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Expresso

Projeto 20+20

A investigadora que estuda o sexo e a cidadania íntima dos europeus

Ana Cristina Santos lidera o primeiro estudo comparativo sobre cidadania íntima na Europa do Sul

D.R.

Investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra é responsável pelo INTIMATE, que recebeu €1,4 milhões para estudar processos de transformação da intimidade com experiências de vida de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgénero

Considero que a produção de conhecimento não pode ficar arredada da sua responsabilidade social que consiste, no meu caso, num contributo para desmontar preconceitos e procurar maior justiça social." É desta forma que Ana Cristina Santos explica o seu interesse por temas sociais ligados à diferença e descriminição que agora ganha nova dimensão através do INTIMATE - Citizenship, Care and Choice: The Micropolitics of Intimacy in Southern Europe, o primeiro estudo comparativo sobre cidadania íntima na Europa do Sul.A investigadora do Centro de Estudos Socias da Universidade de Coimbra recebeu um Research Starting Grant do European Research Council na ordem dos €1,4 milhões para analisar processos de transformação da intimidade a partir de experiências de vida de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT), considerando uma diversidade de modelos familiares e relacionais.

O projeto foi programado para durar cinco anos, durante os quais serão "realizados seis estudos comparativos em Espanha, Itália e Portugal sobre conjugalidade lésbica, poliamor, procriação medicamente assistida e 'barrigas de aluguer', atribuição de nome a criança, redes de cuidado entre pessoas transgénero e coabitação entre amigos/as em idade adulta", conta.A iniciativa contempla também uma componente educativa com diferentes atividades  como Estágios de Verão Ciência Viva e sessões com estudantes do ensino secundário com o programa "CES vai à Escola".

A questão da cidadania íntima esteve sempre no centro da atividade de Ana Cristina Santos, como o demonstra um trabalho desenvolvido entre 2012 e 2014, com financiamento do FCT, sobre "mulheres, deficiência e sexualidade", que agora vai resultar na publicação de várias trabalhos resultantes da análise de dados recolhidos, sobre um "tema ainda tabu." Coordena igualmente o programa de doutoramento Human Rights in Contemporary Societies, que arrancou em 2013/14 no Centro de Estudos Sociais e é corresponsável pelo Núcleo de Investigação em Sexualidade da Associação Europeia de Sociologia.

"Dadas as circunstâncias sexistas e homofóbicas com que nos deparamos quotidianamente, trabalhar sobre género e sexualidade é uma forma de exigir que o princípio de que todos/as somos iguais não seja apenas um preceito constitucional. São temas caracterizados por um legado de discriminação que afeta a dignidade humana e constrange o direito à liberdade. Tais constrangimentos são incompatíveis com uma sociedade que se quer inclusiva", acredita.

 

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