25/05/2012 atualizado às 19:56
Futuro Sustentável 2010

Ian Goldin: O economista da sustentabilidade

É o director da James Martin 21st Century School, faculdade da Universidade de Oxford, e foi conselheiro de Nelson Mandela e vice-presidente do Banco Mundial

9:00 Sábado, 10 de abril de 2010
Muitos dos grandes desafios do século XXI - como a eliminação da pobreza ou a perda de biodiversidade - não são novos; o que é novo é a emergência de um mundo interdependente mas frágil como sisema
Muitos dos grandes desafios do século XXI - como a eliminação da pobreza ou a perda de biodiversidade - não são novos; o que é novo é a emergência de um mundo interdependente mas frágil como sisema

Acabar com a pobreza, inverter as alterações climáticas, eliminar as doenças infecciosas, travar o conflito global. "Parece uma lista do concurso da Miss Mundo, mas quando o mais recente bebé da Universidade de Oxford tem estes objectivos, temos que os levar mesmo a sério".

Era assim que escrevia com humor, em 2006, o jornalista do diário britânico "The Guardian" a propósito da criação da James Martin 21st Century School, uma nova faculdade da Universidade de Oxford que hoje, quatro anos depois do seu lançamento, continua a ter o economista sul-africano Ian Goldin como primeiro director. James Martin é um perito britânico em tecnologias de informação que publicou mais de cem livros.

Dirigir 15 institutos de investigação em Oxford


Esta é uma nova etapa na carreira de Goldin, que dirige uma faculdade com um nome e uma missão muito originais. E uma impressionante lista de 15 institutos de investigação dos grandes desafios do século XXI, divididos em três áreas fundamentais - as fronteiras da medicina, a energia e ambiente e a mudança social - que têm uma ambição comum: trazer novas perspectivas e estilos de pensar sobre as soluções para os problemas fundamentais do nosso planeta.

Os institutos investigam áreas tão diversificadas como o envelhecimento, os conflitos armados, as terapias contra o cancro, a redução das emissões de carbono nos transportes, as infecções emergentes, a ética das biociências, os materiais relacionados com a energia, as alterações ambientais e as florestas, o futuro da Humanidade, o futuro da nossa mente, as migrações, as nanociências na medicina, a oceanografia, a ciência e inovação na sociedade e as células estaminais.

Goldin nasceu na África do Sul há 55 anos e antes do percurso académico na Universidade de Oxford foi vice-presidente do Banco Mundial, cargo em que liderou a colaboração do banco com as Nações Unidas. Conselheiro de Nelson Mandela quando este era Presidente da África do Sul, Goldin foi director do Banco de Desenvolvimento da África Austral, onde conseguiu transformar a instituição no principal agente de desenvolvimento dos 14 países daquela região. Foi também economista principal do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e director do Programa de Comércio, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da OCDE.

Doutorado em Oxford, condecorado pelo Governo francês e nomeado "Líder Global do Amanhã" pelo Fórum Económico Mundial, onde intervém regularmente, tem dado conferências em todos os continentes e é autor de 12 livros, sendo um dos títulos mais conhecidos "A Economia do Desenvolvimento Sustentável" (1995), precisamente o tema do almoço-conferência que vai dar a 22 de Abril no Hotel Ritz, em Lisboa.

Instituições globais incapazes de lidar com novos desafios


O economista sul-africano reconhece que as actuais instituições de governação internacional como a ONU, o Banco Mundial, o FMI ou o G-20, "não têm capacidade para lidar com a complexidade, a inovação e a interdependência do mundo globalizado do século XXI".

Por isso considera que a recente crise financeira "é a primeira crise sistémica deste século" e avisa que, mesmo aprendendo com as suas lições, não poderemos evitar "um ciclo desestabilizador de mais crises financeiras agudas no futuro, nem preparar o mundo para lidar com outras catástrofes emergentes como as alterações climáticas, as pandemias globais ou o bioterrorismo".

Para que tal não aconteça, é preciso "uma reforma radical" dos sistemas nacionais e globais de governação, de modo a garantir que as catástrofes emergentes "sejam identificadas antes de explodirem". Caso contrário, Goldin prevê que na próxima década surjam "novos problemas que terão de ser enfrentados por instituições velhas e ultrapassadas".

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