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Todos em sentido. A tropa já começou

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No primeiro bootcamp 
as equipas tiveram de separar os diferentes elementos 
que compõem o seu modelo 
de negócio

Nuno Botelho

Arrancaram as sessões de trabalho. As 15 equipas iniciaram o seu caminho rumo ao Investment Pitch no final do mês

O relógio apontava para o meio da tarde na primeira sessão de trabalho do Energia de Portugal quando, no meio da azáfama de grupos a discutirem animadamente entre si, alguém entorna café numa de 15 folhas em que as equipas finalistas trabalhavam. Era o plano de negócio que vinha a ser moldado ao longo do dia e que agora precisava de ser substituído. Mais do que uma paragem rápida, é um bom ponto de partida para perceber o que se pediu aos participantes: separar num papel, só com recurso a algumas colunas, os principais componentes do projeto que levaram para a competição. E aprender a mudar o que é preciso para evoluir.

O n.º 11 da Rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa, foi palco do bootcamp que marcou o arranque da 4ª edição do Energia de Portugal. As 15 equipas portuguesas e as cinco brasileiras juntaram-se na sede da Fábrica de Startups — parceira do Expresso e da EDP na competição — para dar início a um intenso percurso de aceleramento que pode fazer a sua diferença pela ideia de negócio. É a ‘tropa’ do empreendedorismo e a exigência máxima ao longo da competição é a regra de ouro.

Nesta sessão, o grande objetivo girou à volta do desenho do modelo de negócio, identificar os potenciais clientes e perceber o que valem as ideias em competição enquanto proposta de valor. Os participantes foram recebidos pelo CEO da Fábrica de Startups, António Lucena de Faria, que começou por explicar o que esperava de cada um dos grupos. Na parede atrás de si, projetou alguns dados de uma pequena sondagem que havia sido realizada entre os finalistas para ilustrar alguns dos pontos que iam ser trabalhados: “65% de vocês admitiram algum desconhecimento perante as diversas componentes do modelo de negócio”, afirmou. “No final desta sessão, queremos que todo estejam ao nível do bom ou muito bom”, acrescentou.

Prática é rainha
A metodologia de aceleramento seguida no Energia de Portugal, o FastStart, tem como objetivo aferir a adesão do mercado ao projeto de uma forma rápida, com custos reduzidos e através da qual se consegue medir os resultados e incorporar o feedback dos clientes no negócio. A realização de exercícios práticos assume por isso uma importância primordial ao longo deste processo e não foi preciso esperar muito tempo para que as equipas tivessem que cumprir o primeiro: preencher a folha do modelo de negócio. Munidas de post-its, tiveram que preencher nove campos em 15 minutos: parcerias-chave, atividades-chave, oferta de valor, relacionamento, canais, segmentos de clientes, fontes de receita e estrutura de custos. São os componente-base que devem estruturar qualquer ideia para se perceber se esta representa uma solução para um problema que exista verdadeiramente. Porque sem um, não existe o outro. E sem nenhum, não há clientes. Alguns dos participantes apresentaram as suas conclusões perante o resto das equipas. Algo que voltaria a ser abordado durante a tarde, quando se voltou à folha do modelo de negócio para ver se os trabalhos realizados obrigavam a alguma alteração.

A formulação de hipóteses foi outro dos tópicos principais deste bootcamp. Às equipas foi pedido que definissem dez que pretendem testar perante potenciais clientes, para afinarem as métricas de tração de negócio. É uma das formas mais eficazes de perceber o que está bem e o que é necessário mudar no projeto no caminho para cimentar o modelo de negócio. Houve ainda espaço para uma apresentação de José Vasconcelos e Sousa, professor universitário e mentor da competição, sobre o mapa da empatia, uma ferramenta que permite compreender cada segmento de clientes de uma forma visual, estabelecendo hipóteses claras a respeito das necessidades, comportamentos e outros atributos das pessoas.

Um dia preenchido, que terminou com os participantes a trocarem impressões sobre as horas a que iam estar ali no dia seguinte. “Cedo”, ouviu-se em muitos grupos. Faltam três semanas mas a competição arrancou logo em quinta velocidade. Até ao ansiado Investment Pitch.

Dos Anjos ao museu

BRASILEIROS: são cinco as equipas que atravessaram o Atlântico para se juntarem ao Energia de Portugal na esperança de que o programa seja a rampa de lançamento das suas ideias de negócio. Instalados num prédio nos Anjos, recuperado pela Lisbon Breaks — que apoia o projeto —, os participantes preparam-se para partilhar experiências de empreendedorismo nestas quatro semanas em Portugal.

SESSÕES DE TRABALHO: ao longo das próximas três semanas, as 15 equipas realizarão exercícios práticos nos bootcamps para cumprirem todas as etapas do exigente método de aceleramento desenvolvido pela Fábrica de Startups, o FastStart. Desde a realização de entrevistas a longas sessões de trabalho, a concentração terá de estar no máximo para que a ideia de negócio ganhe bases sólidas.

INVESTMENT PITCH: 27 de novembro é o dia por que todas as equipas finalistas anseiam. Em pleno Museu da Eletricidade, perante o júri e uma plateia de potenciais investidores, caberá aos participantes expor o resultado de todo o trabalho realizado nos bootcamps, antes de serem conhecidos os vencedores do prémio final (€20 mil) e do prémio Energia da EDP (que pode ir até aos €50 mil de investimento).

Artigo originalmente publicado no Expresso de 7 de novembro de 2015