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Bullying: No reino dos parasitas

São rufias e espalham o terror nas escolas. Até quando vamos permitir a perversidade da violência destes "rambos" e o "silêncio dos inocentes"?

Raquel Pinto (sapato nº37) (www.expresso.pt)
17:25 Sexta feira, 5 de março de 2010
A vida de saltos altos - <i>Bullying</i>: No reino dos parasitas
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Inquieta-me profundamente, como cidadã, como mulher, como futura mãe, o aumento da violência atroz no interior das escolas. O assunto está na ordem do dia.

Leandro, um menino de 12 anos desapareceu nas águas do rio Tua, em Mirandela, na terça-feira. Terá cometido suicídio, diz a família, por medo das agressões constantes de que era alvo dos colegas, tendo sido hospitalizado no ano passado por essas mesmas razões. Aterrador. Repugnante.

As vítimas de bullying (termo em inglês que significa agressão física ou verbal, por um ou mais indivíduos, de forma intencional e sistemática) estão espalhadas pelos estabelecimentos de ensino do país, à mercê do prazer sórdido de rapazes e raparigas que elevam a supremacia de forma bárbara e cobarde.

É deveras tenebroso pensar que estes serão os homens e as mulheres do futuro. É ainda mais temível tendo em conta que os estudos nesta matéria apontam para quase metade dos alunos das escolas portuguesas envolvidos nesta prática, sejam eles os autores ou as próprias vítimas. Isto vai além das "brigas entre miúdos". É intencional, repetitivo, humilhante, gratuito, assustador.

Questiono-me: quantos "Leandros" estão neste preciso minuto, frente-a-frente com os seus agressores? A serem achincalhados, por eles e elas, por distinções tão ridículas que podem passar pela aparência física, raça, marcas. A sofrer. Em silêncio. Com medo das represálias. No caso do menino de Mirandela, a escola não presta declarações. A escola não presta, ponto final. Noutros, que infelizmente têm vindo a público, as vítimas continuam no mesmo espaço que os agressores.

Tolerância zero


O argumento de que a vítima esconde os maus-tratos, não anula a imputação de quem tem a responsabilidade pela vigilância destes espaços. É preciso tolerância zero. É preciso prevenir. É preciso um debate sério. Existem equipas de vigilância nos intervalos? Faz-se o acompanhamento dos alunos insubordinados? Além dos agressores e das vítimas, existem os espectadores. Impávidos, cúmplices, que filmam os actos de furor com um simples telemóvel. Procuram-se estratégias com os próprios alunos?

Para os agressores, a simples suspensão das aulas não vai à raiz do grave problema. Pelo contrário, estimula o comportamento desviante, já que a pena é encarada não como castigo, mas umas "mini-férias" escolares. E uma escola falha a sua missão quando o aluno é obrigado a mudar.

Na maioria dos estabelecimentos de ensino, carece a acção das assistentes sociais e dos psicólogos em casos declarados como problemáticos. Os conflitos dos agressores começam na maioria das vezes em casa. A culpa não é do primeiro-ministro, desculpem lá, mas desta ele está safo! Os pais, professores e autoridades e legisladores têm um papel absolutamente crucial na preparação dos Homens e Mulheres de amanhã. Eles devem ser o equilíbrio da sociedade.

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Bullying No reino dos parasitas
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:45 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Para começar informo que me foi difícil começar a fazer este comentário. Antes de mais quero apresentar as minhas condolências aos Pais e dizer-lhe o quanto lamento o sucedido. É uma situação que ninguém pode imaginar a dor pela qual estão a passar. Já aqui mais que uma vez me referi ao problema da Educação e o caminho para onde a sociedade está a caminhar. Se assim continuarmos corremos o risco de estar a fabricar além de irresponsáveis futuros delinquentes. Não é seguramente o caminho que ninguém procura para o futuro dos filhos. Não são só os professores que hoje têm medo dos alunos, mas também os pais sofrem do mesmo problema. Segundo dizem os entendidos são as Universidades viradas para a formação de Professores como o Piaget, ESES, Lusofona etc., que estão a dar cabo do ensino em Portugal. Poderão ter algumas culpas no que toca às matérias e comportamentos, mas não é pela certa a totalidade. Sempre ouvi dizer que a educação começa 20 anos antes de nascer. O que eu não tenho duvidas é que na escola e na família isto tem de mudar. Já o afirmei mais que uma vez, não há liberdade a menos, mas sim a mais e é preciso ter a coragem de o afirmar. Um pai ou um professor não pode ser condenado se perder a paciência e por acaso se lhe descolar a mão do braço. Sempre ouvi dizer que é preferivel que chorem os filhos em vez dos pais. Isto não tem nada a ver com ditadura, mas sim disciplina. Já passaram 36 anos e já é tempo de acabar com alguns complexos.
 
