Siga-nos

Perfil

Expresso

EDP Open Innovation

Entrar 
para o carrossel dos negócios

José Caria

As equipas que ficaram no pódio do projeto do Expresso e da EDP deram-se a conhecer na Web Summit já com olhos postos no futuro

Tudo começou há um tempo atrás”, já dizia Netinho no seu grande êxito musical dos anos 90, “Milla”. Mais precisamente há cinco semanas. Foi aí que 15 equipas portuguesas, brasileiras e espanholas colocaram os pés em Lisboa para participarem no EDP Open Innovation — projeto de empreendedorismo do Expresso e EDP que resulta da união entre o Energia de Portugal e o prémio EDP Inovação — e darem um empurrão à sua ideia de negócio ao longo de um intenso mês, de sangue, suor e lágrimas. Neste caso, de satisfação pelo trabalho cumprido e pela oportunidade de apresentarem as suas ideias no Investment Pitch final. Além do prémio de €50 mil para a equipa que apresentasse o melhor projeto, as três eleitas pelo júri para o topo teriam lugar garantido na Web Summit. Delfos, Glartek e Sunshine Rocks, respetivamente, captaram a atenção e as distinções.

As equipas estiveram reunidas ao longo do evento no stand da EDP e Guilherme Studart fez questão de deixar um agradecimento inicial ao carrossel (saiba mais sobre ele no texto ao lado) que se encontrava no centro do espaço reservado para a elétrica. “É complicado não ver o carrossel e chama muitos curiosos, que acabam por falar connosco”, conta divertido.

O responsável da Delfos, a grande vencedora desta edição 2016 do Open Innovation — com um projeto que promete aumentar a produtividade e o ciclo de vida das turbinas da energia eólica, sem aumentar os custos de operação e manutenção, através de um sistema que monitoriza, estabelece padrões de análise e antecipa problemas em tempo real — encontrava-se ali com o seu parceiro, Samuel Lima. Vieram de Fortaleza, Brasil, para ganhar novas bases para a sua ideia de negócio e fomentar relações proveitosas para o futuro. Até agora, estão a “superar as expectativas”, com um conhecimento mais “profundo do ecossistema de empreendedores em Lisboa” que se pode vir a revelar essencial.

Contactos by night
Na Web Summit, a estratégia cingiu-se a uma abordagem “proativa, que vá atrás das oportunidades e ative as conversas” além da oportunidade de conhecer “pessoas de todo o mundo” e assistir a apresentações “muito interessantes”. As reuniões eram constantes e fizeram-se contactos muito relevantes. Não só de dia como também de noite, onde a dinâmica da Night Summit e o networking se fizeram sentir. “Ninguém faz amigos a beber leite”, atiram. A oportunidade de uma vida, que agarraram com as duas mãos antes de regressarem, já na próxima segunda-feira, para o outro lado do atlântico. Após uma semana, vão para São Paulo, para retomar “o contacto com a EDP” e estar junto das grandes forças económicas, para preparar o lançamento do projeto piloto, previsto para 2017. Já a relação com Portugal, não merece dúvidas: “É para continuar.”

A jogar em casa estavam Gonçalo Santos e Luís Murcho, da Glartek. Na equipa que ficou no segundo posto do Open, com um projeto baseado numa solução digital que junta a Internet das Coisas à realidade aumentada para gerir sistemas industriais complexos e obter dados em tempo real, estavam “imersos no grande ambiente que se vivia” e na necessidade de energia (“como é o stand da EDP, já nos vieram perguntar se podíamos carregar o telemóvel”, confessam). Os contactos do mundo do investimento sucederam-se e tiveram de ser “muito bem organizados” para que houvesse tempo para tudo. Contactos que podem ser muito úteis “para levar a plataforma para o próximo nível” a tempo do lançamento, que está previsto para abril de 2017. Foi o concretizar de “um sonho”, que há quatro meses não pensavam “ser possível”. Não se sentiram intimidados e estavam preparados porque isso “faz parte de ser uma startup”. Agora, querem alargar a equipa e decidir se vão optar por uma incubação de quatro meses em Veneza, ou seis em Bilbao.

Cereja em cima do bolo
Os membros da Sunshine Rocks, equipa que tinha um português, um vietnamita e um francês e que completou o pódio, não podiam estar mais satisfeitos. Para o francês Thomas Carrier e o português João Viana a meta era clara: “Trabalhar e estreitar relações com a EDP.” Os representantes da startup — plataforma que permite às pessoas ligaram-se a nível local para partilharem condições energéticas e juntarem-se enquanto comunidade — definem a presença na Web Summit como a “cereja em cima do bolo”. Participar no Open foi uma “experiência intensa e que permitiu abrir os olhos para muita coisa.” Agora lidavam com “investidores interessantes” num evento “perfeito para se mostrarem” e que contribui para construir “uma boa rede de contactos”. Mas o negócio está “sempre em primeiro”. Daqui a uns tempos vão a Brooklyn visitar um parceiro de negócio e, se tudo correr bem, lançam a plataforma juntamente com a EDP a 15 de dezembro. E mudam-se para Lisboa.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 12 de novembro de 2016