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Qualidade, entusiasmo e potencial. Ideias do Energia passam no teste

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A sala dos Geradores do Museu da Eletricidade encheu para o fecho do Energia de Portugal 2015. António Lucena de Faria, CEO da Fábrica de Startups, organizadora dos bootcamps, realçou os métodos aplicados no program de aceleração

Luis Barra

Empreendedorismo: no dia decisivo da 4.ª edição do Energia, 15 equipas apresentaram os projetos perante os investidores

Apesar de algumas destas ideias ainda estarem numa fase inicial, vejo aqui duas ou três que vão chegar muito longe”, vaticinou Clara Costa, do Fundo de Investimento e expansão de PME Revitalizar Sul, que possuiu um capital de €60 milhões, e um dos investidores que estiveram no Investment Pitch do Energia de Portugal, na semana passada, no Museu da Eletricidade, em Lisboa, onde 15 equipas finalistas do projeto do Expresso e da EDP — que acelera ideias de negócio com potencial — tiveram a derradeira oportunidade de mostrar os seus projetos perante uma plateia de investidores.

No final , a vitória sorriu à Mater Dynamics, que ganhou o prémio de €20 mil para a melhor equipa e à Thermosite que foi distinguida com o Prémio Energia da EDP que consiste num investimento até €50 mil para o melhor projeto no sector energético. Refira-se ainda que a Simplengine, a Triplin e a Near ganharam mais três meses de incubação nas instalações da Fábrica de Startups — organizadora dos bootcamps.

Numa edição que reforçou a ligação internacional ao Brasil (recorde-se, inclusive, que o ano passado foi uma equipa brasileira a ganhar — a Me Passa Aí!, plataforma de ensino à distância) cada uma das equipas, dez portuguesas e cinco brasileiras, dispunha de sete minutos para dar a conhecer os pontos fortes dos seus modelos empresariais. Nesse espaço, tiveram oportunidade de expor toda a evolução que as suas ideias originais conheceram ao longo de quatro semanas nas sessões de trabalho realizadas na sede da Fábrica de Startups, onde tiveram oportunidade de realizar inúmeros exercícios práticos para validar os seus conceitos e testar a força das hipóteses em que podem assentar o seu futuro. E, a julgar pelos olhares de aprovação, o potencial impressionou.

Motor da economia
Clara Costa foi um dos gestores que confessaram “interesse no que viu”. Acredita que “esta onda de empreendedorismo é fundamental para que as pessoas deixem de ter medo de fazer vingar as suas ideias” e apareçam mais projetos “não só em quantidade mas também em qualidade.” Não é de estranhar por isso que existam “melhores hipóteses de investimento.” José Lopes da Costa, professor universitário, economista e mentor do Energia de Portugal, concordou que atualmente se vê “mais qualidade, entusiasmo e potencial.” Ao longo destas edições, já viu equipas “a arranjarem clientes e a fazerem networking” que de outra forma “não conseguiriam” e acredita que é em ideias como estas, com capacidade “para vingar”, que se poderá encontrar “o motor da economia e da criação de emprego.”

Já Pedro Norton de Matos, membro da Fábrica de Startups e mentor do Greenfest, acredita que para os participantes há um “antes e depois” da competição: a dificuldade em selecionar o vencedor “é um sinal muito positivo. A qualidade e potencial de vários projetos dificultou o processo de escolha, mas os não vencedores levam também o prémio de terem fortalecido os seus modelos de negócio, quer na fase de incubação quer na fase de aceleração.” O veterano empreendedor acredita mesmo que “seguramente podemos educar para uma cidadania mais ativa e assim recuperar o nosso desígnio histórico de povo empreendedor.”

Uma nova cultura
Alteração de mentalidade que Miguel Stilwell reforçou ao dizer que “o mundo está a mudar e estas equipas são bons exemplos disso.” O vogal do Conselho de Administração Executivo da EDP﷯ reiterou o desejo de “fomentar uma cultura de novas empresas”. Definiu-se como “uma pessoa otimista” e, com base “nos modelos disruptivos” que viu, revelou estar “entusiasmado para o futuro.”

Em ligação direta do Brasil, o cônsul de Portugal em São Paulo, Paulo Lourenço, fez questão de dirigir também algumas palavras à plateia para mostrar satisfação pela ligação transatlântica do projeto. Recordou como o Energia de Portugal foi lançado “em junho deste ano em São Paulo” e deixou a garantia que as ligações entre os dois países “estão a viver um período sem precedentes.” Por isso, a próxima meta nas relações só pode passar pela “inovação e empreendedorismo”. O responsável diplomático estava acompanhado de João Brito Martins, diretor de desenvolvimento organizacional da EDP, que defendeu como o nosso país só tem a ganhar com a ligação a uma nação “em que três em cada dez pessoas têm ou estão a participar na criação de um negócio.” Hoje, frisou, “Portugal é uma referência”.

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 5 de dezembro de 2015