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Conselhos do “Shark Tank” para quem entrar no Energia

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Tal como no Energia de Portugal os tubarões portugueses apostaram nas ideias com melhor estrutura, mais inovadoras e rentáveis

D.R.

Empreender: dicas de quatro participantes que se destacaram no programa transmitido pela SIC para os candidatos da 4ª edição do projeto do Expresso e da EDP

Entrar num lago de tubarões não é uma experiência fácil. Mas enfrentá-los pode trazer enormes dividendos. Falamos do “Shark Tank”, o programa adaptado pela SIC a partir do grande sucesso norte-americano. Funciona como um investment pitch televisionado: um grupo apresenta o seu conceito perante investidores que, mediante as respostas recebidas, se dispõem (ou não) a investir na empresa em troca de participação ou outras condições. Quem está a dar os primeiros passos no mundo dos negócios pode retirar lições valiosas.

Quando o prazo de inscrições no Energia de Portugal — projeto de incentivo ao empreendedorismo do Expresso e da EDP que desde 2012 ajudar a criar empresas de sucesso — se aproxima da data-limite (27 de setembro) para as candidaturas, alguns dos participantes no programa da SIC partilham as experiências.

É o caso de Helena Costa, que apresentou a Vitta, uma empresa que tem como conceito a comercialização de fumeiros elétricos portáteis e aparas de madeira. Convenceu Tim Vieira, dono da Special Edition Holding e um dos tubarões do programa. Investiu 50 mil euros na ideia, a troco de 10% dos royalties até reaver o investimento, passando depois a 5% vitalícios. O segredo é “procurar soluções para os problemas das pessoas e que sejam eficazes”. Após esta fase, é importante “estudar o mercado que interessa e investir em marketing digital, sem esquecer as redes sociais.” Um aviso de Helena: “Não confie demasiado no seu entusiasmo.”

“O número de conselhos a dar é infinito, mas um dos mais importantes é não ter medo de arriscar.” É assim que uma das criadoras da Marido Aluga-se faz questão de começar. A ideia de Susan Gonçalves de arrendar serviços de reparação ao domicílio valeu-lhe um investimento de Mário Ferreira, presidente-executivo da Douro Azul, no valor de 50 mil euros, por 50% da empresa. A empresária não tem dúvidas que uma das razões é o nome: “Tem de mexer com as pessoas, ser muito bem escolhido.” Outros aspetos essenciais são “criar um grupo de colaboradores com paixão e sustentar-se num plano de negócios realista, preparado para o pior cenário. Tudo o que vier a mais, é lucro.” Importa “dar espaço à tentativa e ao erro” pois “só assim se chega a bom porto.”

Para Hugo Janes, da Skog, é preciso ter em conta dois aspetos: “Nem toda a gente tem ADN para ser empreendedor e o sucesso de um dia para o outro não existe.” O mentor da empresa de óculos com armaduras de madeira — que recebeu dois investimentos de 45 mil euros de Tim Vieira e Susana Sequeira (fundadora da agência MSTF Partners) por 40% de participação — acredita que “é preciso muito mais força de vontade, sacrifício e menor aversão ao risco do que a maioria das pessoas tem.” Por entender que, mesmo que existam certas condições, a ideia pode “simplesmente não ser interessante para os consumidores”, não é sensato “esperar para ter o produto ou num estado de perfeição total: o bom é inimigo do ótimo”.

Uma ideia partilhada pela cofundadora da Origama, Francisca Falcão. “O início é sempre complicado e encontram-se muitas pessoas que não acreditam em nós. É necessário ultrapassar essa barreira e bater porta a porta para encontrarmos parceiros e perceber se temos futuro. Não se pode ficar à espera”, garante. Só assim se consegue ter “algo bem estruturado e fundamentado.” A responsável acredita que na startup de venda de toalhas de praia com apoio de costas sempre se “acreditou muito” o que ajudou a passar essa crença “para os clientes”. Não admira que tenham um investimento total de 120 mil euros por 30% da empresa de Tim Vieira, Susana Sequeira e Mário Ferreira.

Todos concordam que o panorama do empreendedorismo em Portugal é risonho e que “deixou de ser uma coisa longínqua para ser algo que cativa cada vez mais pessoas”, como diz Hugo Janes. Em parte, foi “fruto da necessidade que aguça o engenho”, acrescenta Helena Costa, enquanto Francisca Falcão considera que “as melhores condições permitem perceber quem está preparado ou não”. Susana Gonçalves vaticina: “Iremos ter mais empreendedores com sucesso. Não fossemos nós um povo de aventuras, descobertas e conquistas.”

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 12 de setembro de 2015

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