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Energia de Portugal 2015

A nova pátria do empreendedorismo?

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Painel: o moderador Ricardo Costa atento às palavras de Giacinto Cataldo na foto grande. O painel “Como as boas ideias podem cruzar continentes” contou ainda com as intervenções de Miguel Setas, Marina Camargo, Thomaz Zanotto e Karina Costa

Jorge Luiz Campos

A 4ª edição do Energia de Portugal foi este ano lançada no Brasil, no contexto do Experimenta Portugal. As candidaturas estão abertas desde sábado e este ano, além do prémio principal para o vencedor de €20 mil, ainda há um novo prémio, criado pela EDP, para o melhor projeto na área da energia e cujo investimento pode chegar aos €50 mil

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Quando se pensa em países que têm no seu ADN a palavra mais usada no discurso pós-crise - empreendedorismo, claro - ninguém se lembraria de colocar o Brasil no topo. Ásia seguramente, EUA sem dúvida, norte da Europa talvez. Mas Brasil? Sim, sem dúvida, é o que dizem os inquéritos e os números: 72% dos jovens brasileiros querem ter um negócio por conta própria, 34% das pessoas entre os 18 e os 64 anos já estão mesmo ligadas a novos negócios e, já agora, primeiro ou segundo lugar no número de mulheres empreendedoras em todo o mundo.

Se ainda restassem dúvidas, é só recuar um ano e ver o que aconteceu na primeira vez que o Energia de Portugal - o projeto de aceleração de startups dinamizado pelo Expresso e pela EDP com a Fábrica de Startups - cruzou o Atlântico. Ganhou o Brasil. E não foi só isso, metade das empresas que concorreram ao Energia de Portugal foram mesmo brasileiras. E a que venceu, com o projeto "Me Passa Aí", uma ideia ligada à criação de uma base de resumos de aulas de universidades - o velho "me passa aí" (ou "arranjas-me os resumos?") - agora em vídeo e em digital.

Isso foi o ano passado. E este ano - quarto do Energia de Portugal, segundo aberto a candidaturas do Brasil - o projeto foi mesmo lançado em São Paulo. Foi este sábado, no Parque Ibirapuera, no contexto do Experimenta Portugal, um evento que levou à maior cidade do Brasil (e da América do Sul) um pouco do que melhor se faz em Portugal, da gastronomia à cultura e, claro, ao empreendedorismo.

A ideia de alargar o Energia de Portugal ao Brasil podia parecer estranha, ao início. O que quer uma startup que nasce num país com 200 milhões de habitantes (só no Estado de São Paulo estão 44...) de um país que fica do outro lado do Atlântico e só tem 10 milhões de potenciais consumidores? Mas a adesão do ano passado e a abertura manifestadas este ano mostram que as vantagens foram claramente percebidas por quem concorre.

E as vantagens são mesmo reais: entrada na União Europeia, bom mercado para testar produtos, tecnologia acessível, custos mais baixos, boas universidades, bom ecossistema empresarial e culturas muito parecidas.

As candidaturas estão abertas desde sábado e este ano, além do prémio principal para o vencedor de €20 mil, ainda há um novo prémio, criado pela EDP, para o melhor projeto na área da energia e cujo investimento pode chegar aos €50 mil. Os quinze finalistas terão que participar nos bootcamps em outubro e novembro, em Lisboa, coordenados pela Fábrica de Startups, onde vão passar por todas as fases da criação de um negócio e, no final, enfrentar investidores num pitch que tem sido muito participado e onde não faltam fundos para novas ideias.

Depois dos OstraLusa em 2012, da BetApp em 2013 e do Me Passa Aí! no ano passado, está aberta a corrida para as melhores ideias do Energia de Portugal 2015. Lançado em São Paulo, o projeto corre agora em simultâneo dos dois lados do oceano Atlântico. Em outubro os melhores encontram-se em Lisboa.

Como concorrer ao Energia
Basta preencher o formulário de candidatura e esperar que o seu projeto seja um dos selecionados. Os requisitos para se candidatar:

- A equipa ter o mínimo de dois elementos e o máximo de quatro.

- Não é permitida a participação individual e não podem concorrer marcas comerciais ou pessoas coletivas.

- Os elementos de cada equipa terem o mínimo de 18 anos e residir em Portugal ou Brasil

- A ideia de negócio deverá estar direcionada para as áreas da tecnologia, cidades, produtividade, energia, mobilidade, inovação, ambiente, comunidade e cleantech.

- As equipas selecionadas no Brasil terão de deslocar-se a Portugal para as sessões de bootcamp e investment pitch.

Pode consultar o regulamento AQUI

Artigo originalmente publicado no Expresso Diário de 22 de junho