25/05/2012 atualizado às 20:19
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Bullying existe em todas as escolas e atinge todas as classes sociais

Alice Carrilho realizou um mestrado sobre o bullying e alerta: "Professores não sabem como lidar com o problema" e "sente-se que é um bocadinho tema tabu em algumas escolas".

19:39 Quinta feira, 25 de março de 2010
Prevenção do bullying deve envolver o apoio de entidades exteriores às escolas como médicos, professores, psicólogos, agentes da PSP e outras instituições
Prevenção do bullying deve envolver o apoio de entidades exteriores às escolas como médicos, professores, psicólogos, agentes da PSP e outras instituições
Miguel A. Lopes/Lusa

O bullying é um fenómeno que existe em todas as escolas, em maior ou menor grau, atinge todas as camadas sociais e para o qual os professores não estão preparados, alerta a professora Alice Carrilho. Depois de realizar um trabalho de mestrado sobre o tema, baseado na perceção dos docentes, esta professora de uma escola do concelho da Covilhã com 3.º ciclo e secundário adverte, em entrevista à Lusa, que há ainda muito a fazer.

"Os professores não sabem como lidar com o problema. Quando ocorre, muitas vezes não sabem detetar se é bullying ou uma agressão ocasional", relata.

Uma das maiores dificuldades decorre do facto de os casos serem camuflados. "É um ato de violência física ou psicológica que é escondido. Aos agressores não interessa que se saiba e o agredido tem medo de dizer que é alvo de bullying por receio de vir a sofrer consequências piores", observa.

Cultura do silêncio


Por outro lado, refere, há "uma certa cultura" entre as crianças e os jovens de não denunciarem estas situações. "Não sei se tem a ver com o nosso passado histórico, mas, para usar a linguagem deles, não gostam de chibar os colegas, de ser bufos", assinala, referindo que as testemunhas também preferem não intervir com medo de serem o próximo alvo.

Há 22 anos no ensino, a professora Alice Carrilho defende que o mais importante é fazer-se um trabalho de prevenção: "Sobretudo falar do assunto, tratar o tema nas escolas".

A medida, sustenta, pode ser aplicada aproveitando os tempos de Estudo Acompanhado, Formação Cívica e Área de Projeto para abordar o problema, promovendo também no 12.º ano um trabalho de investigação.

Alertar consciências


Alice Carrilho considera que o assunto deve ser mais divulgado. "Sente-se que é um bocadinho tema tabu em algumas escolas", diz, sustentando que seria útil pôr os alunos a refletir e trabalhar sobre o tema.

"Eu própria já fiz isso. Gostei muito do trabalho e os alunos também e descobriram que há comportamentos que eles consideravam que não eram bullying e de facto são", revela, indicando que é preciso "alertar consciências".

Alice Carrilho constata que o fenómeno "não é muito valorizado". "Alguns adultos acham que as crianças têm de crescer e de saber defender-se, uma espécie de prova de passagem para a vida adulta", observa.

Trabalho multidisciplinar


Segundo a professora, não se trata de um fenómeno recente, sempre existiu só que agora tem mais divulgação, porque "há pedopsiquiatras, há psicólogos, fala-se mais em direitos humanos e em direitos das crianças".

Os professores, advoga, devem ter formação e o ideal será existir uma equipa multidisciplinar com psicólogos e pedopsiquiatras. "Eles, de certeza, nos seus gabinetes, atendem muitas crianças que são alvo de bullying porque é um fenómeno que deixa marcas psicológicas".

Neste sentido, sugere um trabalho com o apoio de entidades exteriores à escola, que envolva médicos, professores, psicólogos, agentes da PSP e outras instituições.

