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Expresso

EDP Open Innovation

Bem-vindo ao mundo da inovação aberta

O sistema de pagamento automático de portagens 
da Brisa é um bom exemplo 
de inovação aberta

Ana Baião

Fala-se cada vez mais da ligação entre universidades, empresas e startups. Perceba como já caminhamos para este novo conceito

Open innovation. Em português (e não é tradução à Lauro Dérmio de Herman José), inovação aberta. Decerto que já ouviu qualquer uma das palavras em separado e até juntas. Mas o que querem dizer exatamente? Muita coisa, se as políticas púbicas e privadas apostarem nelas. “Let’s look at the trailer.”

Comecemos então pelas origens. “O conceito de inovação aberta surgiu com o professor norte-americano Henry Chesbrough em 2003”, explica o economista e especialista em políticas de inovação António Bob Santos. De acordo com este princípio, “as empresas devem procurar ideias e tecnologias externas e integrá-las no seu processo de inovação, mas também olhar para o mercado como uma oportunidade para valorizar as ideias e tecnologias geradas internamente”. O trabalho de Henry Chesbrough é a base a partir da qual este campo se foi expandindo. Por isso, a escolha do nome EDP Open Innovation para o projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP. A competição — que resulta da união entre a Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação — parte este ano para a sua sexta edição e promove novas ideias de negócio que podem ser integradas no mercado para trabalhar proximamente com os principais nomes do sector.

Muitos estão representados na Associação Empresarial para a Inovação (COTEC). Como explica o seu diretor-geral, Jorge Portugal, “nenhuma empresa, isoladamente, tem os recursos suficientes para identificar oportunidades e responder com soluções validadas pelo mercado”, pelo que “as redes de inovação aberta são para as empresas, especialmente para as PME com menores recursos, um desafio mas igualmente uma fonte de competitividade e uma condição de sobrevivência”. Na sua associação explora-se “o potencial da inovação tecnológica colaborativa, sustentada pelo investimento e pela capacitação das pessoas e das organizações”.

Antes, os departamentos de investigação e inovação encontravam-se fechados sobre si mesmos, mas Jorge Portugal considera que já existem “projetos muito interessantes de colaboração entre o sistema científico e tecnológico e o tecido empresarial”. Mas ainda há “muitas barreiras a ultrapassar”, como “a cultura individualista, o medo de partilhar e o nível baixo de competências na constituição de consórcios e alianças”. Basta ver que, de acordo com os dados mais recentes, em Portugal apenas uma em cada cinco empresas se encontra envolvida em qualquer tipo de colaboração, enquanto na Europa este rácio é de cerca de uma para cada três.

A contribuir para esse crescimento está a Agência Nacional de Inovação (ANI), presidida por José Carlos Caldeira, para quem a “inovação aberta traz, igualmente, um novo desafio para as entidades públicas responsáveis” por estas políticas. É a partir daqui que é coordenado, a título de exemplo, o programa governamental INTERFACE, que pretende acelerar e promover a articulação entre as empresas e as entidades do sistema científico e tecnológico. A ANI trabalha também com as principais redes colaborativas europeias.

Sendo o Estado “um dos maiores compradores nacionais na economia”, para o presidente da ANI é importante “estimular a compra de produtos e serviços mais intensivos em conhecimento e tecnologia, com o apoio das entidades que operam em Portugal”. Para fazer face a problemas antigos das empresas pede-se “um maior esforço na melhoria das suas competências de gestão, organizacional e de processos, bem como numa maior cultura de colaboração e de partilha”. Sem esquecer a importância da criação de clusters que juntem o tecido empresarial ao sector académico: “Há condições para que a inovação aberta seja cada vez mais apropriada pelos agentes económicos.”

Como recorda António Bob Santos, para que a inovação aberta tenha sucesso é importante haver “uma maior coordenação entre políticas públicas”, assim como “vender a tecnologia, ciência e inovação nacional e atrair investimento tecnológico para o nosso país”, a chamada “diplomacia da inovação”. Mas as esperanças são positivas, porque “as startups criadas nos últimos anos nascem já com o espírito da inovação aberta”. O que é que isto quer dizer? “São mais colaborativas, tiram mais partido das redes informais, integram-se mais facilmente em redes e operam com modelos de negócio adequados à cultura de partilha.” E já estão mais preparadas para a realidade global, que é cada vez mais uma tendência.

Casos como a ligação entre a Bosch e a Universidade do Minho e as parcerias da Brisa são destacados pelo professor José Ramalho Fontes. O presidente da AESE Business School acredita que há um potencial imenso em Portugal para a inovação aberta, sobretudo por ser “algo muito prático” para encontrar “novos modelos de negócio”. No fundo, trata-se de “transformar os produtos em serviços”. José Ramalho Fontes não tem dúvidas de que “isto é possível”, mas temos de “sistematizar” e perceber que estes ciclos de criação podem demorar “entre quatro a cinco anos”.

É urgente que as empresas “sejam mais consistentes e inovadoras”, e não apenas “no que é vistoso”. Porque é delas que “tem de partir o esforço principal”. Agora que vivemos uma fase de grande dinamismo no ecossistema empreendedor, há condições como nunca para dar mais corpo a este conceito. Estamos no início desta relação entre empresas e startups, mas “a disposição é ótima”, garante José Ramalho Fontes. “O que falta agora é pedalar.”

