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EDP Open Innovation

Outra volta no carrossel das ideias

O carrossel do EDP Open Innovation continua à roda até novembro

José Caria

Programa de aceleramento de startups do Expresso e da EDP está de regresso. Prémio para o vencedor é de €50 mil. Mais uma edição em que o sector energético está em pano de fundo. Aceitam-se equipas de Portugal, Brasil e Espanha

Andar à roda no carrossel até a velocidade diminuir e o já experimentado responsável da diversão proferir a mítica frase “mais uma moedinha, mais uma voltinha!” transporta-nos de imediato para a infância e, como todos os clichés, recorda-nos uma coisa: que o que é bom dá sempre para repetir. Neste caso, seis vezes. Sem mais delongas, abandonemos a análise corriqueira e passemos ao essencial, o regresso do EDP Open Innovation, cujas candidaturas já estão abertas (veja na página como concorrer).

A competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP — que desde o ano passado resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação com a respetiva mudança de nome — celebra este ano seis edições e não dá mostras de abrandar o ritmo na descoberta e aceleramento de ideias energéticas prontas a dar que falar no mundo dos negócios. Além de uma plataforma onde podem evoluir os seus negócios e estar em constante contacto com mentores carregados de experiência, as 15 equipas escolhidas (ler caixas) podem ambicionar chegar ao grande prémio de €50 mil para melhor grupo. Sem esquecer que os três que mais se destaquem ganham entrada direta na principal montra do ano, a Web Summit.

Nas palavras do secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, o programa “desempenha um papel importante de estímulo à criação de novos negócios que tanto têm contribuído para mudar o tecido empresarial português e para alterar o paradigma de atratividade de Portugal como destino de centenas de empresas.” Numa fase em que, como aponta o governante, “cerca de 50% dos novos empregos que estão a surgir em Portugal são criados por empresas com menos de cinco anos”, é essencial estimular programas que sustentem o movimento empreendedor. Seja aqui, em Espanha ou no Brasil, os outros países a que o projeto se estende. Sobretudo numa fase em que “temos um dos maiores índices de criação de empresas da Europa, sendo que em 2016, por cada empresa que foi encerrada, nasceram 3,3 novas e 10% dessas começam a exportar logo no seu primeiro ano de vida.”

Atestado de qualidade

Veja-se, por exemplo, o caso da Delfos Predictive Maintenance, equipa que veio do outro lado do Atlântico para ganhar a edição do ano passado. A ideia que impressionou o júri consiste em aumentar a produtividade e o ciclo de vida das turbinas eólicas, sem fazer subir os custos de operação e manutenção, através de um sistema que estabelece padrões de análise e antecipa problemas em tempo real. “A experiência [da participação] foi incrível”, confessa Guilherme Studart, “tanto pela estrutura fornecida pela EDP como pela oportunidade de interagir com as outras startups finalistas e trocar experiências ao longo do evento.” Para o diretor executivo da empresa, “a ferramenta que mais ajudou foi a disciplina”, sempre com confiança “no processo de inovação proposto e na experiência.” Não será exagerado realçar a importância do EDP Open Innovation no “desenvolvimento da Delfos como startup e na captação de novos clientes.” Um “atestado de qualidade”, como lhe chama, que já permitiu firmar o “primeiro contrato comercial com duração de dois anos.”

Resultados do método Faststart, uma verdadeira “fábrica de fazer empresas”, que é a espinha dorsal do programa. Implementado pela Fábrica de Startups, parceira do EDP Open Innovation, consiste em sessões de trabalho intensas onde as equipas estão reunidas no mesmo espaço para trabalhar e evoluir as suas ideias. O objetivo primordial é testar a aceitação do produto por parte dos clientes sem que ele esteja ainda desenvolvido, o que oferece a possibilidade de aferir do sucesso do projeto antes de se investir tempo e dinheiro. A grande vantagem é que permite o desenvolvimento do modelo de negócio de forma faseada e estruturada, com muitos exemplos práticos.

Produto deste trabalho (e do seu trabalho) é a Glartek, que ficou em segundo lugar no ano passado com a ideia de tornar um sistema industrial mais intuitivo, com recurso a uma solução digital que junta a Internet das Coisas à realidade aumentada. O CEO, Luís Murcho, revela que após terem estado “quatro meses num acelerador italiano, encontram-se atualmente incubados na EDP Starter, prestes a “obter investimento” e a “iniciar as primeiras vendas já este verão.”

Um percurso com muito para contar em apenas um ano e que faz com que a empresa portuguesa olhe para o programa como “um mês intensivo” no “melhor sítio para se perceber que um produto não é nada sem ter um negócio bem estruturado por trás.”

O responsável não tem dúvidas que é importante que todas as startups numa fase mais inicial “tenham uma ajuda de um acelerador como este”, dado que “existem sempre muitas dúvidas e nunca se sabe muito bem qual o caminho a seguir”. Além disso, a experiência ajudou a ganhar “mais visibilidade” bem como “confiança para enfrentar novos desafios.” A quem queira concorrer ao programa, aconselha a “aproveitarem da melhor forma toda a informação que é passada” e “acima de tudo, a divertirem-se”. Com mais uma moedinha, a roda já gira.

AS DATAS MAIS IMPORTANTES DO PROGRAMA

16 de maio
Arranque das candidaturas. 
Aceitam-se equipas de 
Portugal, Brasil e Espanha. 
Importa realçar que é possível concorrer a partir de qualquer 
parte do mundo, desde que 
a equipa tenha ligação 
a um destes países

23 de agosto
Último dia para fazer parte 
do processo de candidaturas. Inscreva-se em:
edpopeninnovation.edp.pt

4-6 de setembro
Apresentações ao júri 
das equipas pré-selecionadas

7-8 de setembro
Seleção e comunicação dos 15 finalistas (5 por cada país)

9-24 de outubro
Fase de bootcamps. Serão nove as sessões de trabalho intenso na sede da Fábrica de Startups, em Lisboa, onde as equipas terão de dar asas à sua ideia

25 de outubro
Dia do investment pitch, 
onde os grupos terão 
dez minutos para apresentar 
o seu projeto perante o júri 
e uma plateia de investidores. 
Para a vitória, conta também 
o trabalho desenvolvido 
ao longo das três semanas

6-9 de novembro
As três melhores equipas 
do Open Innovation 
ganham bilhete para 
a Web Summit, que se 
realiza neste período, 
onde vão poder contactar 
com pessoas de todo 
o mundo no stand da EDP

O QUE É O OPEN

145 equipas, 255 mil euros 
em prémios e milhares de candidaturas. Os números 
não contam a história toda 
mas já permitem traçar um 
retrato do trabalho que o programa de empreendedorismo do Expresso e da EDP tem vindo 
a desempenhar nos últimos anos. Prestes a conhecer a sua sexta edição, o EDP Open Innovation assume-se como um dos projetos mais pioneiros do sector (que em 2012 ainda dava os primeiros passos) no país. Trata-se de um programa intenso de aceleração de ideias que, ao longo de um mês, têm que passar por um regime de provas práticas e teóricas para ganharem bases sólidas na passagem para o mundo empresarial. Se nas duas primeiras edições o foco estava centrado em Portugal, os anos seguintes trouxeram um alargamento global, com a entrada em cena de equipas de Brasil, Espanha e China. Intercâmbio de conhecimentos que agora é uma das pedras basilares do programa que regressa com ambição renovada de incorporar as melhores ideias energéticas na economia. Quer fazer parte desta história?

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 20 de maio de 2017