A professora defende que deve dar-se mais visibilidade ao tema, "sobretudo não ter medo de falar dele". "É importante falar do assunto e fazer com que as testemunhas não sejam passivas e comecem a ter um papel ativo na resolução deste problema", conclui.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***


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No shit ...
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 19:51 | Quinta feira, 25 de março de 2010
ainda não tinha percebido... obrigado
 
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O que e Prof. Alice Carrilho disse....
Terra_maronesa (seguir utilizador), 1 ponto , 21:32 | Quinta feira, 25 de março de 2010
... e o que eu disse há dias (veja as diferenças):

(Terra_maronesa (seguir utilizador), 2 pontos , 10:36 | Sábado, 6)
...

Devia ser implementado um projecto pedagógico interdisciplinar e incluir medidas de consciencialização, prevenção e combate ao bullying escolar em que estivessem envolvidos os alunos, os professores e os pais, cujos objectivos a atingir seriam:

1-Prevenir e combater a prática do bullying nas escolas;
2-Capacitar docentes e direcção pedagógica para a implementação das acções de discussão, prevenção, orientação e solução do problema;
3-Incluir regras contra o bullying no regulamento interno da escola;
4-Orientar as vítimas de bullying no sentido da recuperação da sua auto-estima para o normal desenvolvimento escolar;
5-Orientar os agressores, por meio da pesquisa dos factores desencadeantes do seu comportamento, sobre as consequências de seus actos, visando torná-los aptos ao convívio numa sociedade pautada pelo respeito, igualdade, liberdade, justiça e solidariedade;
6-Envolver a família no processo de percepção, acompanhamento e crescimento da solução conjunta.
Podem fazer-se, entre outros, palestras, debates, distribuição de desdobráveis de orientação aos pais, alunos e professores.

Envolver directamente os alunos e pedir-lhes que apresentem sugestões como prevenir e combater o bullying, pode ser um trabalho de grupo interessante. É preciso ter em conta que não devem ser afastados do projecto os alunos que o praticam.

 
 
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Bullying ?
jcpsantos (seguir utilizador), 1 ponto , 21:45 | Quinta feira, 25 de março de 2010
É evidente que há alguns casos de bullying nas escolas. Dito isto, parece estarmos a assistir a uma vulgarização do termo, o que pode levar a sentimentos de culpabilidade qdo detectado e ao alheamento nas suas implicações. Talvez se conseguíssemos falar com os professores sem juízos de valor, com serenidade e, sobretudo discutindo a forma de lidar com a violência na sala de aula e na escola ... para com os professores e entre os alunos, ajudaria alguma coisa ... estamos disponiveis para isso? Terão os professores tempo disponivel para isso? Terão os pais disponibilidade para serem parceiros na prevenção?
 
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    Re: Bullying ?    Ver comentário
Outubro1560 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:06 | Sexta feira, 26 de março de 2010
    Re: Bullying ?    Ver comentário
jcpsantos (seguir utilizador), 1 ponto , 14:04 | Sexta feira, 26 de março de 2010
Este país é o máximo!!
Arre! (seguir utilizador), 1 ponto , 21:55 | Quinta feira, 25 de março de 2010
Toda a gente via o que se estava a passar. Mas é necessário uma vitima se enfiar rio adentro, para se descobrir que as nossas escolas são um antro de violência, que chamam Bullyng, criou-se uma linha de apoio etc..

Mais vale tarde, do que nunca...
 
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tautologias e cobardia = perda de tempo e de vidas
pedroferreiralp (seguir utilizador), 1 ponto , 22:19 | Quinta feira, 25 de março de 2010
descobriram a pólvora... há bullying desde sempre! ainda muito antes de se atribuir esse nome à "violência nas escolas" havia casos seriíssimos; o meu pai, que tem quase 60 anos, conta histórias do arco da velha dos tempos dele de escola... Confesso que não estou devidamente informado em relação a este assunto; pelo menos quanto àquilo que poderiam ser soluções viáveis, mas se as há verdadeiramente eficazes, parece-me que se tem medo de as implementar por causa de um lobby PSEUDO-democrático qualquer. Deixar crianças e professores sofrer experiências traumáticas, ocasionalmente conducentes ao suicídio, não é democrático. (este texto NÃO FOI escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)
 
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O bullying ...
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 22:29 | Quinta feira, 25 de março de 2010
... não existe só nas escolas. Também fui vítima dele quando criança, embora mais do tipo de ataques verbais do que físicos.

