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Energia de Portugal

Acabaram os post-its. Ritmo acelera rumo à grande final

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Ao longo da competição, as equipas 
têm preenchido as hipóteses dos seus modelos de negócio com post-its

José Caria

Preparação: última semana do programa de empreendedorismo do Expresso e da EDP está à vista e as equipas trabalham como nunca para a apresentação frente aos investidores

Com ar tão angustiado, não vos quero causar traumas”, brincava José Vasconcelos e Sousa, um dos mentores, enquanto lançava mais um exercício prático às 15 equipas que se esforçavam na terceira sessão de trabalho do Energia de Portugal. Os participantes estão cada vez mais próximos da meta e já só falta mais um bootcamp antes do Investment Pitch que vai ajudar a decidir os vencedores da competição (ver caixa).

Neste dia de trabalho intenso, as fontes de receitas foram o mote que delineou todos os exercícios e discussões: quanto é que os clientes estão dispostos a pagar foi uma das questões a que as equipas procuraram responder.

“Tem sido um processo de descoberta”, garante José Vasconcelos e Sousa, condutor desta sessão: “Insistimos com eles para que falem com os clientes para perceberem se estão a resolver um problema que existe. Estamos a exigir muito, mas a resposta tem sido de grande evolução.” Um crescimento que todos se apressam a reconhecer.

“Está a ser positivo. Aprendemos todos os dias a afinar diversas partes do nosso modelo”, conta Paul Ferreira, da VentureBuff, uma das cinco equipas brasileiras presentes. Vieram do outro lado do Atlântico com a proposta de criação de uma plataforma global de empreendedorismo que oferece ferramentas de avaliação de desempenho. “Era o que precisávamos nesta altura. Já conseguimos mesmo juntar as equipas na nossa página para validar hipóteses.”

Comprovar os pilares em que assenta o modelo de negócio é o caminho para dar mais garantias de sucesso e um dos principais fundamentos do FastStart — o programa de aceleramento da Fábrica de Startups, organizadora dos bootcamps. “Percebemos que esse tem de ser o foco antes do arranque”, confessou Bruno Castello, da Tripplin, que está a participar com um projeto de criação de um agente de viagens digital. “Viemos com uma empresa e vamos sair com outra. O trabalho intenso diário com o método está a valer muito a pena. Sentimos isso.” Até a experiência de sair às 2 da manhã e perceber que tinham “deixado a chave lá dentro, sem hipótese de voltar” merece uma menção. “Faz parte. Porque o importante é aproveitar.”

Dificuldade de gestão
Catarina Cândido e Pedro Diogo, membros da Simplengine, também não têm mãos a medir. Querem introduzir no mercado a Hotbox, marmita alimentada por uma bateria com controlo remoto que permite acionar o aquecimento à distância. Em época de exames na Universidade, onde ainda estudam, torna-se complicado gerir tudo. Mas a experiência está a ser útil: “Ainda não tínhamos tido oportunidade de validar a proposta e reunir com pessoas como os mentores, dos quais temos tido bom feedback.” A competição está a ser uma oportunidade de “aprendizagem mais estruturada” e de “partilhar experiências com pessoas de diferentes áreas.” Sem esquecer que “ganhar seria bom.”

O dia final já está na cabeça de todos e Diogo Simão não o nega. A participar pela Pam, aplicação que facilita aos praticantes de surf locais para a prática do desporto, admite que “a avaliação dos clientes está a ser a parte mais complicada” mas que o Energia está a ser o “empurrão que o projeto precisava.” Neste período a equipa já lançou mesmo um site que “passado umas horas teve logo interesse de uma grande agência.” Para a semana final, o objetivo é claro: “limar arestas e pitch, pitch, pitch!”

INVESTMENT PITCH: O dia do financiamento

É já na próxima sexta-feira, 27 de novembro, que chega o dia mais ansiado pelas 15 equipas do Energia de Portugal. O Museu da Eletricidade, em Lisboa, vai receber as apresentações de sete minutos dos participantes na competição, perante uma plateia de investidores prontos a apostar nas ideias que considerarem ter mais potencial. Será também um passo decisivo para as duas equipas que, nesse dia, forem nomeadas pelo júri como as grandes vencedoras do prémio final (€20 mil euros) e do prémio EDP para a melhor ideia na área da energia (investimento que pode chegar aos €50 mil euros). Está na hora de afinar a história de uma vida.