Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se ontem à noite em Budapeste contra o primeiro-ministro conservador Viktor Orban, numa mobilização sem precedentes convocada pelos partidos de esquerda e ecológicos e por movimentos civis.
O número de manifestantes não é certo, com os organizadores a reclamarem cem mil e outros observadores a contraporem cerca de 70 mil pessoas nas ruas, noticia a AFP.
Até agora, os apelos à manifestação contra o Governo tinham atraído apenas alguns milhares de pessoas mas, desta vez, dezenas de milhares de cidadãos saíram à rua em protesto contra a nova Constituição, considerando que se trata de um atentado à democracia.
Simultaneamente, Viktor Orban e os seus apoiantes celebram a nova Constituição na Ópera de Budapeste, nas imediações da qual a população se reuniu, sob o slogan "Vai haver uma nova república", numa alusão direta ao desaparecimento da denominação "República da Hungria" da lei fundamental, onde fica apenas Hungria.
Negociações com UE e FMI interrompidas
A 30 de dezembro, o parlamento húngaro aprovou duas leis constitucionais, que entraram em vigor a 1 de janeiro, uma que reforça a influência do Governo sobre o Banco Central e outra que determina uma taxa única (16 por cento) dos impostos sobre os rendimentos.
A decisão desagradou a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional, que em meados de dezembro interromperam as discussões preliminares para a atribuição de uma linha de crédito de 15 a 20 mil milhões de euros.
Após a aprovação da legislação em causa, a UE e o FMI não avançaram uma data para a retoma das negociações. O pedido de ajuda ao FMI e à UE pela Hungria surgiu depois de as agências de notação financeira Moody's e Standard & Poor's terem degradado o rating da dívida de longo prazo, considerando-a especulativa.
Não sei por que o Expresso não desenvolve melhor esta notícia. O que consta é que a nova Constituição é ultraconservadora e que a Hungria se arrisca a ser expulsa da UE, sob a alegação de que
visa a perpetuação antidemocrática do partido nacionalista no poder e na administração pública e que pretende instituir formas de controlo da justiça e da imprensa pelo Estado.
Ao que parece, também prevê a abolição do aborto e proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo, bem como a punição de crimes cometidos durante o regime comunista. Há quem diga que este último aspeto não passa da criação de condições para uam caça às bruxas aos militantes do partido socialista húngaro.