Siga-nos

Perfil

Expresso

EDP Open Innovation

Os 3 D da energia: Digitalizar, Descentralizar, Descarbonizar

O especialista alemão em pitches, Christoph Sollich, foi um dos principais convidados do grande final da edição 
do Open do ano passado

Nuno Botelho

Empreendedorismo: Numa altura em que a inovação desempenha um papel cada vez mais importante no sector energético, o projeto do Expresso e da EDP dá o seu contributo

Energia, energia, para que te queremos? Para muita coisa, obviamente, e de preferência barata, eficiente e amiga do ambiente. E é rumo a esse horizonte que as mudanças verificadas apontam ou, pelo menos, tentam apontar. Cada vez mais as grandes companhias energéticas dão atenção à inovação como forma de atingir estes objetivos, com um acréscimo de sinergias com as startups, que têm sido parte importante deste processo. Porta que o EDP Open Innovation quer contribuir para manter aberta.

O projeto de empreendedorismo que desde 2012 junta a EDP ao Expresso está de regresso para a sétima edição e, mais uma vez, volta a apostar em projetos (mais concretamente dez) que vão de encontro à inovação no campo da energia e às grandes tendências do sector. São os “três D”, como lhes chama o administrador da EDP Inovação, Luís Manuel, que estão a moldar um futuro bem presente, a saber: “descarbonização, descentralização e digitalização”.

Por descarbonização entenda-se a utilização “crescente de fontes de energia renovável na geração elétrica, em combinação com maior eficiência energética do consumo”, processo que já se verifica há algumas décadas mas que tem ganhado cada vez mais força com o desenvolvimento das renováveis e consequente diminuição de custos na sua utilização. Energias como a hídrica ou a eólica já são muito generalizadas em Portugal, ao contrário da solar, por exemplo, que não chega aos 2% de produção.

Por isso, “perspetiva-se um crescimento”, garante o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), António Sá Costa. Sobretudo se o objetivo ambicioso de em 2040 ter 100% da energia gerada num ano de origem renovável for para cumprir. O que não é de todo descabido, porque se no final do século XX pouco mais de 30% do consumo era deste tipo de fonte, hoje já anda na ordem dos “54%/55%, valor que ganha ainda mais significado quando se percebe que “a utilização elétrica mais do que duplicou.”

Disrupção
A crescente facilidade em obter painéis solares para uso doméstico ou as baterias e carregadores de carros elétricos são alguns dos exemplos da descentralização, isto é, do processo de dar mais ferramentas ao consumidor no sentido de este tornar-se mais um elemento produtivo da cadeia. “É uma transição gradual”, diz António Sá Costa, que implica uma “alteração de hábitos e costumes” de uma população que está “bem mais desperta”. Com reflexos “na forma como as empresas do sector e os clientes se relacionam”, atira Luís Manuel.

Por outro lado, vivemos uma digitalização crescente, num processo a que a energia não é de todo alheia. “A emergência de tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, machine learning, entre outras, combinada com a disseminação de aparelhos a que todos acedemos e com que todos comunicamos, está a provocar uma disrupção”, diz o administrador, sobretudo na forma como as empresas lidam com os clientes e no modo como estes querem cada vez mais uma experiência que os coloque no centro da indústria, o que nem sempre aconteceu, quando vemos que “estamos a falar de uma área onde o planeamento central executado pelos Estados era a norma por todo o mundo há 20 ou 25 anos”.

Três D que funcionam como os pilares de um processo que os responsáveis não têm dúvidas que vai resultar em benefícios para a maioria das partes envolvidas. “Não é só um bocadinho melhor para todos, é muito melhor para todos”, acredita o presidente da APREN, que fala na “criação de emprego na economia” e numa contribuição para a “melhoria do ambiente” como bons sinais de futuro para “uma sociedade mais eficiente”.

Já Luís Manuel defende que “a esmagadora maioria destas tecnologias está a crescer porque são mais competitivas em custo ou porque proporcionam um serviço de maior qualidade”, com destaque para a mobilidade elétrica, em que a realidade de “uma cidade com três quartos de frota automóvel eletrificada e autónoma” pode encontrar-se mais próxima “do que todos pensamos”.

Sempre a evoluir
Inovações tecnológicas que já se fazem sentir, com casos que pode conhecer melhor na infografia da página ao lado e que o EDP Open Innovation quer continuar a atrair para o seu seio. “Não estaria no estágio de crescimento atual” sem o projeto, garante o CEO da Delfos, Guilherme Studart. A empresa brasileira, que desenvolveu um sistema que monitoriza, estabelece padrões de análise e antecipa problemas em tempo real nas turbinas eólicas, foi a vencedora em 2016, e o responsável fala de um ambiente onde se “evolui muito”. E que quer continuar a evoluir.

O responsável pela edição deste ano, organizada pela Beta-I, Gonçalo Negrão, fala de um programa cujo objetivo é que, em duas semanas, “as empresas tenham um pré-piloto” testado e validado, numa ligação “estreita” entre os responsáveis pelo projeto e as equipas. Será um período de trabalho intenso em que, mais do que ideias, “procuram-se soluções.” Para que mantenham sempre a energia.

€50 mil para 
os melhores

Já diz a clássica frase 
que o dinheiro faz 
o mundo andar à volta 
e se há campo que não 
foge à regra é o empreendedorismo, 
onde sem financiamento 
ou ajuda financeira é mais difícil alcançar o êxito. 
O cifrão na competição 
de empreendedorismo 
do Expresso e da EDP escreve-se com este número — €50 mil. É o valor do prémio 
para a equipa que o júri considerar ter o melhor 
projeto de negócio a partir 
de três categorias: participação na aceleração, resultados obtidos e tarefas cumpridas 
ao longo das duas semanas 
de bootcamp. Mais dinheiro para juntar aos €305 mil 
que o projeto já distribuiu 
ao longo de seis edições 
— que resultam da união entre 
o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação
— com a participação de 160 
equipas. Além da distinção monetária, as três melhores equipas ganham um bilhete para a Web Summit 2018, e as empresas que demonstrarem mais potencial serão convidadas a fazer parte 
do EDP Starter, o projeto 
de aceleração 
da companhia elétrica.

Datas mais importantes

Junho
Arrancam no final 
deste mês as candidaturas 
para o EDP Open Innovation 2018. Saiba aqui como 
se pode inscrever e quais 
os requisitos necessários 
para fazer parte do 
programa (ver infografia)

Setembro
Chega ao final a fase 
de candidaturas, a que 
se segue uma fase de entrevistas-vídeo para 
definir o grupo final, 
que pode ir até dez equipas

17-29 de outubro
Começa a fase de aceleração, em que os finalistas vão 
estar concentrados em 
Lisboa para duas semanas 
de trabalho intenso e desenvolvimento do seu 
projeto empresarial. 
A aceleração é conduzida 
pela Beta-i

30 de outubro
É o dia decisivo. Será 
no investment pitch 
que os participantes vão 
ter 10 minutos para mostrarem, ao júri e aos investidores, 
a maturação e o potencial 
dos projetos que desenvolveram, antes 
do anúncio oficial do 
grande vencedor e 
restantes premiados

6-8 de novembro
Habemus Web Summit. 
As três melhores equipas 
da competição terão oportunidade de estar presentes no certame internacional de empreendedorismo, 
que pelo terceiro ano consecutivo se instala 
em Lisboa

Textos originalmente publicados no Expresso de 16 de junho de 2018