O suspeito de ter ateado o incêndio de Castro Daire, o principal fogo florestal ainda a decorrer em Portugal, detido ontem pela Polícia Judiciária, cumpria pena em regime de dias livres quando, supostamente, desencadeou as chamas.
Em causa estão dois incêndios alegadamente ateados pelo jovem detido, a 10 e 16 de Agosto, que destruíram mais de 50 hectares de floresta e mato.
O detido tinha ateado outro incêndio em Castro Daire em 2005, segundo revelou ao Expresso fonte da Polícia Judiciária. A mesma fonte adianta que no fim de semana, aproveitando uma saída graças ao regime de prisão por dias livres de que beneficiava há algum tempo, o jovem terá tido a oportunidade de desencadear este incêndio de grande monta.
O regime de prisão por dias livres permite aos condenados cumprirem a pena nas datas que lhes são mais convenientes, depois de negociadas com o tribunal. Podem desse modo manter o posto de trabalho e contactos com a sociedade para facilitar a sua reintegração.
Suspeito tem cadastro
O suspeito em causa, de nome próprio Marco, de 32 anos, trolha, está nesne momento a ser ouvido no Tribunal Judicial de Castro Daire e tem cadastro por crimes de fogo posto, furto e condução de automóveis em estado de embriaguez, ainda segundo a Polícia Judiciária.
O suspeito de ter ateado o maior incêndio florestal em curso em Portugal - dominado cerca das 10 horas de hoje e já em fase de rescaldo - reside em Castro Daire e foi detido pela PJ do Porto.
É o único suspeito de ter ateado o fogo que ontem se reacendeu, na aldeia de Aguadalte, freguesia de Moledo, Castro Daire.
Fogo dominado com recurso a aviões
O incêndio iniciou-se domingo, teve várias frentes ativas e deixou em pânico as populações, obrigando até a accionar o Plano Municipal de Emergência de Castro Daire.
É o principal incêndio florestal em curso, segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil, mobilizando neste momento ainda cerca de duas centenas de bombeiros e outros elementos da Protecção Civil, com meia centena de viaturas.
O reacendimento levou à intervenção de dois aviões bombardeiros pesados Canadair e ainda de elementos oriundos do Grupo de Reforço para Combate a Incêndios Florestais.
Jovem de 16 anos detido em Viseu
Além do caso de Castro Daire, a Directoria do Centro da PJ deteve um jovem de 16 anos suspeito de seis crimes de fogo posto, entre 12 e 15 de Agosto.
A detenção, em colaboração com a GNR de Viseu, permitiu concluir que teria sido "a atracção pelo fogo e aparato dos bombeiros", que levou o jovem a atear o incêndio, com um isqueiro, na localidade de Rio de Loba, Viseu, segundo a PJ de Coimbra.
22 detidos e nove em prisão preventiva
Segundo a PJ, foram já detidos neste período 22 pessoas (maioritariamente homens) suspeitos de incendiar florestas e mato, nove dos quais estão em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária salienta que face às investigações em curso e com o reforço de meios humanos (mais brigadas no terreno) possa haver novas detenções nos próximos dias.