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EDP Open Innovation

Eles já sabem como gerar dinheiro

Juntar empreendedores e empresas mais 
promissoras a 200 grandes investidores de todo o mundo 
foi o propósito da Lisbon Investment Summit, organizado pela Beta-I. Perto de 300 startups estiveram presentes no Pavilhão Carlos Lopes entre 6 e 7 de junho para se darem a conhecer e ganharem acesso a dinheiro que pode ser essencial. A azáfama na principal sala 
de exposição dos empreendedores era grande. Tudo para captar 
o máximo de atenção de quem passava. É o que se espera quando 
o ecossistema português cresceu o dobro da média europeia

Marcos Borga

Na fase preliminar desta edição, perceba o que a passagem pelo programa de aceleração do Expresso e da EDP pode significar para as startups. Além dos €50 mil de prémio

O dinheiro é o combustível do mundo e em poucos lados isso é tão verdade como no mundo do empreendedorismo. Rondas de financiamento, business angels, capital de risco, seed money ou avaliações financeiras, por exemplo. Tudo parte do jargão deste ecossistema. Que o digam os participantes do EDP Open Innovation, a competição de aceleramento de startups do Expresso e da EDP que, mais uma vez, procura 15 ideias de negócio para lhes dar nova dimensão.

A entrar na sua sexta edição — que desde o ano passado resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação — o programa já tem as candidaturas abertas (até 23 de agosto, ver caixa) e aposta na transformação de projetos em empresas de sucesso. “Foi a nossa rampa do lançamento” garante Tiago Reis, da Mater Dynamics. O CEO da equipa vencedora do prémio principal em 2015, com um projeto centrado no desenvolvimento de sensores para monitorizar a qualidade dos produtos, não esquece como a “abordagem estruturada do programa” foi o fator que precisavam para chegarem onde estão hoje. Em números? “Ainda não houve investimento externo por nossa decisão. Porém, atendendo ao nosso crescimento e planos futuros de expansão estamos a negociar €325 mil com o nosso primeiro potencial investidor no Reino Unido. Em termos internos já investimos €115 mil das vendas.” Em 2016 a faturação chegou aos €48,142 mil e os valores contratados entre 1 de janeiro e 31 de maio deste ano fixaram-se nos €87,394 mil.

Criar bases sólidas de atração de clientes e dinheiro podia ser quase o mantra do programa e das suas diferentes encarnações. Para quem fizer parte dos escolhidos, além das valências adquiridas e do trabalho desenvolvido, ainda há a aliciante do prémio final de €50 mil euros para o grupo de empreendedores que apresentar a melhor ideia de negócio. Já as três equipas que mais se destacarem ganham o tão procurado bilhete para a montra do ano, a segunda edição da Web Summit em Portugal. Incentivos que se juntam a um historial de sucesso para continuar a atrair empresas que atualmente dão cartas no universo empresarial.

MiniMBA
Descrição a que não foge a Thermosite. Em 2015, ganharam o Prémio Energia (atribuído à empresa com melhor projeto no sector energético), com a plataforma digital que ajuda os clientes a encontrar a melhor climatização. Pedro Soares recorda a experiência como “enriquecedora porque permitiu aprender e solidificar conceitos que possibilitam a passagem de uma ideia a um bom negócio.” Um “verdadeiro e intenso miniMBA”, atira. Após terem atingido o valor programado de vendas de €300 mil para um ano em apenas cinco meses, querem agora chegar ao “ambicioso objetivo de €1 milhão”, com as portas abertas pela parceria com o grupo GIA — que detém uma cota de 16% do mercado de ar condicionado espanhol.

