Bruxelas foi o ponto de convergência de vários grupo de indignados europeus que hoje desfilam pelas ruas da cidade, num protesto que se dirige para o bairro onde estão concentradas as instituições europeias.
Os primeiros grupos começaram a chegar à capital belga no último sábado, dia 8 de Outubro, onde tentaram acampar num parque. Impedidos pela polícia, que efectuou várias detenções, acabaram por instalar o seu quartel-general nas instalações de uma universidade desactivada, cedidas pela cidade, num espaço que baptizaram "Ágora Bruxelas", numa alusão ao epicentro do funcionamento democrático da antiga pólis grega.
A mobilização para o protesto de hoje ultrapassa milhares de pessoas, acima das centenas esperadas. De acordo com os próprios organizadores, ao longo da última semana a Ágora contou com 300 a 400 participantes, a que entretanto se juntaram outras tantas pessoas de marchas provenientes dos países vizinhos, Alemanha e Holanda.
O desfile arrancou às 13h30 (12h30 em Portugal) da estação de comboio Gare du Nord, atravessa o centro da cidade e dirigir-se-á para a Rotunda Schuman, onde estão concentradas as sedes da Comissão Europeia, do Conselho de Ministros da União Europeia e de outras instituições comunitárias.
A presença dos Indignados na capital belga ao longo da última semana foi bastante discreta, mas desde quinta-feira o movimento ganhou uma projecção mediática relevante, na sequência de uma acção de protesto levada a cabo nas instalações do banco franco-belga Dexia, recentemente alvo de intervenção pelos governos destes dois países. Um polícia à paisana foi filmado a pontapear na cara uma manifestante de origem grega que estava sentada no chão, com as mãos algemadas atrás das costas. As imagens foram profusamente difundidas pelas diferentes televisões e o agente foi entretanto detido.