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Expresso

Projeto 20+20

Empresários querem investir €7 mil milhões

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Projetos da indústria transformadora e na região Norte lideram corrida aos novos incentivos europeus do Portugal 2020. Aprovados €700 milhões em 2015

Vontade de investir é o que não falta nos concursos que dão acesso aos novos fundos europeus do Portugal 2020.
Desde que a corrida aos novos sistemas de incentivos empresariais começou nos últimos dias de 2014 já se registaram mais de 12 mil candidaturas que se propõem a investir €7,1 mil milhões na economia portuguesa com o apoio deste dinheiro de Bruxelas.

Em cada dez propostas de investimento, cinco vêm de microempresas, três de pequenas empresas e uma de empresas de média dimensão. Quanto ao bolo do investimento, as fatias são praticamente iguais: as médias empresas estão prestes a atingir €1,6 mil milhões de intenções de investimento enquanto as micro, as pequenas e as grandes empresas já ultrapassaram a barreira dos €1,7 mil milhões em candidaturas às dezenas de concursos que entretanto abriram durante o ano 2015.

No final de 2015, €700 milhões de incentivos europeus já tinham sido aprovados a mais de 3200 projetos de investimento. Em número de projetos, os investimentos na qualificação ou internacionalização de micro, pequenas e médias empresas (PME) dominam com dois terços dos projetos aprovados. Em valor, os projetos de inovação produtiva respondem por mais de metade dos incentivos aprovados.

Indústria lidera
A indústria transformadora lidera a corrida aos novos fundos europeus e está a captar 75% dos incentivos já aprovados, com destaque para as fileiras metálica, do têxtil, do vestuário e do calçado, da borracha e plásticos, da mecânica e eletrónica e do papel e publicações. Os projetos de investimento incidem sobretudo em bens intermédios e de processamento regional e de média e baixa intensidade tecnológica. Até ao final de 2015, o comércio captara 4% dos incentivos já aprovados e o turismo também, respondendo os restantes serviços por 8% deste bolo de fundos europeus.

Segundo o Compete 2020, já há grandes projetos que, pela maior dimensão do investimento, não cabem nos normais concursos mas implicam negociações mais exigentes com a AICEP, ao abrigo do regime contratual de investimento. É o caso da Embraer Estruturas Metálicas, a Embraer Estruturas em Compósitos, a Altran, a Faurécia, a Mecachrome Aeronáutica, a Renova, a Continental Mabor, a Renault Cacia e a Tec Pellets.

Norte à frente
Os novos sistemas de incentivos do Portugal 2020 têm o sotaque do Norte. A região está a captar 47% dos incentivos já aprovados ao investimento empresarial neste novo quadro para 2014/2020, seguida da região Centro com 33%, do Alentejo com 7% e do Algarve com 1%. Até ao final de 2015, 13% dos incentivos destinaram-se a projetos “multirregiões”.
Um zoom ao mapa de Portugal revela que um em cada cinco euros dos incentivos já aprovados teve como destino a Área Metropolitana do Porto. Segue-se o Ave com 10%, Aveiro com 9%, o Cávado com 8% e Leiria com 7%. Estas são as regiões mais vibrantes dos sistemas de incentivos do Portugal 2020. Juntas, respondem por mais de metade dos incentivos e das candidaturas, seja em número seja em propostas de investimento, tendo já captado mais de €380 milhões dos novos fundos europeus para as empresas.

Mais concursos em 2016
Os sistemas de incentivos do Portugal 2020 têm perto de €4 mil milhões para apoiar o investimento empresarial e a nova ronda de concursos começa dentro de momentos.
Nas próximas semanas, deverão abrir candidaturas a novos fundos europeus para empresas interessadas em investir nos domínios do empreendedorismo, da inovação produtiva, da internacionalização e da qualificação das PME ou da investigação e desenvolvimento tecnológico (I&DT), sejam projetos individuais, núcleos de I&DT ou programas mobilizadores.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 22 de janeiro de 2016