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Tantas questões...
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos , 23:02 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Não nego a importância e gravidade desta questão do Bullying. Condeno toda e qualquer forma de violência e ainda mais esta por ser cobarde e se refugiar na inimputabilidade de quem a pratica.
Bem me recordo de, enquanto estudante, conviver com esta - triste - realidade. Sempre a houve. Sempre houve bombos da festa que eram muito mal tratados. Mas a malta aguentava-se e sabia reagir. Pior ou melhor, mas o facto é que nunca isto foi notícia.
Por razões múltiplas (umas conheço e outras não) este fenómeno agudizou-se e atingiu as proporções e a mediatização que outrora nunca teve.
A sociedade está sem dúvida mais violenta. Com elevados níveis de agressividade (má agressikvidade). É a luta pela sobrevivência.
Mas também estes dramas se devem hoje muito ao facto de não haver praticamente nenhuma comunicação entre pais e filhos. E isto quando estamos perante famílias "normais". Como actualmente as famílias são predominantemente monoparentais, o problema agrava-se substancialmente.
Quando os pais ou tutores dão pelo problema, normalmente já é tarde e acontece o drama.
Por último gostava de salientar um aspecto que está muito na base da infelicidade. De miúdos e graúdos. É o facto de muita gente conviver mal com quem não lhe ache piada ou não "goste" dele/a. Há gente com a mania de que tem de agradar a toda a gente e de ter que reunir unanimidade. Este é um sentimento dos mais tontos que conheço e que gera incapacidade de nos posicionarmos na vida e no Mundo.
 
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Excelente artigo
jupiter2001 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:03 | Sexta feira, 5 de março de 2010
É necessário por parte de todos nós e em especial dos responsáveis escolares, uma atitude mais interventiva e também preventiva, para diminuir fortemente os episódios de bullying, que acontecem pelo pais fora.
 
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opiniao
guedsmarco (seguir utilizador), 1 ponto , 18:23 | Sexta feira, 5 de março de 2010
O fenómeno de bullying nao é novo, eu lembro.me dos meus tempos de liceu e isso acontecia com muita frequência a colegas.. Este caso do Leandro só veio provar uma vez mais existe, é um problema e existe ainda muito tabu para falar e resolver o assunto. Isto vai piorar, portanto não se admirem que um dia vejam cenas semelhantes a dos Estados Unidos.
 
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No meu tempo...
Ninfeta70 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:02 | Sexta feira, 5 de março de 2010
aconteciam episódios identicos, mas não tinham o nome americanizado....
Chamavam-se mais "praxes", e eram aplicadas aos "caloiros"
Parece que o tema foi, depois de americanizado, como outras coisas virado "moda".
Culpa de certos paizinhos, do sistema de educação, e da falta de valentes chapadas, que no meu tempo até eram autorizadas.....
Falta de vigilancia dos pais, das escolas, da sociedade, tornam este tipo de episódios demasiado graves....
Tal como na sociedade em geral, ha que encontrar e castigar os culpados sem complexos, antes que o problema se torne ainda mais grave
 
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    Não são comparaveis.    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 19:13 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Quid novi
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 19:19 | Sexta feira, 5 de março de 2010
O fenómeno de bullying não é novo o termo é que é. Noutros tempos os garotos e adolescentes pura e simplesmente ou trabalhavam ou estudavam restando-lhes pouco tempo para zaragatas. No meu tempo de liceu os mais zaragateiros eram, por mais estranho que pareça, os filhinhos dos papas ricos que em vez dos trabalhos de casa traziam para a escola os problemas de casa de pais de públicas virtudes e de vícios privados! O que há de novo? Escolas transformadas em armazéns de alunos de pais que não sabem onde meter os filhos; a consequência inevitável das medidas socialistas de massificação escolar: escolaridade obrigatória alargada a alunos sem vontade de estudar; alargamento da permanência na escola de alunos desinteressados da escola; falta de meios materiais e humanos (genericamente falta o básico que é um corpo docente e um programa de ensino estável): faltam ginásios onde os alunos descarreguem as hormonas e faltam animadores culturais e agentes de formação cívica, docentes motivados e preparados, equipas de saúde escolar com psicólogos para diagnosticar casos problemáticos, auxiliares educativos vigilantes e presentes para envolverem civicamente os alunos promovendo a seu crescimento saudável segundo o princípio “mins sana ih corpora sano” obviamente tudo isto adaptado ao mundo modernos das novas tecnologias que também devem ser de educação e ergonomicamente adaptados à permanência prolongada em ambiente escolar!
 
