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Entrepreneur Of The Year

Entrepreneur Of The Year

O empreendedor do ano tem de ser alguém que “veio para ficar”

Em 2007, os irmãos Martins foram considerados os melhores empreendedores no plano nacional e “foi o grande ano da empresa”

Num espaço de meses, os fundadores da Martifer passaram de “empreendedores do ano” a gestores de uma crise que quase os “atirou ao tapete”

Rute Barbedo

Para Carlos Martins, cofundador da Martifer (juntamente com o irmão, Jorge Martins), receber um prémio atribuído por uma das Big Four, a EY, é “de grande prestígio, mas também de uma enorme responsabilidade”. O ano de 2007, em que os irmãos Martins foram considerados os melhores empreendedores no plano nacional, foi também marcado pela entrada da empresa da área da construção e energia na Bolsa portuguesa e por um crescimento assinalável, que chegou a alcançar uma faturação anual superior a €900 milhões. O negócio estava em alta, “foi o grande ano da empresa”. Mas parte do sonho que começou quando os dois irmãos tinham 23 e 26 anos “desmoronou-se” no ano seguinte, recorda Carlos Martins ao Expresso.

Desde aquele “ano em cheio”, o grupo desvalorizou 97%. Em 2016, a Martifer viu-se pela primeira vez num cenário de défice patrimonial e hoje conta sete anos de prejuízos. “Ninguém imaginou que viesse uma crise tão forte, que quase nos atirou ao tapete”, assume o empresário de Sever do Vouga. Mas também realça a capacidade de sobrevivência da Martifer, que agora reage positivamente às “melhorias da economia nacional”.

A estabilidade, a capacidade de diversificar o negócio e a visão de futuro são, por isso, caraterísticas que o gestor releva na atribuição de uma distinção como a da EY. “O prémio tem de se basear numa perspetiva de longo prazo, [atribuído] a uma pessoa que veio para ficar”, afirma. “Nós sabíamos da responsabilidade que tínhamos, para com o país e com os trabalhadores. E sabíamos que éramos um farol para muitas pessoas”, declara o empresário, acentuando que é também esse o lugar de um Empreendedor do Ano.

A par da Martifer, os sucessos da Sonae, da BA Glass, do Grupo Pestana, da Nutrinveste e da Vision-Box foram premiados pelo júri e destacados para representar o país nas consecutivas finais mundiais do Entrepreneur of The Year, no Mónaco. Este ano, os finalistas portugueses serão nomeados em fevereiro, sendo o vencedor conhecido no mês seguinte, durante a gala do programa, a decorrer em Lisboa. A final mundial será novamente em Monte Carlo, durante o mês de junho.