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EDP Open Innovation

Mais de 350 projetos querem vir para Lisboa

Fernando Medina e António Costa não faltaram 
à inauguração do Hub Criativo do Beato, 
em Lisboa, um espaço 
de 35.000 m2 que pretende ser um dos maiores centros empreendedores da Europa

Tiago Miranda

Numa capital atrativa como nunca para startups e grandes empresas internacionais, as candidaturas para o programa do Expresso e da EDP refletem o interesse gerado

Lisboa está na moda. Já nem sequer se coloca em forma de questão, mas sim de afirmação. “Desde 2015, sobretudo, que as mudanças são brutais. Antes estava fora de questão investir cá”, atira Rui Coelho, o diretor executivo do organismo camarário responsável pela promoção económica da capital, o Invest Lisboa. Da Web Summit à inauguração do Hub Criativo do Beato, os sinais apontam todos para uma dinâmica empreendedora que dá que falar — se a oportunidade for bem aproveitada e os pontos mais débeis corrigidos.

A esta notoriedade não é alheio o crescimento das candidaturas ao EDP Open Innovation, o projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP que vai para a sua sexta edição. A partir de Portugal, Brasil e Espanha, 363 inscrições foram registadas para a competição centrada em Lisboa e que oferece um prémio de €50 mil ao primeiro classificado e um lugar na Web Summit aos três melhores (saiba mais sobre a competição na caixa ao lado). É a internacionalização que faz parte do ADN do programa de aceleração e que é cada vez mais marca do empreendedorismo de Lisboa para a atração de talento nacional e internacional.

“Lisboa e Portugal ganharam muito mais notoriedade internacional” nos últimos dois anos, explica Rui Coelho, como resultado de uma conjuntura mundial favorável e um crescimento acentuado do turismo. “Deixámos de ser o segredo mais bem guardado da Europa”, garante. Sem esquecer a aposta reforçada no empreendedorismo pós-crise e as alterações legislativas que tornaram o mercado mais apetecível e preparado para trazer empreendedores e investidores internacionais. Processo onde os “benefícios fiscais para os novos residentes e os vistos gold tiveram excelentes resultados” e gradualmente trouxeram mais pessoas.

Rigidez nos entraves
Para o responsável importa também realçar a criação da Startup Lisboa, em 2011 (com a Invest Lisboa na origem), como ponto de viragem pelo “impacto gigantesco que teve no mapa do empreendedorismo” através das redes de contacto que gerou e das práticas inovadoras que fomentou. Se a competição é feroz, claro que “há muito para fazer e melhorar em todos os campos. Nesta guerra pelo talento, os outros não estão parados à nossa espera. Temos de continuar a evoluir”. Lógica de consolidação onde se insere o Hub Criativo do Beato, um dos maiores centros empreendedores da Europa, com 35.000 m2, e que pretende ser peça-chave na atração internacional de Lisboa e Portugal.

O que falta então para dar o próximo passo? Miguel Carvalho — sócio do escritório de advogados Telles & Abreu e responsável pelo Startup@Telles, projeto ligado ao empreendedorismo — sustenta que (ainda) somos “um país com bastante burocracia e muitas limitações no mercado do trabalho. Tomada a decisão de investir, os passos seguintes são muitas vezes de alguma deceção e preocupação”, pois “é necessária muita determinação para dar início e concluir um processo de licenciamento, dados os entraves e morosidade dos processos”. O advogado faz também questão de destacar “a grande instabilidade legislativa que se verifica em Portugal, designadamente ao nível da legislação fiscal, o que configura um grande motivo de preocupação para qualquer investidor”, enquanto a “rigidez” das relações laborais coloca certos entraves.

Entre os prós e os contras, a tendência atual parece ir mais de encontro aos primeiros. Por dentro desse otimismo está o diretor de inovação da EDP Espanha, Luis Manuel Santos Moro, para quem é claro que as 37 candidaturas ao EDP Open Innovation em Espanha mostram como cada vez mais Lisboa e o mercado português são atrativos para os empreendedores espanhóis, “graças à incorporação no mercado de trabalho de jovens profissionais de ambos os países com mais formação e uma visão comercial mais cosmopolita”. Uma integração que parece acentuar-se.

Fator Web Summit
E percorrer o caminho global é o que temos feito. “Como provam os principais rankings de competitividade, Portugal é um destino muito competitivo para investir”, diz o presidente do AICEP, Luís Castro Henriques. “Por exemplo, de acordo com o ranking de competitividade Doing Business 2017, do Banco Mundial, Portugal ocupa a 25ª posição entre os países mais fáceis no que toca a fazer negócios e é o 12º mais competitivo da Europa dos 28.” O que ajuda a perceber como o investimento direto estrangeiro alcançou entre 2015 e 2016 os valores mais elevados dos últimos anos, enquanto diversificamos o nosso alcance a países como EUA, Japão e China. Na opinião de Luís Castro Henriques, “a questão dos custos não é um fator determinante na hora de investir”, com a “qualificação dos recursos humanos” a ser predominantemente a questão mais importante. Uma aposta de base no talento que trouxe resultados e permitiu um reposicionamento “nos sectores industriais” bem como dar resposta a novos desafios.