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No reino dos parasitas
still (seguir utilizador), 1 ponto , 22:17 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Desta vez o tema desta coluna foge das habituais futilidades mas talvez por inercia, mantem um certo ar leviano embora o tema choque por demais.
Tal como em outros trágicos casos (Madeira, apenas para citar algo recente) há que aparecer sempre a blogar no pós tragédia com a receita certa para a resolução do problema deixando no ar aquele de especialista em quase tudo.
Recorre-se a frases ocas como " é preciso prevenir" - em Portugal é preciso prevenir quase tudo sendo que no caso do Leandro já vem tarde - é "preciso um debate sério"- é, e sobre o País no seu todo - onde estão as equipas de vigilancia?- aqui está desculpada visto não residir neste País e portanto desconhecer que dezenas para não falar em centenas de escolas quase não tem pessoal auxiliar para funcionar; e mais algunas expressões que não enumero para não piorar este meu mau escrito.
Tambem se refere aqui que desta vez (uff) a culpa não é do primeiro ministro.
Não, não é porque as escolas não são tuteladas pelo ministério da educação e por sua vez o ministro da educação não é nomeado pelo primeiro ministro que tambem não preside ao conselho de ministros.
É destes discursos politicamente correctos que quem pode fazer algo pelo país - politicos, jornalistas e demais pessoas com capacidade de influencia - vive mas que não acrescenta nada à realidade nacional.
Lamento pelos Leandros deste país porque não vejo que nada vá mudar para minimizar a violencia fisica e psicológica a que estão sujeitos. ...
 
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O faz de conta! Olha-se e nada se vê!
poetaromasi (seguir utilizador), 1 ponto , 23:07 | Sexta feira, 5 de março de 2010
Desde sempre existiram situações em que alunos mais fortes "malhavam nos mais fracos",
Também me recordo de levar uma surra de um tipo enorme e gordo.

Os tempos mudaram e passou a ser fino chamar nomes estrangeiros a estes actos de violência gratuita. Lamento o que aconteceu, revolta-me que ninguém estivesse atento ao que estava a acontecer com o garoto. É um faz de conta colectivo: olha-se e nada se vê!

Voltando aos meus tempos de escola, se alguém fosse apanhado a bater, e os então contínuos vissem, seria chamado à reitoria, suspenso, e só de lá saia contra entrega aos pais.

De volta a casa levava um "enxerto de porrada" e ficava o assunto arrumado. Os tempos mudaram e até existem leis para que estes meninos malcriados e violentos possam apresentar queixa dos progenitores. "Nem tanto ao mar nem tanto à terra" e se calhar o estrangeirismo servirá para melhor compreender o que está a acontecer nas escolas...
 
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Mas isso é só ingenuidade ...
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 23:12 | Sexta feira, 5 de março de 2010
... ou má-fé mesmo?

À pergunta que colocou no início da sua crónica, eu respondo que esses casos só irão diminuir no dia em que esta sociedade deixar de difundir filmes de terror ou de violência e de fomentar heróis tipo RAW para os adolescentes.

Porém, dado que isto não acontecerá tão cedo, visto interferir com os negócios de alguns "grandes" senhores dos media (como dizia alguém aqui há uns dias), temo que estes casos irão aumentar em número e intensidade nos próximos tempos, até porque, vivemos numa sociedade que QUER tornar-se cada vez mais parecida com a dos animaizinhos da floresta, e, como sabe, no REINO ANIMAL, só sobrevive o mais forte ...
 
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Os bandos de pardais à solta
AvôMetralha (seguir utilizador), 1 ponto , 11:45 | Sábado, 6 de março de 2010
"Elas (crianças) não passam de soldados de um exército cruel, vil e traiçoeiro, do qual todos nós, um dia, tomamos parte. Como vítima ou algoz, tanto faz."

Earl Warren

Há coisas imutáveis. A crueldade infantil é uma delas. É louco quem pensa que pode alterar a natureza humana. É idiota quem acredita num louco.
Temos é de ser todos Sarahs Connors (o arquétipo da super-Mãe, temível educadora, a Mulher que carrega com ela o terrível segredo do fim do Mundo) e educar os nossos filhos para serem generais de um exército disposto a bater-se até à morte pelo direito à sua própria humanidade. Não lhes podemos por nomes ridículos. Não os podemos deixar engordar. Não os podemos deixar ser mariquinhas. Não os podemos deixar guardar segredos. Temos de ensiná-los, desde a barriga, que a bondade é só para quem não se pode defender. O resto do mundo é para correr à relampada.
Cumprimentos

 
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    Re: Os bandos de pardais à solta    Ver comentário
kcorreia (seguir utilizador), 2 pontos , 23:20 | Sábado, 6 de março de 2010
    Não há pinga de sarcasmo    Ver comentário
AvôMetralha (seguir utilizador), 2 pontos , 20:27 | Domingo, 7 de março de 2010
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