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EDP Open Innovation

Dia do Empreendedorismo: Arriscamos o suficiente nas novas empresas?

Apostar as fichas todas quando 
se confia no sucesso compensa, tal como a Airbnb fez quando gastou todo o dinheiro que tinha 
em publicidade criativa. 
Hoje vale mais de €2 mil milhões

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A sexta edição do projeto do Expresso e da EDP, o Open Innovation (que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação), dá-se a conhecer nas próximas terças-feiras com uma série de artigos que recordam o trabalho já desenvolvido como rampa de lançamento de muitas empresas. Na terceira vez, recuperamos um artigo onde se tentar perceber se o investimento nas startups portuguesas é suficiente. Qual é a sua opinião? Leia, partilhe e acompanhe-nos em todas as plataformas do grupo Impresa - às terças, dia em que nos abrimos à inovação. As candidaturas estão abertas até 23 de agosto. Inscreva-se em edpopeninnovation.edp.pt

Artigo originalmente publicado no Expresso de 23 de julho de 2016

Mais do que nunca os empreendedores portugueses podem e devem aproveitar para apresentar bons projetos. Existe um conjunto de instrumentos financeiros muito satisfatório.” Isabel Neves, presidente do Business Angels Club de Lisboa, não tem dúvidas. Por outras palavras, a resposta quanto à existência dos apoios necessários para a formação de startups competitivas em território nacional não podia ser mais positiva.

Do financiamento nos inícios mais periclitantes, à injeção de capital na fase em que as empresas precisam de galgar terreno e fronteiras, há um consenso generalizado na existência de boas condições, sobretudo quando se olha para a evolução nos últimos anos. Claro que ainda há aspetos e falhas por corrigir mas o trabalho desenvolvido até agora deixa indícios prometedores.

Para Nuno Ribeiro, presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco e Desenvolvimento, a mudança prende-se não só com a evolução “dos agentes e instrumentos disponíveis para financiamento, como também das infraestruturas de acolhimento, incubação e aceleração” a que se junta o reforçar das ligações internacionais — um dos principais objetivos do EDP Open Innovation, o projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP, que resulta da união entre o Energia de Portugal e do Prémio de Inovação EDP . Adicione-se ainda uma mudança de mentalidade que, apesar de “precisar de alguns progressos”, já é uma realidade, e obtém-se a receita com que se está a dar forma e substância ao ecossistema empreendedor.

Internacionalização é chave

Neste campo, há dois tipos principais de financiamento, a saber: Business Angels e capital de risco. As diferenças prendem-se sobretudo com a fase de investimento e o papel que se assume. De um modo geral, a intervenção dos primeiros é feita, numa fase preliminar, com intervenções no capital inicial e na fase de arranque. A isso, acrescentam ainda uma componente de mentoria e de estabelecimento de contactos muito úteis para o arranque da empresa. Já as firmas especializadas em capital de risco intervêm habitualmente numa fase posterior de crescimento e expansão das empresas.

“Têm outro tipo de estruturas profissionais e de acompanhamento, investem maioritariamente recursos de terceiros e concentram-se em diversos estágios de maturação, indústrias, intervenção e tipos de operações, consoante a sua estratégia”, diz Nuno Ribeiro, sem esquecer que “há obviamente áreas de sobreposição e colaboração”.

Foi precisamente a crença nas potencialidades portuguesas como hub de novas empresas que ajudou à criação da Faber Ventures em 2012, pelas mãos de Alexandre Barbosa. Desde então que este fundo de capital de risco já investiu cerca de €5 milhões em 19 empresas, a partir de fundos que gere com parceiros como a Caixa Capital, entre outros, e procura dar o seu contributo para a dinamização do sistema. “Já chegámos a um nível de maturidade que mostra que faz sentido investirmos nas nossas startups. Sem dinheiro, não há atividade”, sublinha.

O modus operandi da firma especializada em software e internet é apostar numa startup numa fase muito inicial ou mesmo só numa ideia, aquilo que é conhecido como ronda pre-seed ou seed, para depois desenvolver e introduzir no mercado. Ter um plano bem definido com essa meta é “critério essencial para a escolha”. Entre outros fatores de seleção contam-se “ter desde a partida um foco internacional”, única forma de escalar com vista a um crescimento sustentável, e apresentar “uma equipa capaz.”

Estrangulamentos

Para Isabel Neves, “quem tem bons projetos não terá neste momento grande dificuldade de acesso ao dinheiro”. A responsável faz questão de realçar que o que por vezes passa por dificuldade de acesso financiamento não é mais que “falhas na qualidade e execução das ideias”. Um problema que em Portugal se regista com cada vez menos frequência, em virtude da “abertura ao estrangeiro” e da possibilidade das startups “poderem participar em inúmeros eventos no exterior através de iniciativas de promoção do empreendedorismo.”

Progressos que não invalidam algumas falhas endémicas no sistema, tanto “do lado da procura como da oferta”, garante Nuno Ribeiro. Registam-se “estrangulamentos significativos” por causa do pouco investimento “de fundos de pensões, seguradoras, bem como de investidores internacionais”. Por outro lado, “existem óbvias limitações quanto à dimensão dos recursos e às inúmeras condições e contingências colocadas ao investimento, especialmente nas linhas públicas”.

As questões fiscais, a burocracia e a regulamentação laboral são os obstáculos principais, de acordo com Alexandre Barbosa, que o ecossistema ainda enfrenta. É preciso trabalhar no estabelecimento de “melhores condições” para gerir um ciclo mais forte de investimento que permita também o “aparecimento de mais capital privado.” Uma posição subscrita por Isabel Neves, para quem o Estado deve contribuir mais, não só “através da disponibilização de fundos, mas sobretudo na fiscalidade.”

O contexto de “grandes restrições” que vivemos ajuda a explicar alguns destes constrangimentos, pelo que a internacionalização, de atividade e financiamento, é uma necessidade absoluta. Algo que a realização de eventos em Portugal como a Web Summit provam estar já a acontecer. Basta continuar a arriscar e fomentar o dinamismo das novas empresas para que não se cortem as pernas ao crescimento.

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