Anterior
João Pereira, a identidade e as fugas de informação
Seguinte
Custódio: "Ambiente porreiro" e "Ronaldo que ninguém consegue parar"
Página Inicial   >  Dossiês  >  Dossies Desporto  >  Euro 2012  >  Inglaterra volta a cair num 'precipício' de 11 metros

Euro 2012

Inglaterra volta a cair num 'precipício' de 11 metros

Itália elimina Inglaterra e marca nova cimeira com Alemanha nas meias-finais do Euro. Buffon, Pirlo, Balotelli e Diamanti foram os 'Quatro Magníficos' que mantiveram os transalpinos na senda dos Invencíveis; Young e Cole os dois vilões que colocaram os ingleses na rota... de casa.

Clique para visitar o dossiê Euro 2012
|
Festa italiana
Festa italiana /  Kerim Okten/EPA
Classe: Pirlo bateu um penálti "à Panenka"
Classe: Pirlo bateu um penálti "à Panenka" / Fehim Demir/EPA

Clique para aceder ao índice do Dossiê Euro 2012
A história da squadra azzurra dava um livro aos quadradinhos, com duas personagens mais velhas (Buffon, o 'Plastic Man'; Pirlo, um autêntico Super-Homem com nervos de aço) e uma mais nova (Balotelli, ex-Super Mario agora relegado a Peter Pan). Mas o Euro-2012 trouxe mais uma figura - Diamanti, o avançado do Bolonha que valeu ouro após marcar o penálti decisivo no desempate. Eis os 'Quatro Magníficos' que mantêm a Itália na senda dos Invencíveis e a colocaram agora na rota da única equipa apenas com vitórias na prova: a Alemanha.

Roy Hodgson, que ainda não tinha perdido ao serviço da seleção inglesa, acabou por ficar refém da sorte quando voltou a assumir a 'italianização' do futebol britânico - linhas recuadas, pouca profundidade do ataque, 37% de posse de bola... - e teve azar ao cruzar-se de novo com o precipício dos 11 metros que condena sempre o conjunto dos três Leões à eliminação em fases finais do Euro: foi assim em 1996, com a Alemanha (meias-finais); foi assim em 2004, com Portugal (quartos-de-final); foi assim agora, contra uma Itália que não conseguiu quebrar o nulo ao longo de 120 minutos mas contornou o infortúnio do desempate nas grandes penalidades (em 2008, foi afastada assim pela Espanha)   

O MINUTO 101', quando um bom cruzamento de Diamanti só não se tornou um belo golo por culpa do poste, que voltou a ajudar Joe Hart quando nem o golpe de vista lhe valia. Os tempos do golo de ouro - o fator que, por exemplo, deu o título à França em 2000 contra... a Itália - já lá vão mas o avançado do Bolonha poderia ter 'acabado' com a partida em cima do intervalo do prolongamento 

O MOMENTO Os primeiros cinco minutos de jogo, com uma intensidade supersónica e tudo o que se gosta no futebol - oportunidades (De Rossi acertou no poste logo aos três minutos, Buffon fez uma grande defesa só com uma mão a um remate à queima de Glen Johnson logo a seguir), passes certos, diagonais, pressão, futebol corrido (nem uma falta para amostra nesse período). Ou quase tudo: faltou o golo que mudaria tudo 

O HERÓI Buffon, que já tinha feito uma defesa 'impossível' logo no início do encontro e teve papel preponderante no desfecho das grandes penalidades ao travar a marcação de Ashley Cole. Buffon e Pirlo, claro - depois de ter enchido o campo de classe, transformou o seu penálti com grande categoria à Panenka... quando a Itália estava a perder 

A ESTRELA Mario Balotelli, o Peter Pan que voltou a ser Super Mario dentro do jogo que ele gosta, sempre atrás do cogumelo com pontos extra - o golo. E foi sempre a subir: nas primeiras ações, o disco rígido fez reset na altura de passar de nível (remate do nada tão fraco que mal chegou à baliza; remate falhado por corte da defesa britânica quando estava isolado); a seguir, sonhou tão alto que os disparos, dentro e fora da área, saíram por cima da baliza; por fim, só falhou o bónus especial da exibição porque apanhou pela frente uma parede intransponível chamada Joe Hart. Certo é que a squadra azzurra teve o melhor de Balotelli e nem sempre Balotelli teve o melhor da squadra azzurra 

O JOKER Walcott, pela Inglaterra; Diamanti, pela Itália. Quando metade dos jogadores já estava com o depósito na reserva e a outra metade a poupar gasolina para aguentar o prolongamento sem gripar o motor, os avançados aceleras travaram um duelo individual em torno de quem conseguia quebrar os 'tratores' defensivos contrários. E uma coisa é certa: não marcaram nem fizeram assistências para golo (pelo menos concretizadas) mas foram os únicos capazes de evitar que os últimos 30 minutos fossem jogados a dez à hora 

Kerim Okten/EPA Buffon foi um dos heróis italianos

O VILÃO Há uma expressão que caiu em desuso no futebol mas que andava pelo top-5 no dicionário do 'futebolês' - os setores assimétricos de uma equipa, sobretudo no meio-campo. No caso inglês, não é tanto assim a nível do modelo de jogo mas torna-se assim no plano das características dos seus intérpretes. É aqui que entra Ashley Young, extremo a quem se pedia mais para esticar o futebol inglês uns 20 metros (até porque marcou alguns golos nessa posição pelo Manchester United). Porque se é certo que, na filosofia de Hodgson (qualquer parecença com a que utilizava na sua ex-equipa, o West Bromwich, pode não ser mera coincidência), as linhas atuam mais recuadas do que é normal, também é verdade que os alas não devem servir apenas para compensar. Young só desequilibrou uma vez - quando atirou a sua grande penalidade à trave e permitiu que a Itália entrasse de novo na discussão da eliminatória...

