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Projeto 20+20

Em Liverpool para descobrir o elixir da juventude

INGLATERRA: João Pedro de Magalhães está na Universidade de Liverpool desde 2008

D.R.

João Pedro de Magalhães investiga as razões do envelhecimento e como este pode ser travado com recurso à biologia molecular e bioquímica.

O interesse pela mortalidade surgiu quando era criança: "Foi quando me apercebi que todos envelhecemos e inevitavelmente morremos." Desde então que procurou dedicar-se a travar este processo e encontrar um 'elixir da juventude'. É o que atualmente faz na Universidade de Liverpool, onde se encontra desde 2008 a coordenar um grupo dedicado à causa.

 

"O principal objectivo do meu trabalho é desenvolver intervenções que preservem a saúde e aumentem a longevidade através da manipulação do processo do envelhecimento", garante ao Expresso Diário. "Combino métodos tradicionais de biologia molecular e bioquímica, principalmente em modelos celulares animais incluindo em células estaminais, com técnicas modernas de genómica e bioinformática. Gostava de compreender como o genoma regula o processo do envelhecimento."

O trabalho de José Pedro Magalhães ganha também destaque por não se focar num só modelo. Há uma preocupação em integrar dados e resultados de espécies diferentes, tecidos diferentes e métodos diferentes. Tudo porque "o envelhecimento é um processo muito complexo em que só após perceber como todas as peças do puzzle encaixam" é que vai ser possível compreender como o processo funciona e desenvolver terapias inovadoras de acordo com as conclusões.

Ratos-toupeira e baleias

Já com passagens pela Universidade de Namur na Bélgica e por Harvard nos EUA, João Pedro de Magalhães tem vindo a apostar num campo que era pouco explorado mas onde acreditava ser possível criar um antídoto semelhante aos "antibióticos para curar doenças infecciosas."

Encontra-se igualmente envolvido em projetos ligados a diversas vertentes do envelhecimento e doenças complexas, como o cancro e doenças neurodegenerativas. Espécies com uma grande longevidade, como os ratos-toupeira ou as baleias, estão também a ser alvo de estudos aprofundados por parte de José Pedro Magalhães e da sua equipa.

O futuro passa agora por perceber como traduzir todas estas descobertas em aplicações mais práticas que melhorem efetivamente a longevidade e qualidade de vida das pessoas. Para acalmar os anseios do menino que se questionava porque as pessoas morriam.