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Como estamos a dar gás aos finalistas

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Nuno Botelho

Já arrancaram os bootcamps do Energia de Portugal. O programa vai acelerar 15 ideias de negócio de equipas portuguesas e brasileiras

Bem-vindos à versão 4.0 do Energia de Portugal. Com novas ferramentas, um formato em constante evolução e o mesmo objetivo de estimular o espírito empresarial e a internacionalização, a competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP regressa já na próxima segunda-feira, 2 de novembro, para a quarta edição.

Após já ter acelerado 115 grupos nas três edições anteriores, 15 equipas foram criteriosamente escolhidas de entre centenas de candidaturas para completarem um percurso que as levará até ao tão almejado Investment Pitch que marca o final deste projeto. Aí, perante potenciais interessados em fazer parte das suas ideias de negócio, estará em disputa um prémio final de €20 mil euros para quem apresentar a melhor proposta de negócio e um investimento da EDP que pode chegar aos €50 mil euros para a equipa que tiver o melhor projeto na área da energia.

O reforço da ligação ao Brasil é um dos destaques nesta edição. Após a presença de equipas brasileiras e chinesas na competição do ano passado, este ano cinco equipas canarinhas vão juntar-se a dez portuguesas para quatro semanas de intenso trabalho no nº 11 da Rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa. É aí, na sede da Fábrica de Startups — parceira do Energia de Portugal e um dos maiores espaços da Europa dedicado a novas empresas —, que as equipas vão estar presentes para uma série de bootcamps, sessões de trabalho, onde será colocado em prática o método que funciona como a base deste programa de aceleramento: o FastStart.

Prática acima de tudo
A metodologia de desenvolvimento, teste e validação de modelos de negócio é um conceito baseado em princípios de Business Model Generation, Customer Development e Lean Startup, adotados por empresas de vanguarda em locais como Silicon Valley. Este modelo tem como intuito primordial testar a aceitação do produto por parte dos clientes sem que ele esteja ainda desenvolvido e, por isso, dá a possibilidade de aferir do sucesso do projeto antes de se investir tempo e dinheiro.
A grande vantagem deste método é permitir o desenvolvimento do modelo de negócio de forma faseada e estruturada, com muitos exemplos práticos. Percebe-se, assim, quem são os clientes, aprende-se como se geram receitas e como se faz o planeamento das finanças, aprende-se a formar uma boa equipa e a captar investimento. O grande resultado: o negócio vai ter menos risco, uma vez que é testado exaustivamente nos principais indicadores, desde o início.

Este caminho permite que os empreendedores se foquem principalmente no desenvolvimento do perfil dos clientes antes de partirem para o produto em particular. A organização fornece todos os conteúdos, exemplos, ferramentas e recursos necessários para a equipa percorrer o percurso de uma forma sistematizada, orientada e com o ritmo necessário para que se atinjam resultados reais no fim do programa.

Durante este período, os finalistas terão de trabalhar na definição, validação e adaptação da respetiva ideia de negócio não só durante as sessões mas também nos dias fora da “base”, para sistematizarem todos os conceitos aprendidos. Há sempre trabalhos para fazer e exercícios para completar. E a dedicação e cuidado com que se cumprem estas tarefas irá pesar sobremaneira na hora de escolher os vencedores, como resultado de sistema de pontuação, que avalia as equipas em diferentes parâmetros ao longo deste tempo.

Mentorship
Cada bootcamp está dividido em três partes. Na primeira, as equipas vão assistir à realização de apresentações pelos responsáveis e seus convidados sobre os trabalhos a realizar e proceder à realização prática das diversas etapas de estruturação da ideia de negócio incluídas no método FastStart. Já a segunda parte, que assume o nome de “Lessons Learned”, ou lições aprendidas, tem como base a exposição dos trabalhos de validação e adaptação do modelo de negócios que os membros das equipas realizaram durante a semana anterior com base nos ensinamentos que vão sendo adquiridos.

