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| Santana com Manuela: “O partido escolheu e está unido, como deve ser |
| Alberto Frias |
Aconteça o que acontecer no domingo, Manuela Ferreira Leite arriscou nesta campanha um registo de autenticidade que foi a maior demarcação do seu rival socialista. O faro político de Santana Lopes resumiu bem a coisa: "Ela foi igual a si própria e isso é o mais importante na vida".
Manuela não quis espalhafatos, nem comícios, nem grandes jantaradas (700 pessoas era o máximo e dois jantares com 3 mil foram tirados a ferros pela direcção de campanha). Não fez "media training", não corrigiu a falta de jeito para improvisar, não riu quando não tinha vontade, não se esforçou por ser simpática, só foi calorosa com quem gosta (a frieza com que recebeu Passos Coelho deu nas vistas), nunca seduziu a imprensa.
Foram 15 dias com uma candidata diferente. Persistente no discurso - a grave situação económica do país, a urgência de uma nova política para combater o desemprego e a obrigatória manutenção dos apoios sociais -, resistente para além das aparências, e determinada até ao fim.
Se ganhar, derruba mitos sobre campanhas e afins; e se perder não deixa de fazer escola. Arriscou jogar com uma desmesurada diferença de meios relativamente ao adversário e, apesar disso, obrigou quase todo o partido (mesmo os que não gostam dela) a vir ao seu encontro. Agradecer-lhe por ter arriscado a tarefa num momento difícil (os mais sinceros) e associar-se a uma campanha sofrida (os mais calculistas).
"Ninguém podia fazer melhor do que ela fez nestas eleições", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que hoje se juntou à arruada em Lisboa, ao lado de Santana, Leonor Beleza, Alexandre Relvas, Pacheco Pereira, António Borges e José Pedro Aguiar Branco.
Para as televisões ficou o prognóstico do "professor Marcelo": "com este número de indecisos isto é um totoloto, um totobola".