O Hospital de Cascais, em Alcabideche, foi inaugurado esta manhã com vozes de protesto de algumas dezenas de militantes da JSD de Agualva-Cacém e do PCP de Cascais. Os manifestantes aproveitaram a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, e da ministra da Saúde, Ana Jorge, para exigirem melhores cuidados médicos nos dois concelhos.
A JSD reclama um Hospital Amadora-Sintra com mais capacidade de resposta e uma nova unidade em Sintra, enquanto os comunistas reprovam a presença de privados na Saúde e lembram que Cascais tem mais de 50 mil pessoas sem médico de família.
Os jovens sociais-democratas preparam-se, agora, para entregar uma petição no Parlamento a favor de melhorias no Hospital Amadora-Sintra. "Elaborámos uma petição há um ano e já recolhemos 3500 assinaturas. Queremos que o Hospital Amadora-Sintra seja melhorado porque já não consegue dar o escoamento devido na Urgência", explicou ao Expresso a presidente da JSD de Agualva-Cacém, Rita Vasconcelos. Mas há mais: "Também queremos um novo hospital, em Sintra. O Hospital de Cascais não é suficiente porque só vai servir 35% dos habitantes do concelho de Sintra e apenas nas especialidades de ginecologia/obstetrícia e pediatria", acrescenta.
JSD recolhe assinaturas
O documento chegará aos deputados logo que estejam reunidas quatro mil assinaturas. A JSD de Agualva-Cacém vai continuar a recolher apoios durante esta semana, agora, à porta do Amadora-Sintra. "Informámos a administração do hospital que iríamos recolher assinaturas e o presidente pediu para conversarmos primeiro. Temos reunião marcada para 4 de Março".
Ao Expresso, o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, confessou que gostaria de ver abrir um novo hospital no seu concelho. "A inauguração de um novo hospital em Sintra já devia ter acontecido e haverá razões profunda para o seu atraso". Sem querer dar pormenores, o autarca acrescentou apenas que continua "a acreditar que seja possível uma nova unidade no concelho", alegando que "também há razões profundas para que seja rápida a construção de um novo hospital em Sintra".
Fernando Seara aproveitou ainda para revelar que "um dia podemos falar sobre o Serviço Nacional de Saúde e sobre as políticas de gestão privada".
Governo estuda novo hospital em Sintra
Sobre este atraso, a ministra da Saúde foi lacónica. "Este hospital (de Cascais) também já deveria ter sido inaugurado. Os números dirão se será necessário um novo hospital em Sintra". O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, completou a resposta - "o assunto está a ser estudado", salientando o facto do Hospital de Cascais passar a abranger parte da população sintrense.
Confrontado com as críticas da JSD, Manuel Pizarro recusou a possibilidade de aumentar a área de influência: "Não se pode alterar o que está no contrato de gestão".
O PCP aplaude o investimento feito em Cascais, mas garante que não chega. "Estamos aqui porque achamos fundamental a inauguração deste hospital, mas ainda está muito por fazer pela Saúde do concelho", diz o porta-voz da comissão concelhia de Cascais, Vasco Aleixo. "Temos a questão da gestão privada neste hospital - que foi retirada no Amadora-Sintra pelos maus resultados - , mais de 50 mil pessoas sem médico de família e a necessidade de um novo centro de saúde em Carcavelos".
Dúvidas sobre futuro das velhas instalações
Vasco Aleixo exige ainda que a tutela diga qual será o futuro das antigas instalações do Hospital de Cascais. "Propomos que seja criada uma unidade de Cuidados Continuados e Paliativos e que uma parte do antigo Hospital José de Almeida seja, provisoriamente, aproveitada para dar cuidados primários aos utentes de Carcavelos", acrescenta.
Sobre a gestão privada de hospitais públicos, Ana Jorge explicou que não se trata de uma regra. "Nem todos os novos hospitais têm de ser parcerias público-privadas". Aliás, "a construir-se um novo hospital em Sintra será num contexto de EPE, inserido no Hospital Amadora-Sintra", acrescentou Manuel Pizarro.