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A cientista de Abrantes que conquistou a Europa na luta contra a diabetes

PRÉMIO: Joana Gaspar a receber a distinção europeia que destacou o seu inovador projeto de investigação sobre a diabetes

D.R.

Investigadora estuda alimentos que aumentam a sensibilidade à insulina e tornou-se recentemente a primeira portuguesa a receber o Prémio Europeu em Diabetes para Jovens Investigadores da Federação Internacional de Diabetes.

"Desde o início da minha carreira sempre me interessei por compreender as complexidades da diabetes e suas complicações associadas." É desta forma simples que Joana Gaspar explica ao Expresso como se iniciou na investigação da doença que a converteu, em novembro, na primeira cientista portuguesa a receber o Prémio Europeu em Diabetes para Jovens Investigadores da Federação Internacional de Diabetes.

Atualmente Joana está num pós-doutoramento no Centro de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciência Médicas da Universidade Nova de Lisboa. O percurso na investigação da cientista de Abrantes começa em 2005, no Alentejo. No estágio de licenciatura envolve-se em projetos de retinopatia diabética, estudando principalmente a degeneração da retina causada pela diabetes.

Um caminho que a haveria de conduzir ao seu atual projeto onde, em conjunto com a sua equipa, procura descobrir "novos fatores fisiológicos que estejam envolvidos no aumento da sensibilidade à insulina, de modo a prevenir e superar a resistência inicial que está associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2."

"O foco da nossa equipa de investigação está em estudar a resposta à ingestão de determinados nutrientes. O fígado é um dos órgãos chave que integra estes sinais alimentares, permitindo uma melhor sensibilidade à insulina por parte de outros órgãos. Estudos recentes mostram que grande parte da insulina secretada é captada e metabolizada (degradada) pelo fígado o que leva à produção de novas moléculas que aumentam a sensibilidade à insulina, contribuindo para uma regulação mais eficaz dos níveis de glicose após as refeições", explica.

Uma em cada dez pessoas

A inovação da investigação reside no facto de se tratar de um projeto translacional, em que se estudam estes sinais em modelos celulares de animais e ao mesmo tempo de humanos o que permite averiguar a aplicabilidade destes marcadores na prática clínica e, potencialmente, desenvolver novos tratamentos que podem ajudam a prevenir a progressão da diabetes tipo 2.

A doença crónica mais comum em todo o mundo, a diabetes afeta mais de 60 milhões de pessoas em toda a Europa, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, "e uma em cada dez pessoas em Portugal."

A investigadora realça que mais de metade dos afetados pela doença ainda não foi diagnosticado o que dificulta o combate contra o flagelo. "Assim a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas, especialmente por ser uma doença silenciosa, com inúmeros fatores e que afeta todos os órgãos",acredita.

O prémio enche, por isso, Joana de orgulho e responsabilidade para a continuação deste projeto, que deve apresentar resultados práticos no prazo de um ano.

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até oito de janeiro