Siga-nos

Perfil

Expresso

Iniciativas e Produtos

As dez tendências que vão marcar 2017

Luis Barra

O balanço da conferência “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”, uma parceria entre a CBRE e o jornal Expresso, que decorreu no dia 31 de Janeiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa

Rute Barbedo

1. Desde a chegada de Donald Trump ao poder presidencial até ao Brexit, “todos os fatores pressionam para o aumento das taxas de juro praticadas pelos bancos”, um fenómeno que poderá fazer-se sentir no país em 2017, abalando o mercado imobiliário, segundo Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso e moderador da conferência “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”. E porque a perceção externa depende do conceito de segurança, “o Governo está a tentar criar uma narrativa para o exterior” na qual encaixa o tema da estabilidade política e social.

2. O diferencial das taxas de rentabilidade (yields) de Portugal em relação a outros países da Europa ocidental, particularmente Espanha, joga a favor do mercado imobiliário nacional, que mostra estar num momento de “muita liquidez” e segurança, de acordo com a análise de Cristina Arouca, diretora da área de Research da CBRE. Neste campo, destaca-se a estabilização das yields prime com uma expectativa de retorno assente no crescimento das rendas. “No sector dos escritórios estamos a negociar com alguns clientes com retornos abaixo de 5%, para não falar do retalho de rua em que as yields se fixarão nos 4,5%. E há transações em logística abaixo dos 6,75%”, pormenorizou Nuno Nunes.

3. “Com taxas de capitalização tão baixas, estamos a ver a saída de alguns investidores, como os americanos, que foram dos principais em 2015”, destacou Cristina Arouca. Mas se o interesse do mercado norte-americano é decrescente, Nuno Nunes apontou o domínio de outros investidores core ou core plus em 2016, como foram o caso de empresas como a AXA, a Merlin ou o Deutsche Bank. São nomes que deverão continuar a fazer-se ouvir durante este ano, com a adição de “players menores” de outras origens, com destaque para a Ásia.

4. No ano passado, foram ocupados cerca de 144 mil metros quadrados de escritórios, um número que não fugiu muito à realidade de 2015 mas que, segundo Cristina Arouca, “ainda está longe” do cenário pré-crise económica. A escassez de oferta é o que mais preocupa neste segmento e vai continuar a sentir-se até 2018. Apesar de a área procurada rondar os 100 mil metros quadrados, sobretudo em Lisboa e no Porto, “os edifícios não se constroem num estalar de dedos”, justificou André Almada, senior director de Advisory & Transactions.

5. Se a curto prazo as previsões são de crescimento económico e de emprego, o quadro deverá afetar positivamente o plano empresarial. Recentemente, Portugal tem conseguido atrair agentes europeus – como o BNP Paribas ou a Teleperformance – que viram nos preços baixos do parque imobiliário e na elevada taxa de desemprego de uma população qualificada e com domínio de línguas estrangeiras janelas de oportunidade. O fenómeno dinamizou as duas maiores cidades, Lisboa e Porto, mas pode não ficar por aqui. “Ainda não descobriram o interior do país”, avisou André Almada. Resta ao país crescer nos valores de contratação, que em 2016 atingiram os 16 euros por metro quadrado.

6. 2017 deverá ser um “ótimo ano para o comércio de rua”, acredita Carlos Récio, diretor de Retail Agency. Com o crescimento do turismo, o investimento no plano da reabilitação urbana (que disponibilizará novos ativos e oportunidades) e a requalificação de partes específicas de algumas cidades (como aconteceu recentemente na zona do Saldanha, em Lisboa), o espaço público mostra-se tendencialmente dinâmico, com destaque para o florescimento de negócios na área da restauração. Perante este quadro, “as rendas não podem deixar de subir”, sublinhando-se o potencial de valorização em 15 a 20% na zona do Chiado, em Lisboa, destaca Carlos Récio.

7. O que acontecerá na esfera dos centros comerciais? Em 2017, sabe-se que Loulé irá receber o MAR Shopping Algarve e que no Alentejo será inaugurado o Évora Shopping, mas dada a maturidade deste mercado, poderemos estar a entrar num período mais fértil para as expansões e requalificações de estruturas já existentes. Como explica Carlos Récio, “cada vez mais os clientes querem experiências”, portanto, as atualizações de espaços como praças de alimentação ou zonas de lazer poderão ser diferenciadoras na escolha de um centro comercial, já que a oferta de lojas é “muito similar”. A ascensão do comércio online não é, para já, uma preocupação em Portugal.

8. Há sensivelmente quatro anos que não são construídos novos armazéns de grande dimensão no território nacional, mas perante o crescimento das empresas de grande distribuição, deveremos assistir a uma promoção imobiliária neste segmento. “A Jerónimo Martins e a Mercadona (que está a entrar pelo Norte do país) estão a investir e precisam de grandes plataformas logísticas”, lembra Nuno Pereira da Silva, diretor associado da Industrial & Logistics Agency. Por isso, “claramente, tem de haver construção”, que deverá iniciar este ano para dar lugar à ocupação dos novos espaços em 2018.

9. O plano da habitação tem assistido a uma recuperação que culminou em mais de 130 mil fogos vendidos no ano passado (um aumento de cerca de 20% face ao ano anterior). No entanto, a oferta atual é “reduzida e pouco diversificada”, apresentando tipologias e áreas “relativamente pequenas”, nota Frederico Mendonça, diretor da Residential Agency. Estando a reabilitação confinada a uma pequena escala e sendo a construção residual, prevê-se a continuação da curva de crescimento mas não num ritmo suficientemente elevado para responder à procura. O investimento continua a ser sobretudo estrangeiro e de agentes nacionais que veem no plano imobiliário uma área segura de aplicação financeira. Neste plano, os franceses continuam a ganhar terreno (ainda que o movimento possa ser influenciado pelos resultados das eleições presidenciais deste ano) e o mercado turco surge como uma nova tendência.

10. 2016 fica marcado por mais um recorde no plano do turismo: Portugal registou 53 milhões de dormidas, mais 10% do que no ano anterior. E para este 2017 a previsão é de um novo aumento de dez por cento no campo da procura, acompanhado de mais 5% de capacidade hoteleira, o que permitirá aumentar os preços médios de estadia, sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve. No ano em que se espera a revisão da legislação que abrange o alojamento local, a perceção de Eduardo Abreu, parceiro da Neoturis, é de que iremos assistir a um abrandamento da criação de novas unidades inseridas nesta categoria, bem como da saída de cena dos alojamentos menos profissionalizados.