Frutos que já começam a ser evidentes em Lisboa, com a ajuda preciosa do evento que marca todo este crescimento, a Web Summit. Foi a partir daí, e como consequência da ambição e potencialidades exibidas por Lisboa na organização, que a Mercedes decidiu abrir (no Hub Criativo do Beato) o seu primeiro centro de competências digitais a nível mundial. Outro caso de sucesso prende-se com a instalação de uma representação da Pipedrive, empresa da Estónia especialista em software de gestão de relação de clientes e que iniciou os primeiros contactos a partir da Web Summit.

“Lisboa foi escolhida em detrimento de outras cidades europeias, o que só prova que Portugal se assume cada vez mais como uma referência no mundo digital e tecnológico”, garante Luís Castro Henriques. Embora possa haver dúvidas quanto ao verdadeiro impacto do evento, o presidente do AICEP acredita tratar-se de “uma ferramenta crucial para aumentar a notoriedade de Portugal” e alavancar a economia. Quando questionado sobre o impacto a curto e a longo prazo, em Lisboa, Rui Coelho admite que é “difícil quantificar” mas que os resultados já “multiplicaram por muito” o que foi gasto na organização. Agora “queremos mais”.

4 razões para...

escolher LISBOA

Acesso a talento. A posição central da capital e a presença de um contingente muito relevante dos reputados recursos humanos portugueses tornam Lisboa particularmente apetecível em comparação com outras capitais europeias. Sobretudo para startups de cariz mais tecnológico e que procuram uma força de trabalho jovem, altamente qualificada e, na maior parte dos casos, fluente em inglês

Web Summit. A presença do maior certame de empreendedorismo do mundo na MEO Arena por, pelo menos, mais dois anos coloca definitivamente Lisboa no mapa e é um grande fator na atração internacional da cidade para investidores e empreendedores

Rede de aceleradoras e infraestruturas. Locais como o Hub Criativo do Beato (na foto), por exemplo, e espaços de incubação de empresas ao nível dos melhores standards mundiais garantem condições ideais, ferramentas de trabalho e dinamização de contactos para a instalação de negócios

Qualidade de vida. Parece cliché dizer, mas é inegável que ainda se trata de um dos grandes cartazes de visita da cidade. O clima temperado e ameno, a proximidade de praias e serras, o custo de vida mais baixo (para alguns bolsos estrangeiros, entenda-se) são um chamariz para muitas pessoas que procuram não só um local de trabalho mas um sítio para assentar amarras

não escolher LISBOA

Burocracia. 
Não é um problema exclusivo 
de Lisboa, mas é algo que continua a afetar a instalação de empresas. Apesar de progressos registados com iniciativas como a Empresa na Hora, por exemplo, a carga burocrática 
e os trâmites legais continuam 
a ser suficientes para deixar potenciais interessados em transferir o seu negócio de pé atrás

Periferia. Em virtude das possibilidades oferecidas pelas ligações digitais, hoje em dia 
já não é uma questão tão importante como há uns anos. 
Só que há quem ainda olhe de lado para uma capital que geograficamente fica longe da maioria das suas congéneres e do centro nevrálgico 
da Europa

Dimensão. A pouca escala 
do mercado português não abona 
a favor da instalação de uma empresa em Lisboa e pode ser um fator 
a ter em conta na decisão de mudar uma startup ou não. 
O acesso a consumidores e a investidores nacionais pode fazer 
toda a diferença e, nesse campo, 
ainda há muito a fazer

Acesso ao talento. 
Não, não está a imaginar coisas, a repetição é propositada. Apesar da qualidade dos recursos humanos disponíveis, muitos ainda optam por uma carreira no estrangeiro e por salários mais apetecíveis, o que pode tornar a procura de profissionais qualificados maior do que a oferta e, se a situação não se corrigir, atrair menos empresas

As próximas etapas do Open Innovation

Saiba o que se segue no programa até à participação das três melhores equipas na Web Summit em Lisboa

Tudo a postos para a fase final do EDP Open Innovation. Após o término da fase de candidatura, seguem-se agora as etapas decisivas para determinar qual a equipa que vai levantar o cheque de €50 mil no Investment Pitch, que coroa o grande vencedor da competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP. Mas já lá vamos. Até porque agora é hora de perceber o que reservam para os participantes as próximas etapas e qual o plano de jogo até à meta final (a completar com as datas que encontra no final do texto).

