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Expresso

Energia de Portugal 2014

Infogene quer salvar vidas

Dois investigadores da Universidade de Coimbra aventuraram-se na área de deteção precoce do cancro. Em seis anos, já colocaram dois produtos no mercado e começam a pensar na internacionalização.

Maria Martins (www.expresso.pt)

Hugo Prazeres e Rui Jorge Nobre, doutorados em Farmácia e Biomedicina e investigadores da Universidade de Coimbra, abalançaram-se numa área sensível, a deteção precoce do cancro, onde os investimentos em Investigação & Desenvolvimento exigem investimentos avultados. A sua missão é fazer a ponte entre o conhecimento científico e o cidadão comum, desenvolvendo produtos que permitem detetar cancros em estados iniciais, e que podem ser comprados a preços acessíveis.

Em seis anos, colocaram dois produtos no mercado e já estão a trabalhar num terceiro. "Em média, cada projeto de investigação conta com 3 a 4 anos de desenvolvimento", explica Rui Costa, diretor executivo da Infogene, empresa que elegeu como prioritários os cancros do colo do útero, colorectal e do pulmão, uma vez que são responsáveis por uma percentagem considerável de mortes causadas pelo cancro e para os quais os métodos tradicionais de rastreio apresentam baixas taxas de adesão.

O produto mais conhecido da startup de Coimbra é o "teste da mulher" - que permite a deteção precoce do cancro no colo do útero, através de um teste fácil de fazer em casa. Foi lançado em março deste ano, e os responsáveis da empresa esperam vender cerca de um milhar de unidades até dezembro - afinal, Portugal é o país da União Europeia onde este cancro regista maior taxa de incidência. Este é um método inovador, o primeiro do género a ser comercializado, e "garante à mulher um período de tranquilidade três vezes mais dilatado do que o teste convencional", garantiu o diretor executivo da Infogene, na altura do lançamento. Mas a empresa também já está a conquistar os laboratórios e os profissionais de saúde com o OncoAlert, que através de uma simples análise de sangue, permite detetar sinais de cancro colorectal - um tipo de cancro que nas últimas três décadas aumentou 80% em Portugal.

Sem margem para erros

O desenvolvimento destes produtos exigiu já investimentos em I&D superiores a 300 mil euros, que têm sido financiados por capitais próprios, mas também por incentivos do QREN e dos vários prémios que a Infogene já recebeu - BES Inovação 2007, Prémio BioEmpreendedor da APBio e Finalista do Prémio Jovem Empresário do Ano 2008, da ANJE. A empresa tem também tentado alavancar as despesas em I&D e garantir a sua sustentabilidade, com a realização em paralelo de outros serviços especializados de análises moleculares - aproveitando as máquinas sofisticadas que tem - e fazendo consultoria de I&D a terceiros.

A startup de Hugo Prazeres e Rui Nobre atua numa área onde a probabilidade de risco está sempre presente. "Costumamos dizer que as experiências nunca correm mal, apenas descobrimos uma nova maneira de as coisas não funcionarem", graceja Rui Costa, que mais tarde se juntou à equipa. Mas a verdade é que o assunto é sério, e já que é impossível fazer a prevenção do risco, a única forma de o diminuir é diversificar e dividir o risco por vários projetos. "Quanto mais organizada e metódica for a atividade, maior a chance de sucesso", explica o diretor executivo, recordando que "no meio empresarial não existe espaço para erros".

A olhar para o mundo

A startup de biotecnologia está incubada no Instituto Pedro Nunes, desde 2007, onde se mantém devido à proximidade e ligação à Universidade de Coimbra, "que é um polo de excelência na investigação a nível nacional", mas também pelo apoio que esta incubadora lhe tem dado nas diferentes fases da sua ainda curta existência, "desde o desenho do plano de negócios, até à consultoria técnica e procura de incentivos no mercado".

Concentrada agora na produção do protótipo do terceiro produto, o OncoSopro - um kit de sopro para deteção precoce do cancro do pulmão -, e na preparação dos seus estudos de validação, a equipa da Infogene começa a virar as atenções para fora do país. "A exportação é o objetivo de qualquer empresa, principalmente se atuar na área do diagnóstico precoce", assume Rui Costa. Por enquanto continuam cingidos ao mercado nacional, mas "ambicionamos internacionalizar num futuro próximo".