Vencedores do mesmo prémio no ano anterior, pelo desenvolvimento de uma ferramenta inovadora de geração e análise de dados, a DataSonar (na altura Pknoa) fechou em 2016 uma ronda de investimento de capital inicial de €1,5 milhões e não dá mostras de querer parar. Agora “somos realmente um projeto empresarial” afirma a CEO, Maria João Mileu. A competição foi a plataforma ideal “para o reconhecimento inicial da tecnologia” bem como de “acesso ao conhecimento e experiência de toda a gente envolvida.” Os contactos estabelecidos ao longo deste tempo com “algumas das maiores empresas do país” e as idas à Web Summit e a São Francisco, deixaram claro o interesse no produto, cujos testes piloto têm tido “resultados excelentes.”

Chegados a este ponto, importa realçar o Faststart. Trata-se do método de trabalho aplicado pela Fábrica de Startups — parceira do Open Innovation — em sessões de trabalho intensas (bootcamps) que juntam as 15 equipas no mesmo espaço ao longo de um mês. É a componente “a doer” do programa que funciona como um GPS para startups. No fundo, oferece as ferramentas e recursos necessários para testar a aceitação do produto por parte dos clientes, sem que ele esteja ainda desenvolvido.

A abertura a equipas do Brasil foi um dos pontos definidores da história da competição e do outro lado do atlântico já vieram dois vencedores de sucesso. Em 2014, com a sua plataforma de educação à distância para alunos do ensino superior, a distinção coube à Me Passa Aí!. O CEO, Luiz Gustavo Borges, recorda-se do período como “o ponto de partida” que permitiu “validar o modelo de negócio.” Desde então que têm evoluído “de forma muito agressiva” e hoje contam com “assinantes de mais de 1000 faculdades diferentes entre Brasil e Portugal”, além de um crescimento de 120% de receita nos primeiros meses deste ano. Recentemente, fecharam uma ronda de financiamento no valor de €100 mil e estão em contacto com “os grandes players do mercado da educação.” Já no ano passado a vitória coube à Delfos, com um sistema de análise em tempo real de turbinas eólicas. Com 5% do da capacidade instalada no Brasil, querem chegar até final de 2017 aos €100 mil de faturação, revela o CEO, Guilherme Studart, com “100% de capitais próprios.” Abrir escritório em Lisboa é um dos próximos passos, assim como atingir os €600 mil em 2019. Euros que têm como fio condutor o EDP Open Innovation.

Cinco edições de empreendedor

Das 50 equipas iniciais na sede do grupo Impresa à abertura a Brasil, China e Espanha, com passagem por centenas de milhares de euros em prémios, reveja o filme do projeto e dos seus vencedores

2012
Desde o arranque oficial da competição — com o nome original de Energia de Portugal mas já com os mesmos parceiros, Expresso e EDP — a 29 de janeiro de 2012, que a adesão da comunidade empreendedora foi grande. Mais de 1600 candidaturas foram recebidas para colocar os seus projetos entre as 50 equipas que enfrentaram um projeto inovador, num ecossistema que na altura ainda dava os primeiros passos. Foram oito sessões de trabalho, intensos bootcamps aos sábados no edifício-sede do grupo Impresa. Nesta primeira edição nem todas as equipas passavam ao investment pitch (apenas dez tiveram a oportunidade) e ainda não havia prémio monetário para o vencedor. A vitória coube à equipa Ostralusa, com um conceito inovador de produção de ostras portuguesas em plataformas offshore.

2013
A segunda edição teve como principal novidade a introdução de um prémio para o grande vencedor no valor de €20 mil. Além disso, do primeiro ao quinto classificado, todos receberam entre três a seis meses de aceleração extra na Fábrica de Startups, no valor total de €95 mil. De resto, a estrutura do programa manteve-se relativamente inalterada, numa competição de novas empresas que cada vez mais se afirmavam no panorama nacional (e progressivamente internacional, mas já lá vamos). No final, foi a BetApp, com um projeto de uma rede social para apostas de amigos, a chegar à vitória, perante a forte concorrência.