Começamos pelo passo mais próximo: a escolha dos 15 finalistas que vão entrar na componente prática do programa. Através de apresentações presenciais ou por Skype, os candidatos de países que vão desde o Brasil a Singapura, passando pelos EUA e pelo Irão, por exemplo, terão que dar a conhecer ao júri as suas ideias de negócios e convencê-los de viva voz porque devem ser os selecionados para a fase final. Segue-se um período de deliberação, que terá também em conta o que já foi incluído no formulário de candidatura, para chegar à fornada definitiva.

Após a comunicação dos escolhidos, espaço para um mês de intervalo enquanto se preparam as deslocações e a estada naquela que será a base das equipas durante a fase a doer, Lisboa. É a altura dos bootcamps, nove para ser exato, sessões de trabalho intensas preparadas pela Fábrica de Startups (parceiros do EDP Open Innovation) onde as equipas irão ser constantemente colocadas à prova para desenvolverem a sua ideia de negócio e acrescentarem novas valências ao seu projeto para o tornar mais sólido e dar-lhe mais garantias de sucesso rumo à entrada no mercado.

É o método FastStart, um verdadeiro GPS para startups que fornece conteúdos, exercícios, exemplos, ferramentas e recursos necessários para as equipas fazerem o percurso de forma sistematizada, orientada e com o ritmo necessário para que se atinjam resultados reais no fim do programa. Com a ajuda de formadores e mentores com experiência e provas dadas, é a altura para dar os toques finais e mostrarem o que valem até à sessão final.

Perante o júri e os investidores presentes no Investment Pitch, as equipas terão que dar mostras do que evoluíram em dez minutos para captar as atenções e, quem sabe, garantir um lugar no pódio. O prémio? Além dos €50 mil para o grupo que tiver a melhor ideia de negócio, os três primeiros ganham um lugar na Web Summit 2017, plataforma para ver e lidar com alguns dos maiores nomes do empreendedorismo a nível mundial.

O que falta então? Dois meses de sangue, suor, lágrimas (sem a aplicação literal, claro) e uma oportunidade única para dar velocidade à próxima grande ideia energética e aproveitar as ferramentas do EDP Open Innovation.

Números do projeto

363
candidaturas foram recebidas para o EDP Open Innovation, mais 95 que no ano passado

24%
das candidaturas estão ligadas à eficiência elétrica, o sector energético que recebeu mais projetos

18
países dos quatro cantos do mundo estão representados nas ideias de negócio que poderão estar entre as 15 finalistas

255
mil euros já foram distribuídos no historial da competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP

As datas mais importantes

4-6 de setembro
Apresentações ao júri 
das equipas pré-selecionadas

7-8 de setembro
Comunicação dos 15 finalistas (cinco por cada país)

9-24 de outubro
Fase de bootcamps. 
Nove sessões de trabalho 
na sede da Fábrica de Startups, onde as equipas terão 
de dar asas à sua ideia

25 de outubro
Dia do investment pitch, 
onde os grupos terão dez minutos para apresentar 
o projeto perante o júri 
e uma plateia de investidores. Para a vitória conta também 
o trabalho desenvolvido 
ao longo das três semanas

6-9 de novembro
As três melhores equipas 
do Open Innovation 
ganham bilhete para 
a Web Summit, onde 
vão poder contactar 
com pessoas de todo 
o mundo no stand da EDP

Seis anos a acelerar

145 equipas, 255 mil euros 
em prémios e milhares 
de candidaturas. Os números 
não contam a história toda 
mas já permitem traçar um 
retrato do trabalho que o programa de empreendedorismo do Expresso 
e da EDP tem vindo a desempenhar nos últimos anos. Prestes 
a conhecer a sua sexta edição, 
o EDP Open Innovation — que resulta da união entre o Energia 
de Portugal e o Prémio EDP 
Inovação — assume-se como 
um dos projetos mais pioneiros 
de um sector que em 2012 ainda 
dava os primeiros passos no país. Trata-se de um programa intenso 
de aceleração de ideias que, 
ao longo de um mês, têm que 
passar por um regime de provas práticas e teóricas para ganharem bases sólidas na passagem para 
o mundo empresarial. Se nas 
duas primeiras edições o foco 
estava centrado em Portugal, 
os anos seguintes trouxeram 
um alargamento global, com 
a entrada em cena de equipas 
de Brasil, Espanha e China. Intercâmbio de conhecimentos 
que agora é uma das pedras basilares do programa que 
regressa com ambição renovada 
de incorporar as melhores 
ideias energéticas na economia. 
Para acompanhar no jornal Expresso, nas plataformas 
do grupo Impresa e no edpopeninnovation.edp.pt.

Textos originalmente publicados no Expresso Economia de 2 de setembro de 2017