Anterior
Espanha: OCDE pede mais competitividade em vez de ajustes fiscais
Seguinte
Greve geral: sindicatos têm tudo pronto
Página Inicial   >  Economia  >   Impacto no PIB de um dia de greve é impossível de calcular

Impacto no PIB de um dia de greve é impossível de calcular

Especialista garante que é impossível calcular o impacto das greves gerais sobre o produto interno bruto (PIB) .
Lusa |

O impacto de um dia de greve geral sobre o Produto Interno Bruto (PIB) "não é possível" de calcular, disse à agência Lusa o especialista Luís Bento.

"Os efeitos das greves gerais são muito diversificados, variam de um sector de atividade para outro. O efeito é completamente diferente para uma empresa que tenha laboração das 07h00 às 18h00 ou numa que tenha laboração contínua", disse Bento, investigador do Centro de Pesquisas e Estudos Sociais da Universidade Lusófona.

Luís Bento é autor de um estudo segundo o qual cada feriado tem um impacto de 37 milhões de euros sobre a economia - mas diz que "não é possível" fazer a transposição deste valor para uma greve geral, como a que foi marcada pelas confederações sindicais para a próxima quinta-feira.

"Como investigador, recuso-me a fazer cálculos sobre custos. Considero que as greves gerais têm muito mais benefícios do que custos", afirma Luís Bento, referindo-se a um "efeito normalizador das relações sociais" que estas paralisações podem ter.

Gritos de alerta da sociedade


"Em Portugal, historicamente, a greve geral tem sido muito pouco utilizada pelos sindicatos, e têm, a meu ver, um efeito muito benéfico sobre a sociedade", acrescenta. "São uma espécie de normalizador das relações sociais, são iniciativas que constituem gritos de alerta e podem ajudar a pacificar, a fazer com que os governo tenham mais cautela".

Em 2007, o gabinete de estudos do banco BPI fez um cálculo simples relativamente ao impacto da greve da função pública desse ano sobre a economia (o valor a que chegou foi 80 milhões de euros, isto presumindo uma adesão de 100%).

A economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, frisa contudo que este valor não é fruto de um estudo, mas meramente de cálculos aritméticos. E acrescenta que, numa greve geral, as contas seriam mais difíceis de fazer.

"Era preciso saber a taxa de adesão à greve, e quais os setores que vão aderir", disse Casalinho à Lusa, notando que as greves gerais paralisam sobretudo a função pública e o setor empresarial do Estado.

"Também há externalidades, como as pessoas que não conseguem chegar aos postos de trabalho por causa da paragem dos transportes, pelo menos 25 ou 30% do sector privado pode ser afetado, quanto mais não seja por atrasos", acrescenta Cristina Casalinho, notando ainda a possibilidade de alguns trabalhadores fazerem 'ponte' no dia seguinte à greve.

764 milhões de euros


Quanto ao cálculo aritmético simples do impacto de um dia de greve, dividindo o PIB previsto para este ano (171,9 mil milhões euros, nas previsões da Comissão Europeia) pelos 225 dias úteis de 2011 (365 dias menos 53 sábados, 52 domingos, 9 feriados e 25 dias de férias), chegaríamos a um valor de 764 milhões de euros.

Mas estas contas por alto servem quanto muito como uma referência. A economia não funciona só aos dias úteis; nem todos os trabalhadores fazem greve; a produtividade dos dias não é toda igual; e em muitos setores o trabalho 'perdido' num dia de greve pode ser compensado nos dias seguintes.

"Nas empresas de laboração contínua, em fábricas que produzem objetos físicos, basta acelerar um pouco o ritmo de produção, dois ou três segundos por hora, e em dois ou três dias recupera-se da paragem da greve", afirma Luís Bento. "Do ponto de vista produtivo, não há desvantagem, e [as empresas] nem pagam os salários da greve."

Esta é a terceira greve geral em que a CGTP e UGT se juntam, mas apenas a segunda greve conjunta das duas centrais sindicais portuguesas já que em 1988 a CGTP decidiu avançar e a UGT, autonomamente, também marcou uma greve geral para o mesmo dia. A greve do próximo dia 24 foi marcada após o Governo ter anunciado novas medidas de austeridade, nomeadamente a suspensão dos subsídios de férias e de Natal na função pública, assim como o aumento do tempo de trabalho no setor privado.

PGR.

 


Opinião


Multimédia

Os assassínios, as execuções, as decapitações são as imagens mais chocantes de uma propaganda cada vez mais sofisticada. É a Jihad, que recruta guerrilheiros no ocidente para matar e morrer na Síria. O Expresso seguiu as pisadas de cinco jiadistas portugueses, mostrando quem são e como foram convertidos e radicalizados. E como lutam, como foram morrer - e como já haverá arrependidos com medo de fugir. Reportagem em Londres, no café onde viam jogos de futebol, na universidade onde estudavam e na mesquita onde rezavam. Autoridades e especialistas em terrorismo estão alerta sobre este pequeno mas perigoso grupo, onde corre sangue português - e de onde escorre sangue por Alá.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

Os muros do mundo

Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


Comentários 1 Comentar
ordenar por:
mais votados
Completa inutilidade
Esta greve geral parece a corrida da galinha depois de ter sido decapitada. O destino permanece o mesmo: a panela, embora tenha dado trabalho durante o abate.
Não me parece que as decisões tomadas sejam passíveis de revisão.
Comentários 1 Comentar

Últimas


Pub