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A chave da malária nas mãos de Maria Manuel Mota

A Diretora Executiva do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa quer que a instituição seja líder europeia na investigação biomédica

Alberto Frias

Vencedora do Prémio Pessoa em 2013 quer descobrir como o parasita da malária sobrevive no organismo humano para desenvolver soluções mais eficazes para a doença

Bastou ver uma imagem de um parasita a viver numa célula humana para se interessar pela forma como dois organismos interagem um com ou outro. "A malária em si surgiu por um convite mas rapidamente me apaixonei", conta ao Expresso Diário Maria Manuel Mota. A vencedora do Prémio Pessoa em 2013 quer compreender como é que este parasita se instala no nosso organismo mas sob o ponto de vista do hospedeitro humano para desenvolver estratégias de bloqueio que poderão ser usadas no combate à infeção e à doença.

"Olhamos para uma doença infecciosa sob o ponto de vista do hospedeira e não do agente infeccioso. A grande maioria da investigação em doenças infecciosas olha como é natural para o agente infeccioso pretendendo saber como este se instala e causa doença. Nós colocamos sempre como hipótese que um mesmo agente infeccioso pode estabelecer-se ou causar doença (ou não) de forma distinta dependendo do hospedeiro onde está. Mais recentemente estamos também cada vez mais interessados em compreender como é que o ambiente que rodeia esse mesmo hospedeiro afecta a infeção", revela a Diretora Executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa.



Surpresa, satisfação, responsabilidade

A ideia de olhar para o papel do hospedeiro surgiu através de uma experiência simples depois do pós-doutoramento que a fez pensar no potencial deste campo de pesquisa, em oposição ao que era mais prevalecente na altura."A nossa curiosidade tem-nos levado a fazer perguntas simples mas fundamentais. Muitas vezes perguntas que foram feitas há várias décadas mas que na altura não obtiveram resposta pois não havia o necessário conhecimento ou ferramentas que permitissem obter a resposta e acabaram por ser esquecidas."

A atribuição do prémio Pessoa em 2013 apanhou Maria Manuel Mota de surpresa mas encheu-a, primeiro de satisfação. Mais tarde, de maior responsabilidade. Além da preocupação em encontrar soluções duradouras com a sua pesquisa, a diretora do IMM quer que a instituição se torne um dos líderes europeus na investigação biomédica.

 

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