra-se desde uma empresa especializada em embalagens de vidro a sistemas de controlo biométrico para aeroportos. Isto prova que o mérito de um empreendedor não está no sex appeal do produto e que o digital não é o único trampolim para o êxito.

Foram antes a capacidade de visão, de resposta e de gestão as qualidades que levaram Belmiro de Azevedo, da Sonae; os irmãos Carlos e Jorge Martins, da Martifer; Carlos Moreira da Silva, da BA Vidro; Dionísio Pestana, do Grupo Pestana; Manuel Alfredo de Mello, da Nutrinveste; e a dupla Bento Correia e Miguel Leitmann, da Vision-Box, a serem distinguidos em Portugal como os empreendedores do ano, de 2006 a 2016.
Mas Daniel Traça, diretor da Nova School of Business and Economics e membro do júri que em março elegerá o novo Empreendedor do Ano, vai mais longe na definição. “É preciso ter um produto ou uma ideia realmente inovador, que esteja à frente do seu tempo, para que se mantenha relevante durante um longo período”, ao mesmo tempo que é impreterível que esse produto ou serviço “chegue às pessoas”. No entanto, “o empreendedorismo não é só ter ideias. É ultrapassar a barreira das ideias, delinear uma visão partilhada e persegui-la com base em muita estratégia, alimentando-a constantemente com novas ideias para transformar a inovação em valores tangíveis”, referem os fundadores da Vision-Box, Miguel Leitmann e Bento Correia, os Empreendedores do Ano em 2016.

Seja qual for o espectro de ação — da chamada economia tradicional à digital, que ganha cada vez mais adeptos entre os empreendedores —, “detrás de uma boa ideia tem de haver uma visão de como a executar”, realça o presidente do júri e da direção do Instituto Português de Corporate Governance, António Gomes da Mota. Para isso, é necessário “identificar e, mais difícil, assegurar os recursos — das pessoas aos meios financeiros — necessários”, encontrando “um modelo de funcionamento do negócio que seja sustentável”.

E se quando se fala em empreendedorismo a mente salta para o conceito de startup, desengane-se. A inovação deve acontecer tanto no entusiasmo do arranque como no dia a dia dos atores económicos instalados. “Temos de pensar na disrupção que vai acontecer daqui a dois anos, renovar constantemente, ter novas ideias, saber ouvir o mercado. Esse é o grande desafio do mundo de hoje. Se não fizermos isso, seremos ‘disrompidos’ por fora”, alerta Daniel Traça, lembrando o que aconteceu na esfera do transporte individual de passageiros com a chegada da Uber ao mercado. No entanto, “uma organização inovadora não é uma organização fácil; nela, o CEO não pode ter o controlo de tudo”, afirma o antigo professor do Insead.

Frederico Martins

Da teoria à prática
Escrito parece simples, mas para quem conhece as lides empresariais como Manuel Alfredo de Mello, presidente da Nutrinveste, “continua a ser muito difícil ter, gerir e desenvolver empresas em Portugal”. Não é apenas a carga burocrática que pesa, mas também a “hostilidade ao que é privado”, analisa o gestor que foi premiado pela EY há três anos.

Para executar a tarefa diária de manter e fazer crescer uma empresa, “o nível de motivação tem de ser brutal e é preciso ter as pessoas certas”, garante Carlos Moreira da Silva, presidente da BA Vidro e Empreendedor do Ano de 2009. No carburar da máquina é proibido esquecer a “obsessão pela excelência”, a senda da produtividade, a agilidade e a rapidez nos processos de decisão.

Mas hoje é mais fácil ou mais complicado vingar como empreendedor? “A taxa de mortalidade de iniciativas empresariais é elevadíssima”, aponta Inês Caldeira, diretora-geral da L’Oréal e também membro do júri do prémio Empreendedor do Ano. A empresária salienta, porém, que “Portugal, ao contrário de outros países, soube aproveitar a crise para gerar uma nova vaga de empreendedorismo”. O que falta ao país não são pessoas com talento, audácia, curiosidade e coragem, mas antes “condições estruturais”. “Podemos ter um espírito empreendedor, mas se não tivermos dinheiro empreendedor, não temos nada”, diz Inês Caldeira, considerando que a este plano são chamadas as intervenções do Governo, de investidores estrangeiros mas também de um sistema universitário que dote os futuros empresários e gestores das “ferramentas analíticas” certas.

