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Como a doença de Crohn se desvendou perante Henrique Veiga Fernandes

SURPRESA: novo foco de investigação surgiu quando a equipa de Henrique Veiga Fernandes se encontrava a estudar como o sistema nervoso regula células da medula óssea

D.R.

Ao analisar se a doença de Crohn seria induzida por alterações ambientais o investigador português inovou o estudo desta condição e foi premiado por uma associação norte-americana.

Com alguma frequência acontece que não somos nós que geramos a hipótese mas é ela que de alguma forma se desvenda diante de nós." A tirada filosófica de Henrique Veiga Fernandes refere-se à doença de Crohn e à inovadora investigação que tem conduzido e que já lhe valeu o Senior Research Award da Crohn's & Colitis Foundation of America.

A doença de Crohn tem como base respostas imunitárias desreguladas que levam a um processo inflamatório persistente do intestino. Bastante mais comum no mundo ocidental, é uma doença crónica que origina grande desconforto.

"Nós colocamos a hipótese de que a montante dos problemas inflamatórios estão alterações na ecologia do intestino, ou seja, mais do que uma doença imunitária, a doença de Crohn seria uma doença induzida por alterações ambientais. Portanto a inflamação seria uma consequência e não a causa da doença de Crohn", conta o investigador do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

Viagens dos glóbulos brancos

Este novo ângulo surgiu de forma inesperada, quando a equipa do cientista se encontrava a estudar como sistema nervoso regula células da medula óssea. Numa dessas experiências, notou-se que a alteração de elementos reguladores do sistema nervoso levava a um quadro severo de doença inflamatória intestinal. "Os dados estavam lançados..."

Um interesse antigo pelo campo da imunologia que surgiu quando Henrique Veiga Fernandes compreendeu que os glóbulos brancos viajam ininterruptamente pelo nosso organismo. Uma curiosidade que já levou a mais perguntas e a tentar estabelecer como o sistema imunitário socializa e interage com outros tecidos do organismo e como faz parte de outros hábitos de vida.

O prémio da associação norte-americana vem de um conjunto de doentes que alargou o seu apoio a investigadores de todo o mundo, algo que enche o português de orgulho. O financiamento resultante da distinção vai agora ser utilizado para levar a pesquisa para outro nível e ajudar na melhoria do tratamento e acompanhamento da doença de Crohn.

Quanto ao futuro, Henrique Veiga Fernandes deixa um desejo: "manter a curiosidade! A causa primeira do que faço."

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até 8 de janeiro