Siga-nos

Perfil

Expresso

Energia de Portugal 2015

Guia para internacionalizar a sua empresa

  • 333

Getty Images

As startups olham cada vez mais para a internacionalização como uma meta a atingir o quanto antes. Saiba quais são as grandes vantagens mas também os principais riscos deste processo

Internacionalização. É um tema que pode fazer a diferença para as ideias de negócio que vão fazer parte do Energia de Portugal, iniciativa de apoio ao empreendedorismo organizada pelo Expresso e pela EDP. “Hoje em dia são poucas as empresas que não são criadas a pensar num mercado global. Como muitos destes conceitos são de nicho, é importante ter acesso a mais mercados”, explica Hugo Gonçalves Pereira, da Shilling Capital, uma das principais sociedades de Business Angels em Portugal.

Mas a dimensão do mercado não é a única motivação, como resume Juliana Teixeira, consultora senior na Market Access (empresa especializada no apoio à internacionalização): “Há que destacar a procura de novos mercados para minimizar o risco; a proximidade geográfica, linguística e cultural, as oportunidades criadas por alterações legislativas ou acordos bilaterais de comércio; o aproveitamento de economias de escala e o acompanhamento de deslocalização de clientes”.

André Ribeirinho não tem dúvidas sobre o papel que esta tendência tem que desempenhar: “A internacionalização deve ser pensada de raiz em mais de 90% dos casos.” Responsável pela criação da Adegga em 2006 — plataforma ligada à indústria vinícola —, o empreendedor rapidamente chegou à conclusão que precisava de levar o conceito para outros países, devido à “dimensão limitada do mercado português.” Uma aposta que aumentou o tráfego no site de 5 mil para 50 mil visitantes diários.

“Tem que se levar a expansão internacional muito a sério e não como um part-time. Se não, corre-se o risco de destruir mais do que construir”, acredita Miguel Pina Martins, da Science4You. O fundador da empresa que comercializa brinquedos científicos encontra-se hoje presente em dez países, tarefa que exigiu muita “preparação e estudo” até porque “jogar fora é sempre mais difícil.” Uma visão partilhada pelo presidente do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), Miguel Cruz: “Uma empresa deve estar preparada para internacionalizar, em primeiro lugar, ao nível da sua capacitação interna. Em segundo lugar, ao nível do conhecimento do mercado, da concorrência, dos principais fatores da envolvente e dos clientes. Adicionalmente, o contacto com empresas e outras entidades que já estejam nos mercados ou que possam facilitar a entrada no mercado e a participação na cadeia de valor é importante. O valor do estabelecimento de redes colaborativas deve ser destacado.”

À adaptabilidade ao mercado local e a bases financeiras sólidas, Juliana Teixeira junta outros fatores: “Desenvolver competências linguísticas e interculturais, dominar a logística internacional, fazer face a aumentos de procura e entregar dentro dos prazos e enfrentar riscos cambiais.” No início pode ser também importante recorrer a organismos de apoio a empresas portuguesas para fazer uso das suas redes de contacto. Noutra fase, pode-se pensar em incluir alguém com experiência global, tal como a Science4You quando contratou o antigo CEO da Hasbro Europe, John Harper, como presidente não executivo.

De onde vem o investimento?
Hugo Gonçalves Pereira garante que o que capta mais a atenção dos investidores são “conceitos inovadores que resolvam um problema” e o potencial de valorização, porque o “risco é grande.” Aconselha as empresas a arrancarem com uma visão global: qualquer investidor “está sempre preocupado com isso” e garante que uma “estratégia de financiamento já deve implicar uma estratégia de internacionalização”.

Os últimos anos viram também surgir mais apoios, pelo que é útil estar atento a ferramentas de financiamento, como a Linha de Crédito Investe QREN ou o Quadro de Referência Estratégico Nacional Portugal 2020. “O PME Crescimento 2015, lançado há pouco tempo, é também um bom exemplo, além da criação das linhas de crédito lançadas numa parceria entre IAPMEI, PME Investimentos, Garantia Mútua e a banca”, refere Miguel Cruz. O presidente revela: “Em 9 mil projetos que acompanhamos, se avaliarmos apenas aqueles com implicação ao nível de investimento em internacionalização, verificamos que o impacto destes projetos em termos de exportações, já depois de aplicadas as naturais taxas de quebra, rondou os €6,6 mil milhões de euros.” Valores que dão uma ideia do impacto possível desta tendência.

O que tem de levar consigo

Estudo
É essencial fazer um estudo de mercado cuidadoso para perceber as tendências de um dado país onde potencialmente se quer instalar

Especialista
Ter alguém na equipa que tenha contactos privilegiados em mercados externos pode fazer toda a diferença

Investimento
Não avance para a expansão internacional sem ter bases financeiras sustentáveis e apoios relevantes

Legalidade
Nunca esquecer as diferenças legais entre países. Um descuido pode fazer a diferença

Networking
Fazer ligações com pessoas locais e estabelecer pontes de contacto com câmaras de comércio ou associações de empresários

Apoio
Utilizar as ferramentas de ajuda de organismos institucionais ligados à internacionalização de empresas

Adaptabilidade
Perceber até que ponto a sua ideia pode ser facilmente introduzida num dado país

Compromisso
Avançar com dúvidas não vai resultar. Só deve fazê-lo se tiver a certeza absoluta de que é o momento e a altura certa

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 18 de julho de 2015