O que
 já se faz em Portugal

Apesar de a dimensão ainda ser menor do que em outros países, já temos exemplos de inovação aberta de norte a sul

€33 milhões é quanto vale um concurso que a Brisa ganhou nos EUA para a gestão de uma rede de autoestradas com base no sistema de pagamento automático de portagens, o e-toll. Ao todo vão ser instalados 270 dispositivos resultantes de um processo de colaboração paradigmático dos princípios da inovação aberta. As máquinas que aceitam moedas, notas ou cartão de crédito são vigiadas remotamente através de câmaras de videovigilância e fazem parte de um serviço inteiramente desenvolvido em Portugal com recurso a empresas nacionais. Desde a pioneira Via Verde que a inovação aberta tem sido uma preocupação desta empresa, que é um dos atores mais ativos na formação de um ecossistema de transportes. O objetivo é que funcione como um cluster de novas soluções com os recursos combinados dos grandes nomes do sector. Para dar mais expressão a este departamento, a empresa criou a Brisa Inovação e Tecnologia que se dedica à investigação e concretização de soluções inovadoras e potenciadoras de mobilidade e que está por trás de 40 projetos de investigação e desenvolvimento, contando com 15 parcerias com universidades portuguesas.

Faculdade Bosch
No campo da ligação com o mundo universitário, José Ramalho Fontes, presidente da AESE, destaca o caso da Bosch Portugal e das parcerias com a Universidade do Minho. De acordo com informações da empresa, trata-se da “maior unidade da Bosch Car Multimedia em todo o mundo”. O trabalho prende-se com a produção de sistemas de informação e entretenimento conectados dentro de veículos, instalação de sensores e desenvolvimento de mecanismos para a condução autónoma. Tudo em parceria com a instituição académica minhota, aproveitando as ferramentas de investigação e as potencialidades do tecido industrial da região. A primeira fase do projeto, entre 2012 e 2015, contou com um investimento de €19 milhões e permitiu o registo de 12 patentes. Já a segunda fase prevê um financiamento de €55 milhões até meados de 2018. Um dos programas de investigação desenvolvidos está a ser aplicado nos Transportes Urbanos de Braga para transformar os autocarros em objetos capazes de recolher permanentemente informações do que os rodeia através de sensores. O próximo passo da parceria será a instalação destes projetos no laboratório de prototipagem avançada da Universidade do Minho, o DONE Lab, espaço que representou um investimento de €3 milhões. Serão cinco os investigadores a trabalharem no laboratório e a mudança permitirá à empresa, a partir da inovação aberta com centro em Portugal, “dar uma resposta integrada e alargada a qualquer tipo de desafio tecnológico”, assim como construir de forma mais eficaz e rápida os seus protótipos, para depois os exportar para todo o mundo.

Saiba 
como entrar 
no projeto

Vá ao computador 
e digite no browser 
o endereço edpopeninnovation.edp.pt. A partir daí só tem 
que seguir os passos 
do formulário de inscrição. 
Tenha em mente que 
é obrigatório ter uma 
equipa no mínimo com duas pessoas e no máximo 
com quatro, em que ninguém 
pode ter menos de 18 anos. 
O sector energético é o foco, 
com áreas como eficiência, mobilidade, internet 
das coisas, inteligência artificial 
ou tecnologias de informação, entre outras, em destaque. Querem-se ideias que 
respondam a necessidades 
de mercado, com planos sólidos 
e estruturados. Para se 
inscrever, tem de responder 
a perguntas como descrever 
o projeto numa frase, 
qual a inovação tecnológica 
que se oferece ou explicar 
a estratégia de aquisição 
de clientes, por exemplo. 
Se não se tiver esquecido 
de nada (é aconselhável ler o regulamento no site), resta esperar pelo final do prazo de candidaturas (ver datas em baixo) para saber se é um dos pré-selecionados. Desse lote vão sair os 15 finalistas, cinco de Portugal, cinco do Brasil e outros tantos de Espanha (o que não significa necessariamente que tenha 
de ter a nacionalidade, basta 
a equipa ter ligações a um deles). Contamos consigo.

As datas mais importantes

23 de agosto
Último dia para se candidatar. Aceitam-se projetos 
de Portugal, Brasil 
e Espanha. Objetivo: 
ser uma das 15 equipas 
a competir pelo prémio 
de €50 mil euros 
e três entradas diretas 
para a Web Summit. 
Inscrições em 
edpopeninnovation.edp.pt

4-6 de setembro
Apresentações ao júri das equipas pré-selecionadas

7-8 de setembro
Seleção e comunicação dos 15 finalistas (cinco por cada país)

9-24 de outubro
Fase de bootcamps. Serão nove as sessões de trabalho intenso na sede da Fábrica de Startups, em Lisboa, onde as equipas terão de dar asas à sua ideia

25 de outubro
Dia do investment pitch, onde os grupos terão dez minutos para apresentar o seu projeto 
perante o júri e uma plateia 
de investidores. 
Para a vitória conta também 
o trabalho desenvolvido ao longo 
das três semanas

6-9 de novembro
As três melhores equipas do Open Innovation ganham bilhete para 
a Web Summit, onde vão poder contactar com pessoas de todo 
o mundo no stand da EDP