Homicida condenado à morte foi salvo pelo Twitter
O Supremo Tribunal do estado do Arkansas anulou a pena de morte a um detido, depois dos advogados de defesa alegarem que um dos jurados comentou o julgamento via Twitter, apesar da proibição de qualquer contacto com o exterior.
Os advogados de defesa de Erickson Dimas Martínez, que foi condenado à morte em março de 2010 pelo homicídio de um adolescente de 17 anos, revelaram ainda que outro membro do júri terá dormido durante o julgamento.
O jurado identificado como Randy Franco partilhou através do Twitter a seguinte mensagem: "Escolhas serão feitas. Corações serão partidos... Cada um de nós tem de definir a grande linha".
Segundo o "The Guardian", menos de uma hora antes de ser anunciado o veredicto Franco escreveu nova mensagem: "Acabou".
O jornal inglês revela que Randy Franco enviou outras mensagens, dando a entender que não estava satisfeito com o trabalho de jurado. "Aqui o café é uma porcaria" ou "Tribunal. Dia 5. Aqui vamos nós outra vez", foram outras mensagens partilhadas no Twitter.
O Supremo Tribunal estadual reconheceu que Randy Franco, conhecido nos documentos do tribunal como jurado número 2, violou a regra geral de não comentar o processo.
Telemóveis nos tribunais
O juiz associado escreveu no veredicto que "por causa da natureza do Twitter, os tweets do jurado número 2 acerca do julgamento chegaram a ser discussões públicas. Mesmo que essas discussões tenham sido unilaterais, não é de forma nenhuma apropriado para um jurado escrever considerações, pensamentos ou outra informação acerca do caso de uma forma tão pública".
Os juízes aproveitaram este caso para alertar para a diversidade de más condutas que podem acontecer quando os jurados têm acesso sem restrições aos seus telemóveis durante um julgamento.
"A maior parte dos telemóveis permitem acesso instantâneo a uma miríade de informação. Os jurados podem aceder não só ao Facebook, Twitter ou outros sites de redes sociais, mas podem aceder a sites noticiosos, que podem ter informações sobre um caso", concluiu Corbin.


Arkansas Department of Correction/AP
Erickson Dimas-Martínez foi condenado à pena de morte em 2010
