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Entrepreneur Of The Year

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O que têm em comum Belmiro de Azevedo e Jeff Bezos?

Em 2006, o dono da Sonae era o português mais rico e o Empreendedor do Ano, segundo a representação portuguesa da EY. Jeff Bezos, premiado à escala mundial em 1997, é agora o mais rico do mundo

Rute Barbedo

Espírito empreendedor, bom desempenho financeiro, estratégia, uma ação com impacto global, capacidade de inovação e de influência e integridade pessoal são as variáveis que, todos os anos, pesam na decisão do painel de jurados sobre quem deverá ser o Empreendedor do Ano, um prémio atribuído desde 2006 em Portugal pela EY e há 31 nos Estados Unidos, onde foi lançado.

Mas o que marca, na verdade, a fibra de um empreendedor para que ele perdure? A resposta pode estar em histórias como a de Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, ou num olhar mais distante, para a escalada de Jeff Bezos, nos Estados Unidos.

O mais velho de oito filhos de um carpinteiro e agricultor e de uma costureira, nascido em Tuías (Marco de Canaveses), tinha 68 anos quando foi galardoado pela EY. Por detrás do prémio, esteve o arranque numa “pequena empresa em dificuldades económicas e financeiras, que fabricava laminados decorativos, onde Belmiro de Azevedo iria poder colocar em prática a teoria de Schumpeter – a destruição criativa”, como está descrito na sua biografia oficial. A empresa era a Sonae, que Belmiro de Azevedo passou a dirigir a partir de 1967.

"A minha primeira tarefa nesta empresa consistiu em destruir para voltar a construir”, porque o que existia em 1965 "não servia para a Sonae", explicou o empresário no discurso sobre os 50 anos de construção de um império à escala portuguesa. O essencial foi “uma gestão completamente profissional”, que passou por saber extrair o melhor dos sucessos mas também lidar com decisões falhadas como "a distribuição no Brasil, o processo Portucel, a OPA sobre a PT", situações " que deixaram cicatrizes" mas que foram aprendizagens.

Também Jeff Bezos, fundador da gigante Amazon.com, pode defender que o sucesso não é um fenómeno linear. Sobre o futuro do jornal que entretanto adquiriu, The Washington Post, ficou gravada a frase: “Vamos precisar de inventar, o que significa que teremos de experimentar.” Ou seja, as soluções não estão à vista desarmada.

Tal como Belmiro de Azevedo, Bezos subiu pela escada da inteligência. Pelo desempenho brilhante em ciências informáticas e engenharia elétrica na Universidade de Princeton foi de imediato para Wall Street e tornou-se, em 1990, o mais jovem vice-presidente sénior da D.E. Shaw. Quatro anos depois, no entanto, abandonou o conforto de um bom ordenado e decidiu criar a Amazon, mudando a forma como o mundo consome.

Em 2006, Belmiro de Azevedo foi considerado o homem mais rico de Portugal. Este ano, Bezos ultrapassou o fundador da Microsoft, Bill Gates, na escala mundial da fortuna, segundo noticiou o canal Bloomberg, em julho.