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“Aprendizagem foi brutal”. Os projetos funcionam mesmo

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Diana Fernandes, Ana Machado, Tiago Reis, Margarida Reis e Luís Fiolhais, da Mater Dynamics não esconderam a satisfação pela atribuição do grande prémio de €20 mil e fizeram questão de recordar os colegas Nuno Machado e Diogo Alves, que não estão na imagem (o último ausente nas provas mundiais olímpicas de trampolim)

Luis Barra

O que significou o Energia para os vencedores da 4ª edição do Energia de Portugal, as equipas da Mater Dynamics e Thermosite

Foram muitas horas de sono perdidas, momentos de tensão e alturas em que tudo parecia perdido. Mas no final do Investment Pitch, o balanço só se podia resumir a uma palavra: “Astronómico.” A descrição sucinta do CEO da Mater Dynamics, Tiago Reis, não deixa grande margem para dúvida sobre a alegria estampada nos membros da equipa quando foram anunciados como os vencedores do prémio principal de €20 mil euros, atribuído à melhor ideia da quarta edição do Energia de Portugal.

“Vim até aqui a dizer que tínhamos 15% de probabilidade de ganhar, para não estarmos a pensar só nisso, e acabamos por sair com a vitória”, contou o responsável. Com um projeto centrado no desenvolvimento de sensores para monitorizar a qualidade dos produtos alimentares com recurso ao QStamp — um nano sensor feito de material flexível que pode ser aplicado a qualquer superfície e que gera um sinal visual irreversível passível de ser consultado no smartphone — a equipa apostou em levar um protótipo para o dia decisivo com vista a provar que “o projeto funciona mesmo, não é só no papel.”

A ideia esteve em risco quando, no dia anterior, “o circuito queimou” mas a equipa meteu mãos à obra e, após muitas horas de trabalho construíram de raiz um “sistema artesanal”. Já diz o ditado popular que ‘a necessidade aguça o engenho’. O esforço compensou: “Ao fim de 15 minutos de estarmos aqui, já recebemos muitos contactos e marcamos reuniões para mostrar mais.” Tudo funcionou, “as pessoas gostaram”, e a ideia recebeu uma série de “sugestões e validações valiosas.”

Ao longo de um “período intenso e avassalador”, quatro bootcamps, inúmeras sessões de trabalho, entrevistas realizadas e hipóteses equacionadas, Tiago Reis acredita que o segredo para o sucesso foi “a grande dedicação ao longo deste mês” e a forma como a sua equipa foi capaz de “dividir bem as tarefas e trabalhar bem em conjunto.” As horas de stresse também foram muitas e o CEO revelou que uma das soluções para lidarem com a pressão foi a “realização de sessões de teambuilding” em que aproveitavam “para relaxar, rir e cimentar as relações.”

Quanto ao futuro, os objetivos passam por “reduzir o tamanho da caixa, otimizar o chip que sustenta o sistema e ter uma boa app”. Em 2016, a meta é chegar aos “20 clientes em Lisboa” no universo da restauração.

Os membros da Thermosite, Pedro Miranda Soares e Joana Falcão Carneiro (em baixo), ainda estavam incrédulos com o investimento da EDP que pode ir até aos €50 mil euros

Os membros da Thermosite, Pedro Miranda Soares e Joana Falcão Carneiro (em baixo), ainda estavam incrédulos com o investimento da EDP que pode ir até aos €50 mil euros

Luis Barra

“Um mini MBA”
A Thermosite foi a outra vencedora do certame com a conquista do Prémio Energia, que consiste num investimento que pode ir até aos €50 mil atribuído pela EDP ao melhor projeto no sector energético. A equipa chamou a atenção do júri com o conceito de uma plataforma digital pioneira que calcula a melhor solução de climatização para habitações, após ter obtido do cliente alguns dados muito simples da sua casa. Indica o custo da instalação e diz em quanto tempo o investimento é recuperado.

O diretor Pedro Miranda Soares admitiu “ainda não estar em si” com a conquista, mas confessou que “havia alguma esperança” porque tinham “trabalhado para isso.” Uma crença tão grande que o levou mesmo a “abandonar um trabalho de dez anos” e obrigou a uma gestão “complicada” entre o mundo profissional e a vida familiar “com três filhos.”

A trabalhar no Porto, as deslocações constantes a Lisboa durante o aceleramento na sede da Fábrica de Startups contribuíram para um período de “muito esforço” mas em que a “aprendizagem foi brutal.” Andaram “sempre numa mistura de grande cansaço e motivação” que leva o responsável a comparar o Faststart — o método de aceleramento que testa os projetos de negócio com grande enfoque na componente prática — a “um mini MBA.” Por isso, defende que “mesmo sem a vitória, teria valido a pena todo este caminho” até pelo “ambiente fantástico que se viveu entre colegas e equipa” e que esta etapa foi “mais um degrau no crescimento.”

A internacionalização é a agora o próximo passo na estratégia da Thermosite, que pretende lançar-se definitivamente neste rumo em julho de 2016 para, no prazo de um ano, o site já ter 90 mil visitas por mês. Sem esquecer uma promessa clara: “Vamo-nos dedicar a isto como se fosse um filho.”

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 5 de dezembro de 2015