Inquieta-me profundamente, como cidadã, como mulher, como futura mãe, o aumento da violência atroz no interior das escolas. O assunto está na ordem do dia.
Leandro, um menino de 12 anos desapareceu nas águas do rio Tua, em Mirandela, na terça-feira. Terá cometido suicídio, diz a família, por medo das agressões constantes de que era alvo dos colegas, tendo sido hospitalizado no ano passado por essas mesmas razões. Aterrador. Repugnante.
As vítimas de bullying (termo em inglês que significa agressão física ou verbal, por um ou mais indivíduos, de forma intencional e sistemática) estão espalhadas pelos estabelecimentos de ensino do país, à mercê do prazer sórdido de rapazes e raparigas que elevam a supremacia de forma bárbara e cobarde.
É deveras tenebroso pensar que estes serão os homens e as mulheres do futuro. É ainda mais temível tendo em conta que os estudos nesta matéria apontam para quase metade dos alunos das escolas portuguesas envolvidos nesta prática, sejam eles os autores ou as próprias vítimas. Isto vai além das "brigas entre miúdos". É intencional, repetitivo, humilhante, gratuito, assustador.
Questiono-me: quantos "Leandros" estão neste preciso minuto, frente-a-frente com os seus agressores? A serem achincalhados, por eles e elas, por distinções tão ridículas que podem passar pela aparência física, raça, marcas. A sofrer. Em silêncio. Com medo das represálias. No caso do menino de Mirandela, a escola não presta declarações. A escola não presta, ponto final. Noutros, que infelizmente têm vindo a público, as vítimas continuam no mesmo espaço que os agressores.
Tolerância zero
O argumento de que a vítima esconde os maus-tratos, não anula a imputação de quem tem a responsabilidade pela vigilância destes espaços. É preciso tolerância zero. É preciso prevenir. É preciso um debate sério. Existem equipas de vigilância nos intervalos? Faz-se o acompanhamento dos alunos insubordinados? Além dos agressores e das vítimas, existem os espectadores. Impávidos, cúmplices, que filmam os actos de furor com um simples telemóvel. Procuram-se estratégias com os próprios alunos?
Para os agressores, a simples suspensão das aulas não vai à raiz do grave problema. Pelo contrário, estimula o comportamento desviante, já que a pena é encarada não como castigo, mas umas "mini-férias" escolares. E uma escola falha a sua missão quando o aluno é obrigado a mudar.
Na maioria dos estabelecimentos de ensino, carece a acção das assistentes sociais e dos psicólogos em casos declarados como problemáticos. Os conflitos dos agressores começam na maioria das vezes em casa. A culpa não é do primeiro-ministro, desculpem lá, mas desta ele está safo! Os pais, professores e autoridades e legisladores têm um papel absolutamente crucial na preparação dos Homens e Mulheres de amanhã. Eles devem ser o equilíbrio da sociedade.