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Projeto 20+20

O astrofísico português financiado por Mark Zuckerberg

Os resultados da investigação de Nélson Nunes mostraram que o Universo não é composto somente por neutrões, protões e matéria escura

D.R.

O estudo da abundância das componentes do Universo valeu a Nélson Nunes o prémio Breakthrough 2015 que atribuiu três milhões de dólares (€2,40 milhões) a serem partilhados entre 50 cientistas

Espaço, a última fronteira. A mítica frase do genério de Start Trek pode ser um cliché simples para os mistérios do universo, mas é inegável que o grande horizonte das estrelas ainda contém muito por descobrir. Uma missão que continua a aliciar cientistas como Nélson Nunes. O astrofísico estuda a abundância das componentes do Universo e chamou a atenção de Mark Zuckerbeg.

O investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço foi um dos 50 distinguidos com o Prémio Breaktrough 2015, financiado pelo fundador do Facebook, no valor de três milhões de dólares (€2,40 milhões) a partilhar entre os premiados.

"Da mesma maneira que o capitão do navio sabe que está longe ou próximo da costa porque a intesidade da luz do farol é menor ou maior, respectivamente, nós podemos saber a que distância estão as supernovas (estrelas que explodem no fim da sua vida) medindo a sua luz. A distância a uma supernova depende da abundância das componentes do Universo e está relacionada com a sua velocidade de recessão resultado da expansão do Universo. Isto significa que se observacionalmente conseguirmos determinar esta relacao entre luminosidade e velocidade, podemos determinar a abundância das componentes do Universo", explica ao Expresso Diário.



De que somos feitos?

Os resultados da investigação de Nélson Nunes mostraram que o Universo não é composto somente por neutrões, protões e matéria escura como se pensava até ao fim da década de 90. Está a acelerar em vez de desacelerar, o que abre caminho para duas explicações: "A primeira, que o Universo é composto de uma quantidade chamada, energia escura, de pressão negativa que faz acelerar o Universo e que correspode a 70% de tudo o que existe nele. A segunda possibilidade, defende que é a interacção da Gravidade que tem um efeito repulsivo a distâncias cosmológicas. São estas ideias que são hoje comparadas com as observações e que estarão debaixo de escrutínio com as futuras missões.

"De que somos feitos e de onde viemos são as grandes perguntas que levaram o investigador ao domínio da Física de Partículas e Cosmologia e acabaram na associação ao Supernova Cosmology Project e ao prémio Breakthrough. A atribuição foi uma surpresa, mas serve de motivação e responsabilidade para continuar os seus estudos teóricos e ajudar a resolver mais questões relacionadas com o Universo.

A divulgação da astrofísica é também uma das paixões de Nélson Nunes e levou-o a planear um observatório astronómico para turistas, o Observatório do Lago Alqueva em plena Reserva Dark Sky no Alentejo. Tudo para que outros também possam conhecer a última fronteira.

 

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até 8 de janeiro