Siga-nos

Perfil

Expresso

EDP Open Innovation

Na incubadora dão as condições. O resto é consigo

Inaugurado em 2014 na LxFactory, 
o Village Underground conta atualmente com 40 pessoas, 
que ocupam 10 contentores

D.R.

Quando se aproxima o início da fase a doer do EDP Open Innovation, com a chegada dos bootcamps, perceba porque é que o papel das incubadoras no estímulo das novas empresas é mais importante do que nunca

Criar uma empresa é muito mais do que ter uma ideia. Pode parecer repetitivo dizê-lo, mas é curioso como uma noção tão simples pode parecer tão complexa. Como é que um rasgo de inspiração não equivale a um negócio de sucesso? Porque não é 2+2, é preciso colocar tenacidade, vontade de trabalhar, espírito de equipa, ambição (e mais, vocês já sabem), juntá-los e moldá-los num produto que conquiste o ultracompetitivo universo empresarial. O simples aqui não tem lugar. E tão importantes como todos estes aspetos de personalidade são igualmente as infraestruturas e as ferramentas a que os empreendedores têm acesso, quando precisam de um local que os acolha. Por outras palavras, incubadoras.

Estes espaços podem fazer toda a diferença no estágio inicial e na fase de consolidação de uma startup, ao facilitarem o acesso a mentores e investidores. Os contactos entre empresas a conviver debaixo do mesmo tecto podem oferecer também uma panóplia de soluções e convívio enriquecedores para o espírito corporativo nascente. Sinergia entre projetos e aceleramento de ideias que estão na base do EDP Open Innovation — projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação —, cujos bootcamps da sexta edição, organizados pela Fábrica de Startups, arrancam a 9 de outubro (consulte a caixa ao lado para saber o que se vai passar na fase a doer da competição e os vários temas a ser tratados nas sessões de trabalho que juntam as 15 equipas finalistas) para determinar que grupo leva para casa os €50 mil do prémio final e que três garantem o ingresso na Web Summit em Lisboa.
Efeito multiplicador

A secretária de Estado da Indústria não tem dúvidas de que as “incubadoras assumem um papel central na estratégia para o empreendedorismo”, sobretudo quando é factual que “a taxa de sobrevivência das novas empresas fora das incubadoras é drasticamente inferior à de empresas que estão em ecossistemas de incubação”. Para Ana Lehmann, trata-se de um ecossistema que cria “um efeito multiplicador de formação e de know-how, com as incubadoras a funcionar como plataforma giratória dos vários atores em proximidade”, sejam eles “universidades, capitais de risco, business angels ou investigadores”, por exemplo.

Mais como cowork para indústrias criativas do que uma incubadora no sentido mais estrito da palavra, o Village Underground assume muitas das funções de acolhimento e apoio que dão vida a este ecossistema. Instalado nuns contentores coloridos ao lado do rio Tejo, chegou a Portugal pelas mãos de Mariana Duarte Silva, após ter nascido em Londres em 2006. “O contexto de Lisboa em 2009 era bastante diferente do que o que vivemos agora, por isso foi uma caminhada de cinco anos até o conseguir implementar”, conta.

Hoje é a responsável por um espaço diferente dos demais, onde “no mesmo dia pode acontecer uma reunião da equipa da Mercedes ao mesmo tempo que uma nova banda grava no estúdio de som” e onde coexistem 40 pessoas a ocupar 10 contentores. Para a fundadora, as incubadoras só não são exatamente “fulcrais porque os empreendedores é que decidem o sucesso ou não do projeto”, mas é óbvio que são essenciais para “direcionar para melhores práticas e avisar de possíveis erros”. Deixa por isso um aviso: ainda “falta sinergia.”

Projeto estratégico
Para tentar debelar essa pecha, o Governo lançou em 2016 — como parte da Startup Portugal — a Rede Nacional de Incubadoras, que neste momento conta com 135 filiais (mais 14 do que no ano passado) espalhadas por todo o país. Teresa Lehmann acredita que “a medida tem levado a um aumento da competitividade das próprias incubadoras que integram a rede”, ao mesmo tempo que dá corpo a um esforço de “facilitar o acesso à informação e promover a colaboração” destes espaços com as entidades públicas. Tudo para estimular “a partilha das melhores práticas” e facilitar o acesso a “medidas dos programas de empreendedorismo”. Sejam elas o Startup Voucher, o Vale Incubação ou o Programa Semente.

