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Projeto 20+20

Nos EUA para criar a vacina contra a SIDA

Estudo do investigador português permitiu chegar a uma etrutura 3D de um anticorpo unido a uma proteína do virus

Reuters

Fernando Garces Ferreira encontra-se no The Scripps Research Institute a determinar os mecanismos de interação entre o sistema imunitário e o virus HIV para criar uma vacina

Gostaria de ver os meus esforços traduzidos numa vacina capaz de proteger a população humana da epidemia que é o HIV." É sem qualquer tipo de hesitação que Fernando Garces Ferreira confessa ao Expresso Diário o grande propósito do trabalho que o levou para San Diego, nos EUA, onde se encontra no The Scripps Research Institute a dar o seu contributo para erradicar a doença.Responsável pela morte anual de três milhões de pessoas em todo o mundo o vírus da imunodeficiencia humana continua sem cura e a constituir um encargo enorme para sistemas de saúde em todo o mundo.

Criar uma vacina é essencial e o investigador português quer que a sua pesquisa seja um elemento chave. "Queremos determinar os os mecanismos de interação entre o sistema imunitário e o virus HIV", explica. "Com a ajuda de técnicas altamente sofisticadas, como por exemplo a Difraç?o de raios-X (Biologia Estructural), temos como objectivo obter imagens de alta resolução dessa mesma interação. Isto permite-nos n?o só construir um mapa mais detalhado do que se passa a nível celular mas também permite desenhar estratégias mais eficazes de combate", conta.



De Londres à costa californiana

A estrutura 3D "three dimensional" de um anticorpo unido a uma proteína do virus HIV, desenvolvida por Fernando Garces Ferreira mostra a nivel atomico, "como é que o virus tenta escapar ao sistema imunitário e como é que este (sistema imunitário) desenvolve mecanismos para evitar que tal aconteça." O objetivo é, à falta de melhor expressão, ensinar o sistema imunitário a responder às diferentes fases da doença, para que o corpo do paciente consiga responder adequadamente à infeção. Um avanço que se pode revelar fulcral. A oportunidade de vir trabalhar para os EUA surgiu após quatro anos de pesquisa no The Institute of Cancer Research em Londres onde investigou a "interação de proteínas que tem uma relação directa com a origem de alguns tipos de cancro."

Um trabalho que lhe valeu reconhecimento no campo da imunologia e o levou a receber um convite para levar a sua experiência para a costa californiana, onde agora se encontra.Neste momento, regressar a Portugal é uma hipótese que coloca de parte, dada a diferença de condições existente: "Portugal tem excelentes investigadores, mas n?o tem investigação", atira.A missão de erradicar a SIDA continua a falar mais alto.

 

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até 8 de janeiro