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Projeto Não Pares

Como os executivos mantêm a forma quando estão fora

Até janeiro, o projeto Não Pares dará, na Revista e no Expresso Diário, exemplos de empresas e CEO que lutam contra os maus hábitos da vida profissional. Nesta edição: histórias de gestores que têm espírito ativo

Maria Serina

João Couto, diretor-geral da Microsoft, tem ginásio em casa, mas quando viaja é nos ginásios de hotel que se põe em forma, geralmente ao final do dia. Com 44 anos, faz quatro horas de exercício por semana "para cuidar da saúde e controlar o stresse" e não abdica desta rotina quando viaja. Também gosta de correr na rua, mas está longe de levar o exercício tão a sério como Verónica Pestana, de 45 anos, que foi durante 14 diretora na Nokia e conta com quatro maratonas no currículo. Com uma média de 50 viagens por ano, procura hotéis com ginásio ou perto de parques para cumprir o objetivo de 40 km por semana, que precisa para "manter o equilíbrio". A sua joia mais preciosa é o relógio com GPS que lhe permite correr em qualquer cidade sem se perder.

No livro "Spark: The Revolutionary New Science of Exercice and the Brain", o especialista em Neuropsiquiatria John Ratey defende que o exercício reduz o stresse, melhora a memória e agiliza o raciocínio. Consciente disso, há 26 anos que Miguel Ribeiro Ferreira, 43 anos, chairman do grupo Fonte Viva, combate a fadiga e ganha energia e confiança para enfrentar os desafios diários com a prática de jiu-jitsu. Quando viaja para países onde conhece professores, leva o quimono, para os outros leva ténis e corre de manhã. "Quando não faço desporto sinto-me cansado e desmotivado", admite.

O equipamento de corrida também acompanha Jorge de Brito Pereira, sócio da PLMJ e chairman da NOS, nas viagens de trabalho. Corre sobretudo para se preparar para as maratonas, mas admite que o exercício tornou-o "mais perseverante, focado e menos ansioso". Estreou-se aos 39 anos em Londres, e desde então faz duas maratonas por ano. Em 2015 vai ter de treinar bastante para cumprir a meta que traçou: além da maratona de Estocolmo quer fazer um Half-Ironman, que o obrigará a nadar 1,9 km, pedalar 90 km e correr 21,1 km. Aos 47 anos continua a elevar a fasquia, provando que quem leva o exercício a sério não hesita em sair da zona de conforto.

Negócios sobre rodas

Francisco Magalhães Carneiro, 47 anos, já tem quem lhe empreste bicicleta em Nova Iorque e São Paulo para pedalar, pelo menos, uma hora por dia. O diretor central do BPI já fez quatro vezes o TransPortugal (1200 km em oito dias), prepara-se para o EOX240 (240 km feitos no Alentejo num só dia) e garante que o ciclismo é o novo golfe. "É bom para o corpo, para a cabeça e para os negócios", diz. Nos Estados Unidos e no Brasil é frequente treinar com CEO que também fazem ultramaratonas de BTT. As regras estritas de alimentação também o acompanham em viagem. Não segue uma "dieta feroz" o ano inteiro, mas nos meses que antecedem as provas tem de perder peso. Com os clientes, come sem restrições. Quando está sozinho faz dieta.

Para evitar deslizes e jejuns prolongados, Teresa Branco, fisiologista na gestão de peso no instituto com o seu nome, aconselha a que nas viagens de trabalho se levem alimentos saudáveis. Barras energéticas e bolachas de milho ou de arroz para trincar entre as refeições fazem parte da bagagem de Marco Dias, 40 anos, que viaja quase metade do mês e que no cartão de passageiro frequente tem a indicação de comida low fat. Habituado a sete horas de treino semanal, o diretor da Infosys não sai do hotel sem ter passado no ginásio e quando pisa o risco num jantar compensa com mais exercício no dia seguinte. Também Diogo Sousa-Martins, 37 anos, não abdica de meia hora de exercício matinal, nem que para isso "acorde às seis horas". Antes dos almoços de trabalho, o presidente mundial da Kemim Pharma come uma barra de cereais para acalmar a fome e durante as entradas aproveita para "falar de trabalho, para que o tempo passe mais depressa". Para Soledade Carvalho Duarte, managing partner da Invesco Transearch, é mais fácil controlar a dieta porque as suas viagens servem sobretudo para conhecer candidatos. Vai buscar energia para horas seguidas de entrevistas a um bom pequeno-almoço e a pequenas refeições ao longo do dia. Não se separa da garrafa de água e no quarto do hotel tem sempre fruta extra.