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EDP Open Innovation

O maior certame de startups da Europa? Ele que venha

Clodagh Kilcoyne/GETTY

O grande evento ligado ao empreendedorismo terá lugar já este ano. Resta confirmar se as empresas portuguesas estão preparadas para fazer da Web Summit um marco

Desengane-se se acha que é só no futebol: Portugal está na moda e o ecossistema financeiro ligado ao empreendedorismo é disso exemplo. Os principais atores concordam que ainda há muito por corrigir mas há muita substância e potencial. E os responsáveis internacionais olham para isso com atenção.

“É muito bom ver que tanto empreendedores como investidores, incubadoras e aceleradoras estrangeiras estão a vir para Portugal porque acreditam que é um local competitivo para começar e fazer crescer um negócio”, revela o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos. “Lisboa em particular é hoje uma das mais importantes capitais empreendedoras da Europa e está, cada vez mais, nas bocas do mundo”, garante o CEO da incubadora Beta-I, Pedro Rocha Vieira.

Não haverá, porventura, sinal mais claro deste dinamismo do que a mudança de armas e bagagens da Web Summit de Dublin para Lisboa nos próximos três anos. Descrita pela Bloomberg como “o fórum de Davos para os geeks”, trata-se de um dos maiores eventos mundiais do género, fundado por Paddy Cosgrave, em 2010, e que costuma reunir as grandes figuras e empresas do ramo.

Um ‘golpe’ que promete fazer da cidade a capital do universo empreendedor já a partir de 7 e 10 de novembro deste ano. Prevê-se a presença de mais de 55 mil pessoas — entre as quais as três equipas que obtiverem a melhor qualificação no EDP Open Innovation, o projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP que resulta da fusão do Energia de Portugal e do Prémio de Inovação EDP (consulte o texto na coluna ao lado) — de cerca de 150 países e bilhetes cujo preço mínimo se situa nos €700. “Temos que utilizar esta rampa para agarrar quem aqui vem”, diz Carlos Oliveira, presidente da Startup Braga. A million dollar question não é se temos capacidade para o fazer, até porque, como João Vasconcelos lembra, em “2014 tivemos uma startup portuguesa a ganhar a competição global que lá decorre, a Codacy.” O grande desafio é perceber como “maximizar o valor criado por esta presença em todo o país”.

Controlar o risco

Para Pedro Rocha Vieira, um dos fatores essenciais passa por dar “voz à comunidade, para que todos no ecossistema tenham oportunidade de partilhar pontos de vista, opiniões e ideias. Daí resultou um “documento transacional e unificador”, o Startup Manifesto Portugal, que tem como objetivo “tornar o nosso país num hub internacionalmente competitivo”. Tudo para que esta sinergia ajude a ter empresas mais fortes e capazes de enfrentar o inquisitivo olho internacional da Web Summit. Porque a valia, essa, não se coloca em questão.

“Nada é mais importante do que boa preparação”, atira Carlos Oliveira. Não há outra forma de as nossas empresas terem um ganho efetivo com o grande evento que não passe pelo “aproveitamento das oportunidades paralelas que se proporcionam”, como reuniões com investidores ou com outras startups que podem dar conselhos valiosos. Este “networking pode fazer toda a diferença” entre o sucesso e o fracasso, porque “o bom empreendedor gosta é de gerir e controlar bem o risco”. Quando faltam apenas alguns meses, é importante que “estes detalhes estejam já no topo da agenda” e que não se espere apenas pelo dia de início. “Um stand só por si não significa nada”, acredita. “É a forma como se consegue surpreender além do que se conhece e vê que pode mudar tudo.” E aí regista “sinais muito interessantes.”

Não é por acaso que o Governo procura dar ferramentas às empresas para deixarem a melhor imagem possível. Um exemplo é o Road 2 Web Summit, que João Vasconcelos descreve como “um concurso nacional para selecionar startups portuguesas que mostrem o que de melhor se faz em matéria de empreendedorismo tecnológico”. Com candidaturas a decorrer até 31 de julho, os vencedores terão acesso gratuito ao certame. O secretário destaca ainda o Born from Knowledge, “que irá selecionar 2 mil voluntários entre alunos universitários que, a troco de um dia de trabalho, terão acesso gratuito nos outros dois dias”.

Ninguém duvida do impacto que o evento pode ter para dar ainda mais vigor ao empreendedorismo em Portugal. Não só na visibilidade mas também no efeito mola que pode ter nas estruturas que sustentam o sector. Só com um bom trabalho de base podemos ter esperança que se revele “um catalisador para todo o tecido empresarial”, diz Pedro Rocha Vieira. Para João Vasconcelos, não há dúvidas que vamos estar perante “um antes e um depois”. Até já vê no horizonte uma expressão definidora: “Geração Web Summit”.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 16 de julho de 2016