Se a globalização veio abrir “as portas ao acesso a capital internacional, que deixou de ser uma miragem ou uma utopia”, como assinala António Gomes da Mota, também é mais difícil competir numa economia sem fronteiras. “O escrutínio e a exigência aumentaram, obrigando a melhores ideias, mais bem estruturadas e eficazmente comunicadas”, assume o presidente do júri.

Portugal tem, ainda assim, uma vantagem: ser reconhecido como “um sítio fantástico para inovar”, na visão de Daniel Traça. A partir daí é necessário “fixar talento, trabalhar com investigadores, perceber o que se passa em sítios de vanguarda como Israel, os Estados Unidos ou a China, e estar apto para enfrentar uma instabilidade que é necessária para a mudança, mesmo que isso custe muito”, sistematiza o professor.

Mário João

O grande prémio do Mónaco
Não é de Fórmula 1 que se trata, mas partir da pole position na gala final do prémio EY Entrepreneur of the Year, que se realiza anualmente em Monte Carlo, no Mónaco, seria ouro sobre azul para Portugal. Em junho, empreendedores de mais de 50 países disputarão esse título perante um júri internacional independente, colocando o vencedor português ao lado de figuras como Octave Klaba, fundador da francesa OVH, líder da computação em nuvem que ameaça competir diretamente com os mercados norte-americano e chinês; ou o australiano Christian Beck, que viu as receitas da sua Australian Technology Innovators subirem de 156 milhões para 231 milhões de dólares australianos (perto de €150 milhões) entre 2015 e 2016.

Numa viagem de 30 anos pelo histórico de vencedores do prémio da EY, encontram-se empresários que decidiram apostar na produção de lentilhas (como Murad Al-Katib, o vencedor deste ano), homens que levantaram o circo do chão (falamos de Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil) ou o homem mais rico do mundo (Jeff Bezos, da Amazon, que este ano ultrapassou Bill Gates no pódio dos dólares). Contrastam percursos que tiveram início em berços de ouro, filhos de imigrantes que reinventaram um modelo de produção agrícola numa garagem ou empreendedores que tiveram a audácia de querer mudar o mundo a partir de uma ideia tão simples quanto a roda. Mas a grande maioria tem um traço em comum: foram alunos acima da média e souberam antecipar-se a tudo e a todos. E aí é preciso dar razão a Daniel Traça, membro do júri português: “No mundo empresarial, é melhor correr o risco de ser incompreendido do que de ser obsoleto. Do primeiro, consegue-se sempre recuperar.”

Rui Duarte Silva

Distinção com mais de 30 anos

O português premiado em 2017 é conhecido em março, em Lisboa, e representará o país na gala internacional em Monte Carlo, Mónaco

O prémio EY Entrepreneur of the Year foi criado nos Estados Unidos, em 1986, com o fim de reconhecer o perfil e o trabalho de empreendedores que se distinguissem pela capacidade de inovação, resiliência, visão, sucesso e impacto social. Chegou depressa aos cinco continentes, reunindo hoje os representantes de mais de 50 países na gala do Mónaco, em Monte Carlo, onde é eleito o Empreendedor do Ano a nível global, como já aconteceu com Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil, ou Jeff Bezos, o patrão da Amazon. Em Portugal, o programa realiza-se desde 2006 e distinguiu o desempenho de figuras como Belmiro de Azevedo, da Sonae, ou, mais recentemente, dos criadores da Vision-Box, Bento Correia e Miguel Leitmann. O próximo Empreendedor do Ano português será conhecido em março, durante a cerimónia de atribuição do prémio, em Lisboa, onde serão igualmente reconhecidos os méritos de empresários que se tenham destacado nas vertentes Internacional e Inovação. O vencedor representará Portugal na gala de Monte Carlo, no Mónaco, em junho.

Saiba mais 
no Expresso Online

Quem serão os elementos do júri que vai eleger o próximo Empreendedor do Ano? Por que razão a Vision-Box foi a grande premiada em 2016? O que mudou na vida das empresas que foram reconhecidas com o prémio de uma das consultoras mais influentes do mundo? Na página online do Expresso, poderá encontrar as respostas a estas e outras questões e conhecer, ainda, a história milionária de Murad Al-Katib, Empreendedor do Ano de 2017 a nível mundial; o perfil do adversário francês que vai partilhar o palco com Portugal na gala final de Monte Carlo; ou os detalhes para se candidatar ao Prémio EY Empreendedor do Ano. Candidate-se e acompanhe as notícias neste site.

Textos originalmente publicados no Expresso de 18 de novembro de 2017