A terceira, e última parte, consiste numa sessão de contacto e troca de impressões com mentores reconhecidos pela sua valia e experiência no campo do empreendedorismo. Ligadas a todas as áreas essenciais para o projeto, desde o investimento de risco às questões legais, por exemplo, cada equipa de trabalho será acompanhada por um mentor, com quem irão reunir constantemente durante o período dos bootcamps para beneficiar dos seus conselhos e contactos, que podem ser essenciais para o aceleramento do modelo de negócio. O objetivo é acelerar o processo de desenvolvimento do modelo de negócio das equipas para que estas fiquem com as bases de uma estrutura sólida. Resultado que se deve refletir na apresentação final, com ênfase no que foi aprendido no decorrer das atividades de validação do modelo de negócio.Para acompanhar nas próximas quatro semanas.

As principais datas

2 de novembro
É o dia das boas-vindas aos membros das 15 equipas. Ficam a conhecer o método FastStart que as vai guiar ao longo do programa de aceleração

3 de novembro
As equipas apresentam as ideias e aprendem a expor um modelo de negócio, identificar os clientes e a perceber a proposta de valor

9 de novembro
A ideia de negócio já começa a ganhar forma com a apresentação de um primeiro protótipo de estrutura. As relações com os potenciais clientes e a validação do produto junto do mercado vão estar também em foco neste dia

17 de novembro
Como validar fontes de receitas? Será uma das perguntas a que as equipas terão de dar resposta nesta fase. Haverá igualmente espaço para um protótipo melhorado. Recebem um orador convidado

23 de novembro
Quando já entramos na última semana da competição, a estrutura de custos será o foco, assim como a validação do modelo de negócio

24 de novembro
Espaço para a validação das métricas-chave e para a abordagem ao pitching, a apresentação da ideia que marcará o final do Energia

25 de novembro
Sessão para treinar intensamente o Investment Pitch. Afinar as apresentações, perceber o que está errado e o que ainda se pode melhorar antes do pitch final

27 de novembro
É o grande dia. Perante o júri e uma plateia de potenciais investidores, caberá às equipas mostrar o valor da sua proposta antes de serem anunciados os vencedores do prémio final (€20 mil) e do prémio Energia da EDP (que pode ir até aos €50 mil).

Um mercado interessante

"O grande objetivo da Fábrica de Startups é preparar estas 15 startups para se lançarem no mercado. Percorrendo os nove passos da metodologia FastSart, as equipas validarão as várias componentes dos seus modelos de negócio, aumentando assim as probabilidades de sucesso. Este trabalho é feito de uma maneira prática e objetiva, pretendendo-se que as equipas comuniquem o mais possível com os seus clientes para entender quais as suas necessidades. Só através de testes sucessivos podem confirmar que a solução oferecida responde às necessidades. Além do trabalho prático dos bootcamps, o apoio dos mentores é outra componente essencial do Energia de Portugal. Juntaram-se cerca de 50 profissionais de topo, com experiência em diversas indústrias e mercados, para dar apoio aos empreendedores e acompanhá-los durante o processo de validação. Portugal cada vez mais se afirma como um país que aposta no empreendedorismo. Este tem sido um ano em cheio para o ecossistema empreendedor português, e há cada vez mais startups internacionais a escolher o país para testar e fazer crescer o seu negócio. O Energia é uma excelente uma oportunidade para 15 equipas se concentrarem em validar o seu projeto, num programa que já tem quatro anos de experiência. Ter equipas brasileiras e portuguesas a trabalhar em conjunto ao longo de um mês gera um ambiente dinâmico que cria uma diversidade enriquecedora: a troca de experiências e conhecimentos é uma das grandes mais-valias para as startups. Este ano o Energia atraiu um grande número de candidaturas do outro lado do oceano, sinal de que Portugal é um mercado interessante para as startups brasileiras entrarem na Europa."

António Lucena de Faria, CEO da Fábrica de Startups

Artigos originalmente publicados no Expresso de 31 de outubro