2014
Foi sob o desígnio assumido da internacionalização (que até hoje se mantém) que a terceira edição do programa teve início. As candidaturas alargaram-se ao Brasil e à China ao passo que o número de equipas finalistas foi reduzido para 15. Além do prémio principal, foi também introduzida uma nova distinção, o Prémio Energia, atribuído pela EDP à melhor ideia no sector energético e que contemplava uma incubação de seis meses na EDP Starter. Os bootcamps também foram reduzidos em metade, para quatro e, salvo alguma desistência de última hora, todas as equipas passaram a ir à apresentação final junto dos investidores. Na abertura internacional, foi a Me Passa Aí!, uma equipa brasileira, a ganhar os €20 mil euros com a sua plataforma de vídeos educativos de explicações para ensinar remotamente estudantes. Já o primeiro Prémio Energia foi para as mãos da Pknoa, agora DataSonar, cujo modelo se baseia num sofisticado algoritmo que recolhe dados da vida quotidiana do utilizador (neste caso, empresas) para criar estatísticas de big data em tempo real.

2015
Na quarta edição, e após o sucesso do ano anterior, a aposta no Brasil manteve-se enquanto a participação de equipas da China não se voltou a repetir. Por outro lado, o Prémio Energia, além da incubação, passou a incluir um possível investimento por parte da EDP até €50 mil. Neste ano, a grande vitória e o prémio de €20 mil foram para a Mater Dynamics, que impressionaram ao longo do programa com um projeto centrado no desenvolvimento de sensores para monitorizar a qualidade de certos produtos, o QStamp — feito de material flexível que pode ser aplicado a qualquer superfície e que gera um sinal visual passível de ser consultado no smartphone. Já o Prémio Energia foi atribuído à Thermosite, com uma plataforma digital pioneira que calcula a melhor solução de climatização para habitações. Indica o custo da instalação e diz em quanto tempo o investimento é recuperado.


2016
Neste ano, dá-se a grande metamorfose da competição que ganha novo nome e renova-se. Para a quinta edição, passa a chamar-se EDP Open Innovation (que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação) e ganha um novo país além de Portugal e Brasil — a Espanha. As equipas dividem-se em cinco por cada uma das nações e o foco passa a centrar-se exclusivamente em ideias ligadas ao sector energético (o que implica o fim do Prémio Energia). A distinção principal para a equipa com melhor ideia de negócio mais do que duplica de valor, de €20 mil para €50 mil, enquanto as três melhores ganham lugar na Web Summit. A ligação ao outro lado do Atlântico voltou a dar frutos e a grande vitória coube à Delfos. Os brasileiros apresentaram-se com uma solução que aumenta a produtividade e o ciclo 
de vida das turbinas sem impacto nos custos de operação e manutenção, através de um sistema que monitoriza, estabelece padrões de análise e antecipa problemas automaticamente. Resta saber o que a história reserva para 2017.

As datas mais importantes do programa

16 de maio
Arranque das candidaturas. 
Aceitam-se equipas de Portugal, 
Brasil e Espanha para ser uma 
das 15 equipas a competir 
pelo prémio final de €50 mil euros 
e três entradas diretas
 para a Web Summit

23 de agosto
Último dia para fazer 
parte do processo de 
candidaturas. Inscreva-se em:edpopeninnovation.edp.pt

4-6 de setembro
Apresentações ao júri 
das equipas pré-selecionadas

7-8 de setembro
Seleção e comunicação 
dos 15 finalistas (5 por cada país)

9-24 de outubro
Fase de bootcamps. Serão nove 
as sessões de trabalho intenso 
na sede da Fábrica de Startups, 
em Lisboa, onde as equipas 
terão de dar asas à sua ideia

25 de outubro
Dia do investment pitch, onde os grupos terão dez minutos para apresentar o seu projeto perante o júri e uma plateia de investidores. Para a vitória, conta também o trabalho desenvolvido 
ao longo das três semanas

6-9 de novembro
As três melhores equipas 
do Open Innovation ganham 
bilhete para a Web Summit, 
que se realiza neste período,
onde vão poder contactar com pessoas de todo o mundo 
no stand da EDP

Textos originalmente publicados no Expresso Economia de 17 de junho de 2017