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Projeto 20+20

Investigadora portuguesa inova no estudo do cancro gástrico

ADN: Interpretar dados de sequenciação de genomas é uma das atividades de Carla Oliveira

D.R.

Carla Oliveira dedica-se a estudar as alterações genéticas envolvidas em cancro gástrico com o para melhorar o diagnóstico e tratamento desta doença.

Melhorar as condições de vida das pessoas com cancro." O propósito de Carla Oliveira não deixa razão para dúvidas relativamente à missão da sua pesquisa. A investigadora do Ipatimup dedica-se ao estudo do cancro gástrico e às alterações genéticas na sua origem.

Num tipo de cancro que é o quinto mais comum em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, todos os avanços são essenciais. Um dos projetos em que Carla Oliveira está ativamente envolvida consiste na reunião de 500 familias de todo o mundo com excesso de cancro gástrico. Com financiamento da fundação norte-americana "No Stomach for Cancer"pretende descobrir, com recurso a sequenciação de genomas, as causas hereditárias que explicam a transmissão desta doença.

"Queremos identificar os genes que causam cancro gástrico hereditário e que permanecem desconhecidos", explica ao Expresso Diário. "Queremos também registar assinaturas genéticas simples e eficientes para estratificar doentes com cancro gástrico para terapia dirigida e identificar biomarcadores moleculares circulantes para prever o reaparecimento do tumor após cirurgia."

Espírito empreendedor

A investigadora encontra-se ainda num projeto financiado pela Start up Portuguesa Coimbra Genomics e pelo Beijing Genomics Institute "que pretende identificar uma forma racional de estratificar doentes de cancro de estômago com base na identificação de perfis moleculares específicos" e envolveu-se na criação de uma empresa spin-off do Ipatimup com o intuito de "usar os conhecimentos acumulados em Bioinformática e Genética para interpretar dados de sequenciação de genomas."

O prémio da Stomach For Cancer Foundation em 2014 encheu-a de responsabilidade e com ainda mais determinação para "fazer a melhor ciência possível" sem esquecer o espírito empreendedor que descobriu e que espera continuar a fomentar no seu grupo de trabalho.

A cientista acredita ser necessária uma estratégia de financiamento para projectos e bolsas de investigação que dê sustentabilidade investigadores para assegurar trabalho científico de interesse estratégico para as instituições e o país, sem deixar de chamar a atenção para a necessidade dos investigadores em "estreitar a colaboração com a Industria para gerar projetos de sinergia e angariar financiamento alternativo."

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até 8 de janeiro