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Porque as aceleradoras são essenciais

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Os bootcamps do Energia de Portugal são a fase mais visível do programa de aceleramento 
do Expresso e EDP

Marcos Borga

Colocar uma empresa num programa de aceleramento pode fazer toda a diferença no futuro. Do ecossistema ao investimento, passando pela experiência, há muito para aprender e beneficiar

Acelerar, acelerar, acelerar! Bem pode ser o lema para quem começa agora a dar forma às suas ideias de negócio. Os programas de aceleramento são cada vez mais um pilar fundamental do ecossistema empreendedor e, em poucos países, esse crescimento se manifesta de forma tão acentuada como em Portugal. De acordo com os dados mais recentes do European Accelerator Report 2014 — apresentado pela Fundacity, uma empresa que aposta na ligação entre startups e investidores a nível global — Portugal foi o terceiro país europeu mais profícuo a acelerar startups, com 123 empresas a passarem por este tipo de programas.

Prestes a entrar na 4ª edição o Energia de Portugal faz parte deste movimento. O método Fast Start, adaptado à realidade portuguesa pela Fábrica de Startups, é a base deste projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP.

“Os principais motivos que levam empreendedores a procurar um acelerador são a procura de investimento, o acesso a uma rede de contactos relevantes, a validação e exposição mediática, o acesso a conhecimento e ferramentas, a entrada numa cultura empreendedora e com experiência intensa de crescimento e, por último, o acesso a outros aceleradores, empresas ou mercados.” É deste modo que Pedro Rocha Vieira sumariza as grandes razões para quem concorre a programas de aceleramento. Algo que observa enquanto presidente da Beta-I, Associação para a Promoção do Empreendedorismo e Inovação e quarta aceleradora mais ativa da Europa (segundo o European Accelerator Report 2014). “Participar num programa de aceleração é uma experiência intensa e bastante enriquecedora”, garante.

Outro dado importante: são os programas a escolher os empreendedores participantes e não o contrário. Pedro aconselha que se tente perceber se “existe capacidade de execução” para avançar com a ideia. Se houver, os benefícios podem ser grandes. De acordo com dados da Global Accelerators Network, startups que participem em programas de aceleração (com o modelo de investimento em troca de participação) obtêm investimento a seguir ao programa em 50% dos casos.

Mais hipóteses
Um conjunto diverso de vantagens que não deixam margem de dúvidas para Marco Fernandes. O CEO da Portugal Ventures, uma das principais organizações portuguesas de capital de risco, acredita que estas startups vão ter mais “hipóteses de encontrar investidores, pois os passos iniciais de procura e teste de clientes e de modelo de negócio estão muito avançados”. Os benefícios do “excelente trabalho” dos aceleradores portugueses tem sido notório: “Não há formulas 100% certas, mas está provado que muitas das startups de maior crescimento passaram por este tipo de programas. Em alguns deles já é mais difícil entrar do que em alguns MBA de topo”, atira.

Para João Pierre Viana, professor e empreendedor com 15 anos de experiência em Portugal e no estrangeiro “é sempre vantajoso participar. Mesmo que não se esteja pronto, percebe-se logo que a ideia não dá para ser negócio. Poupa-se tempo e dinheiro para todos”, defende. Tal acontece quando, por exemplo, os empreendedores “têm uma excelente solução para um problema que não existe. Aparecem sem algo devidamente validado e testado”, explica. Assim se justifica que muitos programas destes procurem empresas numa fase mais embrionária: “Vão evitar certos erros óbvios que outros cometem”.

Do ponto de vista legal, a participação num programa de aceleramento também pode ser fulcral. Luís Roquette Geraldes, que presta aconselhamento jurídico na área da inovação e do empreendedorismo a partir da Morais, Leitão, Galvão, Teles, Soares da Silva & Associados explica que as empresas devem perceber “como proteger o que normalmente é o seu único e maior ativo, ou seja, a propriedade intelectual”. Por isso, assim como outros advogados, é parte integrante deste processo para “dar formações sobre contratos para os participantes perceberem um pouco melhor as implicações das cláusulas a que se vão vincular e ajudar a validar o modelo de negócios do ponto de vista legal.”

Fatores com que Manuel Albuquerque se identifica. O CEO da Primetag, uma das empresas que participaram no Energia de Portugal do ano passado, acredita por experiência própria que a aceleração “abre a visão para coisas com que não se contavam, ajuda a entender o que está mal e mostra portas que outrora seriam difíceis de abrir.” Sem esquecer o “espírito, vontade, gana, e uma dose de boa disposição” que são importantes para haver mais hipóteses de sucesso.
Acelerar já não é uma hipótese. É o caminho.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 5 de setembro de 2015