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In memoriam D. Adelina Pires MBE

In memoriam D. Adelina Pires MBE

Morreu a D. Adelina.  Tinha 100 anos e dedicou 70 anos da sua vida a cuidar do cemitério britânico em Lisboa.

19:22 Terça feira, 16 de novembro de 2010
Sra Adelina Pires, 1996
Sra Adelina Pires, 1996
Foto gentilmente cedida por Jorge Paula, fotografo do Correio da Manhã

  A Sra  Adelina Pires, guardiã do Cemitério Britânico em Lisboa, que dedicou mais que 70 anos da sua vida a cuidar e a guardar este Cemitério  em Lisboa, morreu na semana passada com a bonita idade de 100 anos.  Tinha sida condecorada por Sua Majestade Britânica, a Rainha Isabel II, em reconhecimento dos serviços prestados à comunidade britânica em Portugal.

Bem merecia esta condecoração. A Sra Adelina foi desde há longos anos uma figura muito conhecida e estimada no seio da comunidade britânica em Portugal, pela sua dedicação à Igreja e ao Cemitério Britânico em Lisboa, sendo considerada como um marco importante na presença britânica em Portugal.  A Sra Adelina veio viver para o jardim do Cemitério Britânico em 1937 quando casou com Pedro Pires, na altura sacristão e fabricante de caixões.  Posteriormente, trabalhou como encarregada da limpeza da Igreja de São Jorge (Estrela) e como empregada doméstica de diversos padres da Igreja Anglicana. Após a morte do seu marido, ela continuou a trabalhar cuidando da Igreja e do Cemitério, sem receber qualquer salário.  Até quase ao dia da sua morte, apesar da sua idade avançada, ela continuava a prestar serviço no Cemitério de forma leal e dedicada.  A Sra Adelina foi, e é, extremamente apreciada pelos preciosos conhecimentos que foi acumulando ao longo da sua vida sobre o Cemitério Britânico, sobre a presença de famílias britânicas em Portugal e sobre as personalidades britânicas de relevo que morreram em Portugal e ali foram enterradas. Ela foi sempre uma guardiã dedicada, tendo estado permanentemente disponível ao longo dos anos para orientar todos aqueles que quiseram visitar o Cemitério e para partilhar com eles todos o seus conhecimentos e as suas valiosas memórias.

Tal como o personagem Firs na peça "O Ginjal" (ou o Pomar das Cerejas) de Tchekhov, a Sra Adelina  estava profundamente enraizada na terra que a rodeava; fazia parte integrante do cemitério e era difícil distingui-la dele.  Mas ao contrário do personagem naquela peça de teatro, a Sra Adelina  não foi nem será esquecida -  longe disso; ela continua a fazer parte do seu sítio, um oásis em termos de beleza natural e quietude no coração da cidade de Lisboa.

Obrigado Senhora Adelina!

Alex Ellis

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