O SEGREDO A 'italianização' do futebol britânico. Esqueça aquela máxima do 'kick and rush' - que, verdade seja dita, soava melhor fonética do que visualmente -, o modelo de jogo inglês mudou com os tempos: a equipa joga com linhas mais baixas, os extremos são 'calmantes' dos laterais e não 'muletas' dos avançados; os elementos adiantados andam muitas vezes a proteger os homens recuados (Welbeck e Carroll, por mais do que uma vez, foram 'safar' a defesa nas bolas paradas e corridas). Mas é essa faceta mais pragmática que permitiu à equipa dos três Leões (que cantou toda o hino, como Hodgson pedira) recuperar os pergaminhos da altura em que tudo andava à volta do... 'kick and rush' 

O ERRO Não fazer um último 'forcing' para evitar o prolongamento: do lado inglês, com Gerrard preso por arames a arrastar-se com cãibras e Scott Parker sem pulmão para dar gás ao meio-campo, a atitude nos últimos minutos do tempo regulamentar foi a do pontapé para a corrida de Walcott, fé em Deus e... zero riscos de pecado nas transições defensivas; do lado italiano, com Balzaretti a nem saber já de que zona do corpo se devia queixar e Montolivo com o depósito na reserva, a postura nos últimos minutos do tempo regulamentar foi a do passe curto à frente, fé em Deus e... zero riscos de pecado nas transições defensivas. Os trinta minutos de prolongamento foram assim um... sacrifício

O NÚMERO 2, o número de cartões mostrados por Pedro Proença, que fez o último encontro no Euro em virtude da presença de Portugal nas meias-finais da competição. E foi sempre a subir, tal como a própria Seleção: nota 3 no Espanha-Rep. Irlanda; nota 3,5 no França-Suécia; nota 4 no Inglaterra-Itália. Passou todos os exames na primeira vez que esteve na escola das grandes competições por seleções sem favores nem cábulas. Ele e os auxiliares - o golo anulado a Nocerino (115') não era fácil mas foi mesmo ilegal 

O ACONTECIMENTO A Inglaterra até consegue mais ou menos equilibrar as contas nos encontros com a Itália: em 23, entre oficiais e particulares, ganhou sete, empatou sete e perdeu nove vezes. Ok, fica a perder mas nada que deixe muito corado as caras típicas dos ingleses, com pele tipicamente branquinha, que precisam de pouco para mostrarem a sua vergonha. O problema mesmo é quando entramos no domínio das decisões na fases finais - aí, a Itália ganhou 1-0 no Euro-1980 (Tardelli) e 2-1 no Mundial-1990 (Baggio e Schillaci; Platt). Sempre em solo transalpino 

O AMANHÃ Segue-se a Alemanha para a Itália e o regresso a casa para a Inglaterra. Mas, para uns e para outros, o díficil mesmo será o dia de amanhã. Literalmente - o desgaste após 120 minutos intensos de futebol foi mais que muito e, no caso dos transalpinos, terão ainda dois dias a menos para recuperar até à meia-final... 

FICHA DE JOGO Estádio Olímpico de Kiev (Ucrânia). Árbitro: Pedro Proença (Portugal). Inglaterra: Joe Hart; Glen Johnson, John Terry, Lescott, Ashley Cole; Scott Parker (Henderson, 94'), Gerrard, Milner (Walcott, 61'), Ashley Young; Rooney e Welbeck (Carroll, 60'). Treinador: Roy Hodgson. Itália: Buffon; Abate (Maggio, 90+1'), Barzagli, Bonucci, Balzaretti; Pirlo, Marchisio, De Rossi (Nocerino, 80'), Montolivo; Cassano (Diamanti, 78')e Balotelli. Treinador: Cesare Prandelli. Cartões amarelos: Barzagli (82') e Maggio (94'). Grandes penalidades: Balotelli (marcou, 0-1); Gerrard (marcou, 1-1); Montolivo (atirou ao lado, 1-1); Rooney (marcou, 2-1); Pirlo (marcou, 2-2); Ashley Young (atirou à trave, 2-2); Nocerino (marcou, 3-2); Ashley Cole (Buffon defendeu, 3-2); Diamanti (marcou, 4-2) 


Opinião


Multimédia

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

Todas as ilhas têm a sua nuvem

Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica. Obrigatória para projetos de férias de natureza.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.


Comentários 3 Comentar
ordenar por:
mais votados
Re: Inglaterra volta a cair num 'precipício' de 11
Mas que conversa...parece que a Inglaterra teve muito azar e acabou por perder na lotaria dos penalties...a Inglaterra foi totalmente dominada pela Italia...os numeros falam por si...muita sorte sim teve a Inglaterra por nao ter saido derrotada no tempo regulamentar por 4 ou 5 golos de diferenca...o terem ido aos penalties foi uma benesse que a inglaterra nao merecia...
Re: Inglaterra volta a cair num 'precipício' de 11
Re: Inglaterra volta a cair num 'precipício' de 11
Comentários 3 Comentar

Últimas

Ver mais
Receba a nova Newsletter
Ver Exemplo

Pub