Mas o bullying também existe na internet e é praticado por gente adulta, séria e a quem devemos muito "respeitinho". Curiosamente, também costumam atacar os sites politicamente incómodos em grupo ...
 
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in the good old 1977
zeewolf (seguir utilizador), 1 ponto , 23:39 | Quinta feira, 25 de março de 2010
tinha eu uns miseros 6 aninhos, e farto de levar porrada de um gajo com o dobro do meu tamanho, virei-me a ele e sem saber como, atirei-o ao chao... remédio santo.

se fosse hoje, possivelmente o meu agressor teria feito queixa de mim, por eu ter ousado reagir...

essa coisa do bullying, existe em todo o lado,e em todas as idades, não é só nas escolas.
 
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UM PAÍS AOS PEDAÇOS
santo e peca (seguir utilizador), 1 ponto , 9:07 | Sexta feira, 26 de março de 2010
Desde que se psiquiatrizou a sociedade, através dos media, que se estilizaram os conceitos e os valores, passando tudo a fazer parte de um espaço mediado e mediatizado, como se de um filme se tratasse. Nada parece real, até o sofrimento das vítimas parece estar emparedado. Para tudo surge o apoio psicológico. Gostaria de saber como é que se apoia psicológicamente alguém, durante um curto período? Se fosse ajuda psicológica ainda vá que não vá. Agora apoio...A violência nas escolas é uma representação do que se passa em casa, na rua. Já repararam que à violência doméstica está associada a violência nas escolas? Tudo se pede às escolas, que sejam capazes de ensinar os alunos, educar, formar, medicar, alimentar,etc. A escola apenas forma, não educa, isso é com a família. A escola não tem de fornecer cuidados de saúde, isso é com os centros de saúde. A escola é um conjunto de entidades, onde cada um deve fazer o que lhe compete. Os Pais educarem, os médicos medicarem, os professores ensinarem, a comunidade vigiar. Não se esqueçam que os sindicatos começam a exigir mais profissionais, mas apenas estão a tentar sobreviver, porque sabem que os professores vão ser cada vez menos e assim tudo quanto andar na escola, conta para número. Em 2012 teremos menos de 100.000 alunos, mas teremos 140.000 professores. Eles sabem que vão ser reduzidos, por isso têm que começar a catequizar outros e o ministério vai atrás. Tenhamos juízo e poderemos salvar vidas
 
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Enjoo
Mr. Jolie (seguir utilizador), 1 ponto , 10:14 | Sexta feira, 26 de março de 2010
Como é possível com tantos problemas que o pais tem e numa era tão instável como a que vivemos dêem qualquer tipo de importância a isto, nao entendo. Mas é alguma novidade? Quem nunca, qualquer idade que tenha, nao se deparou ou viveu estas situações? Faz e sempre fez parte da natureza humana. Estão fartos de levar sopapos? Façam desporto e deem-lhes o troco.

Não digo que estes casos não devem ser punidos pelas escolas, mas não é preciso entrar em delírios ridículos sobre uma maneira de resolver o problema. O ser humano é o cancro deste mundo, nas escolas e em todo o lado.
 
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Enjoo deveras
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 14:52 | Sexta feira, 26 de março de 2010
Se para você, preocupação em prevenir o sofrimento alheio e evitar traumas que se prolongam pela vida toda (quando o resultado não é o suicídio...), com todos os custos de diversas ordens que daí resultam, nada mais é do que "delírios ridículos", quem precisa de rever as prioridades é você.
Também houve (há?) gente que defendeu que a escravatura ou a violência doméstica nada mais eram do que inevitabilidades que fazem parte da "natureza humana". Felizmente, houve quem se tenha oposto a tais visões cobardes e oportunistas.

Comentários como o seu só servem para uma coisa: desculpabilizar a apoiar agressores. E isso, sim, é que devia causar "enjoos". E prosseguir para o vómito.
 
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