21 de maio de 2013 às 9:08
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Graffiti cobrem Serralves em realidade virtual

Intervenção do artista plástico João Paulo Feliciano cria a ilusão de pichagens no edifício do Porto.
Valdemar Cruz (www.expresso.pt)
Só com recurso a uma aplicação que terá de ser descarregada por "smartphones" poderá visualizar-se Serralves manchada por um conjunto de pichagens sem especiais cuidados estéticos
Só com recurso a uma aplicação que terá de ser descarregada por "smartphones" poderá visualizar-se Serralves manchada por um conjunto de pichagens sem especiais cuidados estéticos
Casa de Serralves
O que acontece em Serralves fica remetido ao universo de uma realidade virtual criada pelo artista plástico João Paulo Feliciano Casa de Serralves O que acontece em Serralves fica remetido ao universo de uma realidade virtual criada pelo artista plástico João Paulo Feliciano

As fotos divulgadas mostram o histórico e valioso edifício da Casa de Serralves com pichagens de gosto duvidoso, o que levou já a várias reações negativas em diferentes fóruns de discussãoo na Internet.  

Afinal, as notícias são um tanto exageradas. Não aconteceu, nem vai acontecer nada à casa. Ou, o que acontece fica remetido ao universo de uma realidade virtual criada pelo artista plástico João Paulo Feliciano.

Através de uma tecnologia posta à disposição de João Paulo Feliciano por uma marca dedicada ao fabrico de telemóveis e tablets, e só após o recurso a uma aplicação que terá de ser descarregada por smartphones, poderá ser possível visualizar a Casa de Serralves manchada por um conjunto de graffiti sem especiais cuidados estéticos. 

Nem exposição, nem instalação


João Paulo Feliciano assume que, neste caso, não se pode falar nem de exposição nem de instalação. Trata-se, diz, de um "projeto artístico através do qual se sabe onde se vê, mas não se sabe onde existe" o que há para ser visto. 

Mais do que uma peça sobre graffiti esta é, para João Paulo, "sobretudo uma peça sobre a capacidade que as pessoas têm de comunicar no espaço público, seja de forma consciente, seja de uma forma inepta e até naïf".

Para lá de reconhecer não ter ficado muito entusiasmado com a ideia quando foi convidado a concrerizar o projeto, João Paulo refere que não gosta de mitificar a ideia da utilização de novas tecnologias no campo artístico.

Novas tecnologias


João Paulo Feliciano defende que, para um artista, "as novas tecnologias são uma ferramenta como qualquer outra, o que não significa que não haja consciência das implicações que cada tecnologia tem".

Neste caso trata-se de uma situação de "realidade aumentada", que não existe fisicamente. A sua existência só é possível através da mediação tecnológica, ou seja, "através de um aparelho que nem é acessível a toda a gente", explica. 

O artista não ignora o impacto público entretanto gerado pelo anúnico desta iniciativa, mas está seguro de que "teve todo este impacto porque a peça em si é conscientemente horrível, feia, parva".

"Walls to the People", que é como quem diz, "paredes para o povo", é o título escolhido para esta manifestação. A opção pelo inglês é uma escolha "infeliz", nas palavras do próprio João Paulo Feliciano, que reconhece uma certa tendência dos artistas para se fixarem em nomes naquela língua. Porventura porque dará um ar mais cosmopolita, mesmo se, como no caso, do que se trata é apenas de fazer umas pichagens numa parede. Ainda que simuladas.

      
Comentários 7 Comentar
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Cultura virtual, também é cultura...
Ideia interessante.

Serralves na vanguarda.

O Porto à frente!
Alguém sabe dizer
Qual é a raiz etimológica da palavra pichagens?
Paredes para o povo ignorante e iconoclasta!!!
Ignorância e profunda estupidez!!!

Nem o João Paulo nem o Director ou Directora que autorizou tamanha parvoíce têm a MÍNIMA noção do valor patrimonial desta casa.

Bem sei que se trata de imagens virtuais (espero).

Mas não perceber que se trata de um exemplo de um tipo de arquitectura MUITO MAIS RARO do que poderá parecer à maioria das pessoas, e de um nível de qualidade de que só há umas dezenas de exemplos em todo o Mundo, é lamentável.

É que os Graffitti (virtuais, espero, REPITO) não VALORIZAM este Património. Porque nada EXPLICAM, apenas DEGRADAM. IMPEDEM a leitura das fachadas e dos volumes, são uma intervenção que APOUCA, REDUZ, LIMITA a fruição desta OUTRA OBRA (muito mais importante do que a Obra do Feliciano)!!!

Nada tenho à partida contra os Graffitti, na condiçºao de utilizarem suportes que não sejam ELES PRÓPRIOS OBRAS DE ARTE NEM PATRIMÓNIO HISTÓRICO!!!

Façam-nos em contentores, em muros, em prédios de má arquitectura!!!! Até entendo que o façam em carruagens de caminho de ferro ou em autocarros!!!

Aí, o Grafitto SE FOR DE QUALIDADE até VALORIZA esses objectos: porque se trata de objectos SEM VALOR HISTÓRICO-CULTURAL NEM ARTÍSTICO!!!

ISTO, além do pouco valor artístico (não são Graffitti, são apenas PICHAGENS) é uma forma de valorizar o VANDALISMO (ainda que virtual)... é um INCENTIVO!!!

E é um acto de vampirismo: tentar valorizar uma obra sem valor com o valor da obra que destrói ou gostaria de destruir. NULO!!!! COMPLETAMENTE NULO!!!
Re: Paredes para o povo ignorante e iconoclasta!!! Ver comentário
Re: Paredes para o povo ignorante e iconoclasta!!! Ver comentário
Re: Paredes para o povo ignorante e iconoclasta!!! Ver comentário
MuitoTarde
É incrível a desactualidade desta obra. 6 ou 7 anos de atraso. Desde 2006 que o colectivo Português 3kta faz Graffiti electrónico/digital com o seu Graffonic, em 2007 aparece o coelctivo Graffiti Research Lab com o sistema de 'Laser Tag' e desde aí várias foram as versões nacionais e estrangeiras de Graffiti 'virtual', digital ou electrónico. É lamentável a falta de originalidade e de actualidade. Era interessante saber quanto ganha o senhor Feliciano por tão usada ideia. Mais grave do que o senhor Feliciano vender o 'Walls to the People' é a Casa de Serralves comprar. Mais grave ainda é a certeza de que se fosse um jovem artista desconhecido a sugerir o mesmo projecto a Serralves ele nunca seria aceite. Também era interessante o Sr. Feliciano reconhecer a sua ignorância relativamente a tecnologias digitais e identificar que de facto produziu o trabalho. Chama-se a esta atitude usurpar.
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