Homossexuais iraquianos estão a ser torturados e mortos por extremistas xiitas numa campanha sistemática que está a alastrar de Bagdad para várias outras cidades, denuncia um relatório de uma organização norte-americana de defesa de direitos humanos.
No documento, a Human Rights Watch (HRW) apela ao governo iraquiano para agir com urgência de modo a pôr termo aos abusos e adverte que a chamada "limpeza social" coloca uma nova ameaça à segurança, mesmo que outras formas de violência estejam a diminuir.
Em Sadr City, bairro predominantemente xiita de Bagdad, foram encontrados no princípio do ano vários corpos de homossexuais com as palavras em árabe para "pervertido" e "cachorro" escritas no peito.
A organização, com sede em Nova Iorque, refere que as ameaças e abusos alastraram desde então para as cidades de Kirkuk, Najaf e Bassorá, embora as práticas se mantenham concentradas na capital.
"São cometidos crimes com impunidade, intencionalmente admoestadores, com corpos atirados para o lixo ou pendurados nas ruas como avisos", lê-se no relatório de 67 páginas.
Segundo a HRW, não há números fidedignos disponíveis devido a uma combinação da falta de vontade das autoridades para investigar este tipo de crimes e do estigma que impede as famílias de comunicar as mortes. Todavia, um funcionário da ONU bem informado e citado no relatório. afirma que o número de mortos estará provavelmente "nas centenas".
A campanha é em grande parte atribuída a extremistas xiitas que perseguem comportamentos considerados não-islâmicos, chegando a espancar e até matar mulheres por não taparem a cabeça e a colocar bombas em lojas de bebidas.
As milícias xiitas cessaram quase completamente a sua violência contra rivais sunitas, depois das forças do clérigo radical Muqtada al-Sadr terem sido desbaratadas pelas tropas norte-americanas e iraquianas no ano passado e ter sido declarado e um cessar-fogo.
No entanto, de acordo com a HRW, continuam a levar a cabo uma campanha pouco publicitada de limpeza social.
O relatório baseia-se em entrevistas com mais de 50 iraquianos que se identificaram como homossexuais e também com activistas iraquianos de direitos humanos, jornalistas e médicos.