Membro dessa rede (assim como o Village Underground, apesar de este não ter recebido nenhum projeto aí enquadrado) é a In.Cubo, Incubadora de Iniciativas Empresariais Inovadoras, que desenvolve a sua atividade a partir de Arcos de Valdevez, no Alto Minho, desde 2007. Com 33 startups criadas e 78 eventos promocionais realizados nestes 10 anos, o coordenador-geral, Francisco Araújo, faz um balanço positivo da missão de ajudar as empresas “numa zona de baixa densidade”. Agora acredita ter ainda mais condições com este “projeto estratégico para o país” que vai dar “mais competitividade e qualidade” ao ecossistema e aproximar os espaços mais afastados do centro de decisão, onde a oferta ainda é pouca e as incubadoras são, por vezes, “a única opção para ter apoio no início do negócio”. Por outro lado, pode permitir uma melhor coordenação entre “municípios, universidades ou associações empresariais”, apesar de faltarem “outros incentivos”. Ainda assim, “o empreendedor só tem a ganhar”, garante.

O plano dos nove bootcamps

Saiba, passo a passo, o que se vai passar das sessões de trabalho intensas organizadas pela Fábrica de Startups e com recurso ao método desenvolvido pelos parceiros do EDP Open Innovation, o Fast Start.

Desenhar o modelo de negócio
Começa com uma ideia de negócio. Agora é preciso definir com mais detalhe a ideia, desenhar o modelo 
de negócio e identificar 
os pressupostos a testar 
nos passos seguintes.

Descobrir os clientes
Quem são os clientes para 
a ideia de negócio? As 15 equipas finalistas terão de descobrir 
as suas características principais, 
agrupá-los em segmentos 
e escolher os segmentos que melhor se adequam à ideia de negócio.

Criar valor
Qual é o problema importante 
dos nossos clientes que vamos resolver? Será que os clientes 
estão mesmo interessados na nossa solução? Os participantes terão 
de identificar os principais atributos do produto ou serviço que pretendem fornecer e verificar se existem 
clientes suficientes.

Criar relações
Como vamos fazer para que 
os nossos clientes conheçam 
o que temos para lhes vender? 
É preciso escolher os canais 
de comunicação e definir 
a melhor forma para lhes 
entregar o produto ou serviço.

Gerar receitas
Como vamos ganhar dinheiro 
com a nossa ideia de negócio? 
É necessário definir qual o preço 
e qual a melhor forma de os nossos clientes nos pagarem pelo produto 
ou serviço que nos querem comprar.

Fornecer valor
Como vamos criar o produto ou serviço que os nossos clientes nos querem comprar? Os finalistas terão de desenhar os processos de trabalho, identificar os recursos e escolher 
os parceiros para conseguir entregar o que prometeram aos seus clientes.

Planear finanças
Quanto custa colocar e manter 
o negócio a funcionar? É preciso 
saber quais os custos fixos e variáveis. 
Qual o financiamento de que necessitamos? Que term sheets podemos aceitar? É preciso garantir que o dinheiro que entra na empresa, através de financiamento e vendas, 
é superior ao que sai, associado 
aos pagamentos aos colaboradores, fornecedores e parceiros.

Planos de ação
O que vamos fazer assim que criarmos a empresa? Que tarefas 
é que temos de executar para dar 
a conhecer os nossos produtos ou serviços, para os vender aos clientes, para os produzir e para fazer crescer o negócio? Os participantes necessitam de um plano de ação que determine claramente quem faz o quê e quando.

Growth hacking
O que podemos fazer para acelerar 
o crescimento da nossa empresa? Como podemos aproveitar as técnicas de growth hacking para aumentar 
as receitas? As equipas terão 
de focar os seus esforços 
no crescimento das vendas.

Textos publicados originalmente no Expresso de 29 de setembro de 2017