Detido há mais de seis meses na Islândia, onde tentou entrar com o passaporte do irmão, o ex-cirurgião plástico brasileiro Hosmany Ramos desembarcou no passado sábado no aeroporto de São Paulo, passou por exames de rotina no Instituto de Medicina Legal e foi enviado para o estabelecimento prisional da cidade de Junqueirópolis.
O mais famoso preso do Brasil havia pedido asilo político à Islândia, alegando que o sistema penitenciário brasileiro era desumano, mas acabou por ser extraditado.
A prisão e extradição de Hosmany Ramos é notícia no site islandês Visir.is
, que mostra o brasileiro algemado, apresentando barba e bigode branco, o novo visual que adoptou naquele país.
Hosmany Ramos - que é suspeito do assassinato do pianista português Varella Cid, cujo corpo nunca foi encontrado - foi condenado a 47 anos de prisão por crimes de homicídio, sequestro, narcotráfico, contrabando e roubo de jóias e carros.
Do jet set ao mundo do crime
Durante 12 anos, o ex-assistente do famoso cirurgião plástico Ivo Pitanguy atendeu brasileiros ricos e famosos. Nos anos 1970, porém, Hosmany Ramos enveredou pelo mundo do crime, saltando das colunas do jet set para as páginas de polícia dos jornais brasileiros da época.
O médico, que está proibido de exercer a profissão, era considerado foragido desde Janeiro de 2009. quando aproveitou uma licença para passar as festas do final de ano com a família e não mais regressou à prisão.
Foi preso na Islândia no dia 13 de Agosto, e a sua extradição para o Brasil foi autorizada em Dezembro passado
Hosmany na "melhor prisão do planeta"
Para continuar na prisão islandesa que considera "a melhor do planeta", Hosmany alegou excesso de pena cumprida (28 anos) e as más condições dos estabelecimentos prisionais brasileiros. Mas o máximo que conseguiu foi adiar o seu regresso ao Brasil através de recursos judiciais.
Em entrevista aos jornais e televisões brasileiras, Hosmany disse que a Islândia era um país maravilhoso para escritores, como ele, e que a prisão onde se encontrava era um "hotel de quatro estrelas", onde se encontrava em cela privativa, com computador, Internet, telefone e televisão.
Dois meses depois, Hosmany conseguiu transferência para um estabelecimento prisional ainda melhor, o Litla-Hrauni, que classifica de "hotel de luxo, com suíte, sala de estar, 70% dos guardas prisionais são mulheres, tem apenas 80 presos, comida de restaurante e uma salário semanal de 10 mil coroas para comprar cigarros ou chocolate. Além de ginásio de luxo, pátio para recreação e escola", onde começou a estudar informática e islandês.